terça-feira, 23 de março de 2010

21- Surge a Ética.

Introdução:
• “Ética – sf.(grego Ethikê) – Parte da Filosofia que estuda os valores morais e os princípios ideais da conduta humana. É ciência normativa que serve de base à filosofia prática. Conjunto de princípios morais que se devem observar no exercício de uma profissão;” (Dicionário – Michaelis 2000 – Ed. Exclusiva: Reader’s Digest – Melhoramentos).
• “Ética (grego Ethos - Costume). Designa a reflexão filosófica sobre a moralidade, isto é, sobre as regras e os códigos morais que norteiam a conduta humana. Sua finalidade é esclarecer e sistematizar as bases do fato moral e determinar as diretrizes e os princípios abstratos da moral. Nesse caso, a ética é uma criação consciente e reflexiva de um filósofo sobre a moralidade, que é por sua vez, criação espontânea e inconsciente do grupo.” (Enciclopédia Barsa – pág. 168 – Vol 11).
• “Não diga: Encontrei a verdade. Dize de preferência: Encontrei uma verdade.” (Khalil Gibran).
• “Sábio é o que não se envergonha de aceitar uma verdade nova e mais sábio é o que a aceita sem hesitação. Quando a tempestade cai sobre a floresta, os arbustos que se curvam á ventania resistem e sobrevivem, enquanto tombam gigantes inflexíveis”. (Sófocles em Antígona).
• “Fale a sua verdade, seja ela qual for, clara e objetivamente, usando um tom de voz tranquilo e agradável, liberto de qualquer preconceito ou hostilidade.” (Dalai-Lama – O Caminho da tranquilidade).
• “Toda história tem três lados: o meu, o seu e a verdade. Em nenhum está mentindo.” (Robert Evans – Produtor Americano).
• “Seja, porém, a tua palavra: sim, sim; não, não; O que disto passar vem do maligno.” (Jesus Cristo – Mateus 5.37).

Considerações iniciais:

A globalização está reduzindo o planeta a um pequeno bairro, onde todos sabem tudo de todos. Pela manhã acessamos a internet e o mundo se coloca escancarado à nossa frente.

Corremos o risco de a qualquer momento ouvirmos dizer que o homem conseguiu produzir a antimatéria e descobriu a célula com a qual Deus deu início a todas as coisas.

Os jornais anunciam que o “Conseil Européen pour La Recherche Nucléaire – (CERN) – na Suíça, recentemente conseguiu produzir as primeiras partículas de antimatéria.

Foi pensando nestas coisas que decidimos escrever estes pequenos textos com o título de “Falando em ética, Filosofia...”

Acreditamos que uma reflexão nestes termos nos abrirá portas para muitas considerações, envolvendo temas filosóficos, éticos, religiosos e a respeito dos mais variados tipos de relacionamentos a que estamos submetidos.

Sabemos que a idéia de uma ética mundial está ganhando espaço entre alguns intelectuais.
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As Primeiras Manifestações Éticas:
A Moral e a Ética provém dos homens. A lei única de Deus é: AMAI AO SEU SEMELHANTE COMO A TI MESMO. O resto são códigos de conduta elaborados pelo próprio homem. Moral e Ética se confundem.
As teorias éticas nascem e desenvolvem-se em diferentes sociedades como resposta aos problemas resultantes das relações entre os homens. Os contextos históricos são, pois elementos muito importantes para se perceber as condições que estiveram na origem de certas problemáticas morais que ainda hoje permanecem atuais
As teorias éticas gregas, entre o século V e o século IV a.C. são marcadas por dois aspectos fundamentais:
Polis. A organização política em que os cidadãos vivem - as cidades-estado -, favorecem a sua participação ativa na vida política da sociedade. As teorias éticas apontam para um dado ideal de cidadão e de Sociedade.
Cosmos. Algumas destas teorias éticas-políticas procuram igualmente fundamentarem-se em concepções cósmicas.
Quando atentamos para a história das idéias, constatamos um fato que os teóricos deixaram escapar, é que a ética surge da discussão e da defesa das idéias e que este fenômeno ocorre no seio familiar que se torna o núcleo da formação social e da polis.
Neste momento a nossa preocupação maior é desenvolver uma visão do surgimento da ética ocidental, por se tratar justamente do que mais nos afeta atualmente. Por isto convido o leitor a fazer algumas breves considerações sobre a “Ética Cristã”.

A Ética Cristã:
Ética é o conjunto de valores ou padrão pelo qual uma pessoa entende o que é certo ou errado e toma decisões.
A nossa ética precisa se basear nos princípios ensinados por Jesus. O ensinamento básico de Jesus para uma ética de relacionamentos perfeitos é: “Tudo quanto, pois, quereis que os homens vos façam, assim fazei-o vós também a eles; porque esta é a Lei e os Profetas.” (Mateus 7.12).

A vida cristã não pode ser um conjunto de regras ou hábitos. A vida de um verdadeiro cristão, um discípulo de Jesus, é uma operação contínua e natural da presença de Jesus dentro de nós.
Não podemos estabelecer uma lista de normas, mas devemos avaliar quais frutos visíveis podemos e devemos ter no nosso comportamento, que glorificam a Jesus. Precisamos zelar pelo nosso comportamento. Não podemos viver diferenciando sagrado e profano, religioso e secular, liturgias e vida “normal”. O alvo não é “ser correto”, mas viver com dignidade para “glorificar o nome de Jesus em tudo”.

Há alguns anos atrás foi publicado um livro com o título: “Em teus passos o que faria Jesus?” Se constantemente, colocarmos Jesus como nosso padrão e parte do nosso viver e nos avaliar em face dos seus ensinamentos, certamente viveremos dentro dos verdadeiros princípios éticos.

Precisamos cuidar:
Do nosso comportamento pessoal.
Do nosso corpo.
Da forma como alimentamos nossa mente.
Das nossas palavras.
Das nossas decisões.
Dos nossos relacionamentos.
Da forma como suprimos nossa vida material.
Das nossas atitudes diante da sociedade.
Das nossas virtudes, dons e talentos.
Da nossa postura diante das necessidades do próximo.


Conclusão
Deus estabeleceu o discipulado em Seu reino a fim de crescermos como uma família. O desenvolvimento do ser humano é largamente explicável em termos das respostas psicológicas aos estímulos externos que ele recebe. Este condicionamento operante de estímulos e respostas dos ambientes em que o organismo funciona irá reproduzir o encorajamento ou desencorajamento de situações iguais no futuro. Que estímulos têm sido dados à família ocidental, principalmente em função das propagandas as quais têm sido submetidas nossas crianças? A família atual se vê mais apta a continuar ou a mudar no quadro das informações que recebe da mídia? Não estamos falando só de propaganda, como publicidade comercial, mas sim de tudo que é veiculado por mensagens em diferentes meios, e que influi e contribui para a formação da personalidade do ser humano.

. Este processo se dá na família, e influencia as sociedades. As interações aprendidas na família podem ser elementos de troca com a sociedade. Precisam, no entanto, ser promovidas como desenvolvimento e não consideradas "naturais".

Seria a interação humana produto ou conteúdo? Parecem-nos as duas coisas. A base já nasce conosco, começa com a harmonia do bebê com a família e se transforma rapidamente no contacto com outros seres. É importante que ainda no útero o feto receba expressões de amor e carinho dos pais e dos irmãos.

As diferenças de atenção que forem dadas a este bebê irão produzir a sua socialização e o estabelecimento de suas relações com os outros seres humanos. Neste momento, o outro ser humano reflete, para esta criança, a cultura na qual se compartilham valores e crenças. A base é a cultura, o ambiente e as capacidades iniciais que formam o desenvolvimento da pessoa. Porém o primeiro passo para tudo isso ocorre na família e nas formas como as respostas são dadas ao futuro adulto.

No caso de uma sociedade individualista, o princípio básico das relações só poderá vir da família. A origem da palavra família vem do grego "famulo" e significa servo. Estamos, portanto, falando de uma instituição muito antiga e muito forte e muito importante para o desenvolvimento do ser.

Precisamos de uma ética independente da religião, da moral e de outras ideologias tradicionais. Uma ética que surja da tragédia dos conflitos humanos e que tenha como motivação o bem comum, o respeito e a solidariedade. Não existe melhor cadinho para forjar, formular e estabelecer esta ética do que a família.

Esta possível ética não poderá impedir a sobrevivência dos tanques das ideias do passado que permanecerão como parâmetros para motivar o progresso humano através dos pequenos grupos que se unirão em função de diversas fidelidades tradicionais.

A importância desse novo eu, para um projeto social mais amplo e que vise superar a fragmentação das identidades em nossos dias, pode ser relacionada com a ação desse eu em prol do amor. O amor nasce da necessidade de privacidade, mas que guarda a noção de cumplicidade e amizade. Esse processo deve ser iniciado na família, porque a família é o menor núcleo de um estado e de uma nação e por tudo que dissemos anteriormente, é o melhor núcleo da formação da personalidade. (P/AViS-23/03/2010).

segunda-feira, 8 de março de 2010

Homenagem à Mulher

Homenagem à Mulher Cristã em 08 de março de 2010.

“No sexto mês Deus enviou o anjo Gabriel a Nazaré, cidade da Galiléia, a uma virgem prometida em casamento a certo homem chamado José, descendente de Davi. O nome da virgem era Maria.

O anjo, aproximando-se dela, disse: "Alegre-se, agraciada! O Senhor está com você!" Maria ficou perturbada com essas palavras, pensando no que poderia significar esta saudação. Mas o anjo lhe disse: "Não tenha medo, Maria; você foi agraciada por Deus!

Você ficará grávida e dará à luz um filho, e lhe porá o nome de Jesus. Ele será grande e será chamado Filho do Altíssimo. O Senhor Deus lhe dará o trono de seu pai Davi, e ele reinará para sempre sobre o povo de Jacó; seu Reino jamais terá fim".

Perguntou Maria ao anjo: "Como acontecerá isso, se sou virgem?"

O anjo respondeu: "O Espírito Santo virá sobre você, e o poder do Altíssimo a cobrirá com a sua sombra. Assim, aquele que há de nascer será chamado Santo, Filho de Deus. Também Isabel, sua parenta, terá um filho na velhice; aquela que diziam ser estéril já está em seu sexto mês de gestação. Pois nada é impossível para Deus".

Respondeu Maria: "Sou serva do Senhor; que aconteça comigo conforme a tua palavra". Então o anjo a deixou.”

(Lucas 1.26-38)


“No primeiro dia da semana, muito de madrugada, foram elas ao sepulcro, levando as especiarias que tinham preparado.

E acharam a pedra revolvida do sepulcro.

E, entrando não acharam o corpo do Senhor Jesus.

E aconteceu que, estando elas perplexas a esse respeito, eis que pararam junto delas dois varões, com vestidos resplandecentes.

E, estando elas muito atemorizadas, e abaixando o rosto para o chão, eles lhes disseram: Por que buscais o vivente entre os mortos?

Não está aqui, mas ressuscitou. Lembrai-vos como vos falou, estando ainda na Galileia,

Dizendo: Convem que o filho do homem seja entregue nas mãos de homens pecadores, e seja crucificado, e ao terceiro dia ressuscite.

E lembraram-se das suas palavras.

E, voltando do sepulcro, anunciaram todas estas coisas aos onze e a todos os demais.”
(Lucas 24.1-9)

Até a chegada de Jesus neste planeta a mulher era uma excluída da sociedade. No entanto Deus priorizou e privilegiou a participação da mulher no mais importante evento de nossa era. Tanto na chegada do Messias quanto na sua vitória sobre a morte, coube a mulher a primazia do conhecimento e o início da ação missionária.
Deixamos aqui a nossa homenagem às mulheres cristãs do mundo inteiro, pois a elas tem cabido, até aos nossos dias as iniciativas para que a mensagem de liberdade, fraternidade e igualdade defendida por Jesus, seja pregada a todas as nações.


MULHER


Este é o teu dia, mulher!
Dia-sinal, dia-luta,
dia-símbolo, dia...

Ele chega
atravessando os tempos,
as intenções, os desprezos,
as arrogâncias, as distâncias,
os preconceitos, as vontades,
os egoísmos e as omissões.

Este dia pesa!
Ele vale lágrimas, sangue,
injustiças, desprezo,
escravidão...
Mas traz no seu bojo
a esperança, o grito, a fala,
a oração, o gesto, a luta,
a construção!

Ele se faz,
não é só intenção!
Ele se faz música, para todas
que
têm seus espaços, sua
dignidade,Sua oportunidade de ser,
de valer...

Ele se faz símbolo e sinal
para todas aquelas
que ainda padecem,
se aniquilam, se
embrutecem,
se vendem, se
amesquinham,
porque ainda não valem,
ainda não são!

Ele se faz trabalho,
esforço conjugado de muitos,
plantando dignidade,
reconhecendo a importância,
a contribuição, a caminhada,
a sensibilidade, a garra da mulher.

Ele se faz fé,
vislumbrando já o dia em que
os valores do reino de Deus,
de igualdade e
oportunidade,
respeito e solidariedade,
se instalem de vez entre nós.

Ele se faz alegria,
porque vem nascendo,
pleno de intenções, de vida,
esperança e possibilidades.

Ele se faz oração a Deus
que em Jesus, seu filho,
com tantos gestos (e um imenso)
principiou tudo, nos tornando
as primeiras anunciadoras
da sua ressurreição.

Ele se faz amor,
porque o amor é a única
semente capaz de perdoar,
resgatar e transformar.

Ele se faz esperança,
pois em todas as mãos
estendidas
na sua construção, ele não é mais noite.
É o dia...
Se faz clarão!
(Autor desconhecido)


Seu irmão e Servo, Ev. Alfredo Vieira

terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

20- A Revisão.

Introdução:

“Uma Experiência Marcante, Desafiadora e Cheia de Possibilidades.

Não existe na vida de qualquer pessoa, homem ou mulher, experiência mais marcante, desafiadora e tão repleta de possibilidades de que receber, por fé, a Jesus Cristo como Salvador e Senhor para , então segui-lo de perto. Muitos, por não compreenderem a dimensão e o significado disso, confundem essa realidade como uma mera opção religiosa, reduzindo-a a uma mera filosofia de vida.

Crer em Jesus Cristo e tê-lo como Salvador e Senhor é, na verdade, um divisor de águas na história da existência humana, ao ponto de dividi-la entre o antes e depois. Por isso pode-se dizer que essa é a experiência mais marcante da vida. Possivelmente outras experiências dividem nossa história de vida entre o antes e o depois, contudo, nada se compara ao encontro que se tem com Jesus Cristo, pois antes de conhecê-lo a pessoa está morta em seus delitos e pecados, fazendo sua própria vontade, mas depois é ressuscitado da morte para a vida com Cristo, para uma vida de obediência e contentamento verdadeiros.

É uma experiência desafiadora, pois vivenciá-la requer renúncia, negar a nós mesmos, tomar a cruz e morrer. João Wesley diz que isso “não é coisa de importância secundária: não é apenas um acessório, como o são alguns elementos da religião; mas é absoluta, indispensavelmente necessário, quer para que nos tornemos discípulos de Cristo, quer para que nos conservemos nesta condição. É absolutamente necessário pela própria natureza do caso, para que o acompanhemos e o sigamos; tanto mais que, se não procedermos assim, não seremos seus discípulos”.

É uma experiência cheia de possibilidades, pois quando se conhece a Jesus Cristo, com Ele e Nele vencemos o pecado, o mundo e suas propostas mentirosas. Em Jesus temos a nossa dignidade restaurada como pessoas criadas por Deus. A outra possibilidade é a de servirmos a Deus e ao nosso próximo em amor verdadeiro, abnegado e com o coração de servos(as). Assim, esvaziados de nós, caminhamos com o “mesmo sentimento que houve em Cristo”. Na verdade essas possibilidades são realidades que se experimenta, de fato, pois quem está em Cristo “é nova criatura”, tem novo coração, nova mente e novos valores.

Que Deus nos ajude a vivenciarmos a nossa experiência cristã com verdade, alegria, sendo aperfeiçoados diariamente como filhos e filhas Dele. Que o Espírito Santo nos encha de poder para que o nosso testemunho pessoal e como igreja seja impactante e atraia muitas vidas para Jesus Cristo.” (Pastor Metodista: Osman Ferraz).



Sobre a Ética:

Ela conseguiria conciliar as diversas expressões religiosas e ideológicas, criando possibilidades para o surgimento de uma moral onde todos viveriam em solidariedade e respeito mútuo, permanecendo cada um fiel ao seu pequeno tanque? (Ref. Ao nº 2 desta série).

Somos de opinião que viver dentro da sociedade atual é ao mesmo tempo desconcertante e desafiador. É desconcertante porque o ontem foi muito diferente de hoje e o amanhã é sempre uma incógnita. É desafiador em consequência desta incerteza que nos convida a rever nossas ideias e opiniões diariamente.

“Aceitar a existência de um Criador é um ato racional. Aceitar quem é o Criador é um ato de fé.” (Adauto Lourenço – cientista cristão).

A filosofia vê o homem como um ser pensante que precisa ser formatado.
A ciência vê o homem como um ser físico (biológico) e mental que carece de conhecimento e experimentação. A religião vê o homem como um ser composto de corpo (físico-biológico), alma (mente-psiquê) e espírito (divino) – uma visão holística.


Não se sabe com certeza quando o conhecimento e a inteligência chegaram ao nosso planeta. O que se pode afirmar é que sem estes dois agentes nada do que existe poderia vir à existência.
Quanto à fé, aqui entendida como crença em algo que está fora do alcance do conhecimento, é fácil entender que ela veio a posteriore. Quando se fala de fé, pensamos logo em religião e esta com certeza veio muito depois.
Feitas estas colocações iniciais, já podemos perguntar: onde fica o homem em função disto? Com certeza o homem foi uma solução que o conhecimento e a inteligência encontraram para tomarem forma concreta e se manifestarem neste planeta. Não há acordo entre filósofos, teólogos e cientistas a esse respeito. Esse desacordo deve ser visto como uma estratégia do conhecimento para manter viva e atuante a inteligência. Esta por sua vez governa a vida que jamais poderia existir sem as duas. O homem torna-se, desta forma, refém das duas. A inteligência exige que o homem adquira cada vez mais conhecimento, pois ele é o seu encantamento. O conhecimento encanta o homem, dando a ele consciência de sua própria existência e do seu valor. Mais conhecimento e o homem se considera mais importante, mais poderoso e capaz de dominar. Assim, o homem surge neste planeta com a missão de dominar.
Mas como ele não pode dominar todas as coisas, surge a fé que vai permitir o preenchimento das lacunas que são criadas entre as diversas possibilidades de alcançar conhecimentos que ainda não estão ao seu alcance. Assim o homem sedento de domínio, parte para as grandes conquistas. Pela fé ele acredita que vai adquirir maior poder através da inteligência que permite a criação de estratégias e meios que acabam sendo formalizados por aqueles que ganham a confiança do grupo. É a partir daí que vão surgindo os diversos tipos, estruturas e normas sociais.
O homem olhava à sua volta e tomava conhecimento superficial da existência da natureza, até que num determinado momento ele começou a fazer certas perguntas a si mesmo. Uma das primeiras perguntas, com certeza, foi: como surgiram as coisas que o rodeavam? Posteriormente passou a questionar a sua própria origem. Como não havia respostas adequadas, a inteligência recorreu à fé e a organização de grupos para adorar e cultuar ao criador, surgindo daí a religião com a qual a inteligência passou a dirigir os destinos dos homens.
O cristianismo e o judaísmo, partindo destes princípios afirmam que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus com plenos poderes para ter domínio sobre a natureza. (Gn 1. 28). Só que o homem não se contentou em dominar apenas a natureza, passou a disputar domínio com o seu semelhante.
O primeiro ato decisivo sobre este desvio foi a disputa entre Caim e Abel, provocando o assassinato de Abel.
A inteligência concluiu que apenas o ato de adorar ao criador não foi capaz de harmonizar as relações entre os homens. Em consequência disto deu-se início a outra providência, normatizar leis de relacionamento surgindo assim os princípios éticos e morais, que juntos com as religiões foram sendo difundidos entre todas as raças humanas existentes no planeta. Tanto a religião, a ciência, a ética e a moral, no futuro, alcançarão seus objetivos ao passo que se colocarem a serviço do conhecimento, da inteligência e da fé.
A importância deste breve texto, talvez para alguns um pouco folclórico, é mostrar que tanto a Religião, a Ciência, a Ética e a Moral tiveram um mesmo princípio: a inteligência e um mesmo objetivo: harmonizar os relacionamentos dos homens entre si e com a natureza. Daí a importância da Ética dos Relacionamentos.

Denúncia ética:

Há uma tradição do senso comum que vê com maus olhos o procedimento de denunciar e que o acusa de ter a qualidade oposta à ética. A moral brasileira cotidiana, como qualquer outra, contém clichês, provérbios, máximas, que carregam significados e sentidos éticos duvidosos. Pelo conteúdo desses clichês ficamos sabendo que o brasileiro gosta de “levar vantagem em tudo”, pode “dar jeito em tudo”, que “todo mundo mete a mão: por que eu não?”, que “cada um por si, Deus por todos” etc. Na cumplicidade entre colegas de trabalho, concidadãos, amigos, vizinhos, facilmente prospera uma noção equivocada de denúncia. Nela, o denunciante, chamado pejorativamente de “dedo-duro” ou “delator”, é considerado um traidor, um desleal aos seus iguais, é reduzido a um bajulador. O raciocínio dessa cumplicidade é o seguinte: a lealdade primeira é devida aos “iguais”, não importando qual seja a qualidade desses iguais, se são bons ou maus, se estão certos ou errados; a lealdade ao grupo, família, corporação, é afirmada como precedente (anterior) à lealdade à sociedade e à coletividade. Nessa moral cotidiana da cumplicidade, o irmão, amigo, vizinho, colega, é protegido e não ameaçado. Nessa moral corporativista, a denúncia é uma quebra da “harmonia” entre os iguais. O mote geral de “unidos venceremos” se aplica, aqui, a uma ideia vaga de que o inimigo é sempre o que está “fora”, é o “estranho”, e também o que está “mais acima”, o que tem mais força. Nessa moral, acredita-se que é preciso união para se ter a força dos “iguais”.
Uma das responsabilidades dos indivíduos numa empresa é a vigilância ética sobre os direitos e isso implica em não ser cúmplice de irregularidades, não ocultar transgressões, não se omitir diante de faltas éticas (corrupção, favorecimentos ilegítimos, violação de direitos, discriminações culturais etc.). Um modo concreto de se manifestar o não conformismo com essas transgressões e de se afirmar o compromisso positivo com o bem-comum é precisamente o ato de denunciar as transgressões. Essa denúncia é uma manifestação positiva de lealdade ao bem comum, é uma lealdade aos direitos, e tem sim elevado valor ético. Tais dispositivos justificam-se mais ainda quando são associados a garantias de que as denúncias serão investigadas adequadamente (por meio de procedimentos transparentes, idôneos e objetivos) e de que haverá consequências, ou seja, de que os responsáveis serão punidos com justiça. Ao mesmo tempo, infelizmente, prospera também uma prática de inimputabilidade do denunciante: supõe-se que, mesmo sem provas, se possa trazer a público uma denúncia contra alguém (como se o próprio “ato heroico” de denunciar compensasse a falta de provas). Uma denúncia sem provas é uma calúnia e caluniar dá ao acusado o direito de restabelecer publicamente sua honra e dignidade. Outra questão é a do anonimato das denúncias. A moral da vingança e represália contra denunciantes gera medo e leva muitos, frequentemente, a se esconderem no anonimato ao denunciar, seja por proteção justificada, seja por covardia. A boa consciência de cada pessoa deverá ser o juiz, nesses casos.

História das Ideias:

A história das ideias morais está estreitamente ligada a dos sistemas filosóficos, embora devamos admitir que umas e outros sejam independentes do desenvolvimento social, econômico e cultura geral, assim como da consciência religiosa. Na antiguidade, as éticas relacionadas com o platonismo, o estoicismo e o epicurismo são as mais conhecidas. Na Era Moderna, o sistema filosófico de Kant deu um grande lugar à ética do dever e da intencionalidade, enquanto vários filósofos ingleses e norte-americanos elaboraram éticas utilitaristas e pragmáticas. Mais recentemente o marxismo e o existencialismo introduziram uma concepção nova do homem com o consequente significado ético. Qualquer história da Filosofia permitirá traçar as linhas principais desse desenvolvimento. Em forma muito amena e acessível o faz o livro de Will Durant: La história de La Filosofia (Santiago do Chile, Letras Imp – 1937). Quem desejar aprofundar-se mais na história das ideias e da Ética pode orientar-se a partir das seguintes obras: Lês grandes líneas de La filosofia moral de Jacques Leclercq (Madrid, Gregos); La ética moderna, de Teodor Litt (Madrid, Revista de Ocidente, 1932); La consciência moral, de H. Zbinden e outros (Madrid, Revistas do Ocidente, l961); a Internet oferece muito material de boa qualidade sobre o assunto.
A ética católica romana mais importante dos últimos anos é a de Bernhard Haring, La Ley de Cisto (Barcelona, Herder, 1958). Recentemente se discutiu muito a chamada ética situacional, que insiste em decisões éticas particulares, vinculadas às circunstâncias imediatas. Neste sentido a obra clássica é o livro de John Fletcher, Ética de situación (Barcelona, Ediciones Ariel, 1970).
Nos últimos anos, o Brasil através de seminários, simpósios e congressos tem produzido um bom material sobre a ética. Algumas destas obras encontram-se arroladas em nossa Bibliografia.
Através de nossa proposta de “Novos Paradigmas da Ética”, esperamos estar apresentando uma nova visão sobre o assunto, ou seja: Uma visão globalizante partindo do princípio de diversos relacionamentos: “a Ética dos Relacionamentos”.

Sobre a espiritualidade:

“Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.

No que se refere aos ministérios desenvolvidos a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.


Carisma:

Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.

Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.

Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.

Caráter:

O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.

Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.

Caridade:

Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.

Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com os que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.” (Texto de Josué Adam Lazier – Bispo da Igreja Metodista).

Com isso encerramos a segunda fase de nossas reflexões. Convidamos aos nossos leitores para a terceira e última fase desta série com os seguintes temas:

21- Surge a Ética.
22- Os primeiros conceitos de Ética.
23- A Ética dos Relacionamentos.
24- A Ética da Solidariedade.
25- O Futuro da Ética.
26- Humanismo e Espiritualismo.
27- A Teologia da Graça.
28- O Futuro da Religião.
29- Revisão.
30- Conclusão Geral.
Nota: Voltaremos com os novos textos a partir de 23 de março de 2010. (P/AViS-23/02/2010).

20- A Revisão.

Introdução:

“Uma Experiência Marcante, Desafiadora e Cheia de Possibilidades.

Não existe na vida de qualquer pessoa, homem ou mulher, experiência mais marcante, desafiadora e tão repleta de possibilidades de que receber, por fé, a Jesus Cristo como Salvador e Senhor para , então segui-lo de perto. Muitos, por não compreenderem a dimensão e o significado disso, confundem essa realidade como uma mera opção religiosa, reduzindo-a a uma mera filosofia de vida.

Crer em Jesus Cristo e tê-lo como Salvador e Senhor é, na verdade, um divisor de águas na história da existência humana, ao ponto de dividi-la entre o antes e depois. Por isso pode-se dizer que essa é a experiência mais marcante da vida. Possivelmente outras experiências dividem nossa história de vida entre o antes e o depois, contudo, nada se compara ao encontro que se tem com Jesus Cristo, pois antes de conhecê-lo a pessoa está morta em seus delitos e pecados, fazendo sua própria vontade, mas depois é ressuscitado da morte para a vida com Cristo, para uma vida de obediência e contentamento verdadeiros.

É uma experiência desafiadora, pois vivenciá-la requer renúncia, negar a nós mesmos, tomar a cruz e morrer. João Wesley diz que isso “não é coisa de importância secundária: não é apenas um acessório, como o são alguns elementos da religião; mas é absoluta, indispensavelmente necessário, quer para que nos tornemos discípulos de Cristo, quer para que nos conservemos nesta condição. É absolutamente necessário pela própria natureza do caso, para que o acompanhemos e o sigamos; tanto mais que, se não procedermos assim, não seremos seus discípulos”.

É uma experiência cheia de possibilidades, pois quando se conhece a Jesus Cristo, com Ele e Nele vencemos o pecado, o mundo e suas propostas mentirosas. Em Jesus temos a nossa dignidade restaurada como pessoas criadas por Deus. A outra possibilidade é a de servirmos a Deus e ao nosso próximo em amor verdadeiro, abnegado e com o coração de servos(as). Assim, esvaziados de nós, caminhamos com o “mesmo sentimento que houve em Cristo”. Na verdade essas possibilidades são realidades que se experimenta, de fato, pois quem está em Cristo “é nova criatura”, tem novo coração, nova mente e novos valores.

Que Deus nos ajude a vivenciarmos a nossa experiência cristã com verdade, alegria, sendo aperfeiçoados diariamente como filhos e filhas Dele. Que o Espírito Santo nos encha de poder para que o nosso testemunho pessoal e como igreja seja impactante e atraia muitas vidas para Jesus Cristo.” (Pastor Metodista: Osman Ferraz).



Sobre a Ética:

Ela conseguiria conciliar as diversas expressões religiosas e ideológicas, criando possibilidades para o surgimento de uma moral onde todos viveriam em solidariedade e respeito mútuo, permanecendo cada um fiel ao seu pequeno tanque? (Ref. Ao nº 2 desta série).

Somos de opinião que viver dentro da sociedade atual é ao mesmo tempo desconcertante e desafiador. É desconcertante porque o ontem foi muito diferente de hoje e o amanhã é sempre uma incógnita. É desafiador em consequência desta incerteza que nos convida a rever nossas ideias e opiniões diariamente.

“Aceitar a existência de um Criador é um ato racional. Aceitar quem é o Criador é um ato de fé.” (Adauto Lourenço – cientista cristão).

A filosofia vê o homem como um ser pensante que precisa ser formatado.
A ciência vê o homem como um ser físico (biológico) e mental que carece de conhecimento e experimentação. A religião vê o homem como um ser composto de corpo (físico-biológico), alma (mente-psiquê) e espírito (divino) – uma visão holística.

Não se sabe com certeza quando o conhecimento e a inteligência chegaram ao nosso planeta. O que se pode afirmar é que sem estes dois agentes nada do que existe poderia vir à existência.
Quanto à fé, aqui entendida como crença em algo que está fora do alcance do conhecimento, é fácil entender que ela veio a posteriore. Quando se fala de fé, pensamos logo em religião e esta com certeza veio muito depois.
Feitas estas colocações iniciais, já podemos perguntar: onde fica o homem em função disto? Com certeza o homem foi uma solução que o conhecimento e a inteligência encontraram para tomarem forma concreta e se manifestarem neste planeta. Não há acordo entre filósofos, teólogos e cientistas a esse respeito. Esse desacordo deve ser visto como uma estratégia do conhecimento para manter viva e atuante a inteligência. Esta por sua vez governa a vida que jamais poderia existir sem as duas. O homem torna-se, desta forma, refém das duas. A inteligência exige que o homem adquira cada vez mais conhecimento, pois ele é o seu encantamento. O conhecimento encanta o homem, dando a ele consciência de sua própria existência e do seu valor. Mais conhecimento e o homem se considera mais importante, mais poderoso e capaz de dominar. Assim, o homem surge neste planeta com a missão de dominar.
Mas como ele não pode dominar todas as coisas, surge a fé que vai permitir o preenchimento das lacunas que são criadas entre as diversas possibilidades de alcançar conhecimentos que ainda não estão ao seu alcance. Assim o homem sedento de domínio, parte para as grandes conquistas. Pela fé ele acredita que vai adquirir maior poder através da inteligência que permite a criação de estratégias e meios que acabam sendo formalizados por aqueles que ganham a confiança do grupo. É a partir daí que vão surgindo os diversos tipos, estruturas e normas sociais.
O homem olhava à sua volta e tomava conhecimento superficial da existência da natureza, até que num determinado momento ele começou a fazer certas perguntas a si mesmo. Uma das primeiras perguntas, com certeza, foi: como surgiram as coisas que o rodeavam? Posteriormente passou a questionar a sua própria origem. Como não havia respostas adequadas, a inteligência recorreu à fé e a organização de grupos para adorar e cultuar ao criador, surgindo daí a religião com a qual a inteligência passou a dirigir os destinos dos homens.
O cristianismo e o judaísmo, partindo destes princípios afirmam que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus com plenos poderes para ter domínio sobre a natureza. (Gn 1. 28). Só que o homem não se contentou em dominar apenas a natureza, passou a disputar domínio com o seu semelhante.
O primeiro ato decisivo sobre este desvio foi a disputa entre Caim e Abel, provocando o assassinato de Abel.
A inteligência concluiu que apenas o ato de adorar ao criador não foi capaz de harmonizar as relações entre os homens. Em consequência disto deu-se início a outra providência, normatizar leis de relacionamento surgindo assim os princípios éticos e morais, que juntos com as religiões foram sendo difundidos entre todas as raças humanas existentes no planeta. Tanto a religião, a ciência, a ética e a moral, no futuro, alcançarão seus objetivos ao passo que se colocarem a serviço do conhecimento, da inteligência e da fé.
A importância deste breve texto, talvez para alguns um pouco folclórico, é mostrar que tanto a Religião, a Ciência, a Ética e a Moral tiveram um mesmo princípio: a inteligência e um mesmo objetivo: harmonizar os relacionamentos dos homens entre si e com a natureza. Daí a importância da Ética dos Relacionamentos.

Denúncia ética:

Há uma tradição do senso comum que vê com maus olhos o procedimento de denunciar e que o acusa de ter a qualidade oposta à ética. A moral brasileira cotidiana, como qualquer outra, contém clichês, provérbios, máximas, que carregam significados e sentidos éticos duvidosos. Pelo conteúdo desses clichês ficamos sabendo que o brasileiro gosta de “levar vantagem em tudo”, pode “dar jeito em tudo”, que “todo mundo mete a mão: por que eu não?”, que “cada um por si, Deus por todos” etc. Na cumplicidade entre colegas de trabalho, concidadãos, amigos, vizinhos, facilmente prospera uma noção equivocada de denúncia. Nela, o denunciante, chamado pejorativamente de “dedo-duro” ou “delator”, é considerado um traidor, um desleal aos seus iguais, é reduzido a um bajulador. O raciocínio dessa cumplicidade é o seguinte: a lealdade primeira é devida aos “iguais”, não importando qual seja a qualidade desses iguais, se são bons ou maus, se estão certos ou errados; a lealdade ao grupo, família, corporação, é afirmada como precedente (anterior) à lealdade à sociedade e à coletividade. Nessa moral cotidiana da cumplicidade, o irmão, amigo, vizinho, colega, é protegido e não ameaçado. Nessa moral corporativista, a denúncia é uma quebra da “harmonia” entre os iguais. O mote geral de “unidos venceremos” se aplica, aqui, a uma ideia vaga de que o inimigo é sempre o que está “fora”, é o “estranho”, e também o que está “mais acima”, o que tem mais força. Nessa moral, acredita-se que é preciso união para se ter a força dos “iguais”.
Uma das responsabilidades dos indivíduos numa empresa é a vigilância ética sobre os direitos e isso implica em não ser cúmplice de irregularidades, não ocultar transgressões, não se omitir diante de faltas éticas (corrupção, favorecimentos ilegítimos, violação de direitos, discriminações culturais etc.). Um modo concreto de se manifestar o não conformismo com essas transgressões e de se afirmar o compromisso positivo com o bem-comum é precisamente o ato de denunciar as transgressões. Essa denúncia é uma manifestação positiva de lealdade ao bem comum, é uma lealdade aos direitos, e tem sim elevado valor ético. Tais dispositivos justificam-se mais ainda quando são associados a garantias de que as denúncias serão investigadas adequadamente (por meio de procedimentos transparentes, idôneos e objetivos) e de que haverá consequências, ou seja, de que os responsáveis serão punidos com justiça. Ao mesmo tempo, infelizmente, prospera também uma prática de inimputabilidade do denunciante: supõe-se que, mesmo sem provas, se possa trazer a público uma denúncia contra alguém (como se o próprio “ato heroico” de denunciar compensasse a falta de provas). Uma denúncia sem provas é uma calúnia e caluniar dá ao acusado o direito de restabelecer publicamente sua honra e dignidade. Outra questão é a do anonimato das denúncias. A moral da vingança e represália contra denunciantes gera medo e leva muitos, frequentemente, a se esconderem no anonimato ao denunciar, seja por proteção justificada, seja por covardia. A boa consciência de cada pessoa deverá ser o juiz, nesses casos.

História das Ideias:

A história das ideias morais está estreitamente ligada a dos sistemas filosóficos, embora devamos admitir que umas e outros sejam independentes do desenvolvimento social, econômico e cultura geral, assim como da consciência religiosa. Na antiguidade, as éticas relacionadas com o platonismo, o estoicismo e o epicurismo são as mais conhecidas. Na Era Moderna, o sistema filosófico de Kant deu um grande lugar à ética do dever e da intencionalidade, enquanto vários filósofos ingleses e norte-americanos elaboraram éticas utilitaristas e pragmáticas. Mais recentemente o marxismo e o existencialismo introduziram uma concepção nova do homem com o consequente significado ético. Qualquer história da Filosofia permitirá traçar as linhas principais desse desenvolvimento. Em forma muito amena e acessível o faz o livro de Will Durant: La história de La Filosofia (Santiago do Chile, Letras Imp – 1937). Quem desejar aprofundar-se mais na história das ideias e da Ética pode orientar-se a partir das seguintes obras: Lês grandes líneas de La filosofia moral de Jacques Leclercq (Madrid, Gregos); La ética moderna, de Teodor Litt (Madrid, Revista de Ocidente, 1932); La consciência moral, de H. Zbinden e outros (Madrid, Revistas do Ocidente, l961); a Internet oferece muito material de boa qualidade sobre o assunto.
A ética católica romana mais importante dos últimos anos é a de Bernhard Haring, La Ley de Cisto (Barcelona, Herder, 1958). Recentemente se discutiu muito a chamada ética situacional, que insiste em decisões éticas particulares, vinculadas às circunstâncias imediatas. Neste sentido a obra clássica é o livro de John Fletcher, Ética de situación (Barcelona, Ediciones Ariel, 1970).
Nos últimos anos, o Brasil através de seminários, simpósios e congressos tem produzido um bom material sobre a ética. Algumas destas obras encontram-se arroladas em nossa Bibliografia.
Através de nossa proposta de “Novos Paradigmas da Ética”, esperamos estar apresentando uma nova visão sobre o assunto, ou seja: Uma visão globalizante partindo do princípio de diversos relacionamentos: “a Ética dos Relacionamentos”.

Sobre a espiritualidade:

“Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.

No que se refere aos ministérios desenvolvidos a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.


Carisma:

Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.

Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.

Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.

Caráter:

O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.

Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.

Caridade:

Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.

Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com os que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.” (Texto de Josué Adam Lazier – Bispo da Igreja Metodista).

Com isso encerramos a segunda fase de nossas reflexões. Convidamos aos nossos leitores para a terceira e última fase desta série com os seguintes temas:

21- Surge a Ética.
22- Os primeiros conceitos de Ética.
23- A Ética dos Relacionamentos.
24- A Ética da Solidariedade.
25- O Futuro da Ética.
26- Humanismo e Espiritualismo.
27- A Teologia da Graça.
28- O Futuro da Religião.
29- Revisão.
30- Conclusão Geral.
Nota: Voltaremos com os novos textos a partir de 23 de março de 2010. (P/AViS-23/02/2010).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

07- Batalha Espiritual - Os Adoradores.

Os Adoradores:
Costumamos confundir adoração com louvação. Deus deseja verdadeiros adoradores e louvadores. O louvor só agrada a Deus quando é consequência de nossa adoração ou então, quando ele nos conduz à adoração.
Para ficar mais claro vamos recorrer ao dicionário e verificarmos o verdadeiro sentido de cada uma destas palavras.

• Adorar (lat adorare) vtd – (1) Reverenciar, venerar; (2) Amar extremamente, idolatrar. (3) Gostar muito de... (4) Prestar culto a..., cultuar.

• Louvar (lat laudare) vtd – (1) Dirigir louvores a....; elogiar, enaltecer, gabar. (2) Aprovar, confirmar com elogios um ato praticado por outrem (3) Elogiar-se, gabar-se, jactar-se, vangloriar-se. (4) Bendizer, enaltecer, exaltar, glorificar. (Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Michaelis 2000)

Deus não necessita de nossos louvores, mas Ele se agrada deles quando manifestados de forma sincera e com reverência. É bom destacar que Deus não precisa de nada, nem do próprio homem, mas conta conosco para executar o seu plano salvífico{50} neste planeta e possivelmente no Universo. Os anjos gostariam de cumprir essa missão, no entanto, Ele confiou a nós essa tarefa no sentido de nos honrar e permitir que possamos retomar nossa forma original de Sua semelhança.
É preciso muita responsabilidade ao ministrarmos o louvor. Estamos assistindo a um fenômeno mundial de comercialização e vulgarização do louvor. Isso com certeza, fornecerá uma arma muito poderosa para satanás usar na batalha espiritual que ele e seus anjos travam em todas as regiões.
Depois dessa breve abordagem sobre o louvor, passaremos a considerar o tema proposto: “Os adoradores”.
É a adoração, o principal instrumento de proteção e ataque que possuímos contra as ciladas do tentador. Por isto satanás requeria de Jesus um gesto de adoração, pois ele sabia que a partir daí a sua vitória seria certa. (Mt 4. 9). Dificilmente satanás conseguirá induzir alguém a negociar ou comercializar a adoração como tem conseguido com o louvor. (Estas considerações sobre cautela referente ao louvor não devem ser entendidas como censura aos que produzem e comercializam esses materiais, é apenas uma advertência com relação aos riscos de um louvor sem compromisso com a palavra de Deus.)
A Bíblia é muito rica em apelos para que sejamos verdadeiros adoradores. Daí vem a pergunta: o que é um verdadeiro adorador? Classificar um verdadeiro adorador, como classificar o que é um verdadeiro cristão não é tarefa fácil. (Recomendamos a leitura do nosso texto “Sinais da Unção” para entender melhor este assunto.)
Adorar, assim como orar não podem ser visto como um simples ministério. Adorar e orar é próprio de todo verdadeiro cristão, são como o ar, a água, o alimento, sem os quais não podemos viver. Desde o início, o homem prestou cultos, isto é adorou, uns os seus próprios deuses, representados muitas vezes por elementos da natureza, pelos heróis da comunidade, pelos antepassados, pelas ideologias, por princípios filosóficos e até à ideia da negação da existência de um Deus verdadeiro. Esses são apenas alguns deuses que tem inspirado os homens à adoração.
Só o homem é capaz de adorar. O Criador criou na sua alma (psiquê) essa necessidade. Nem o mais ateu dos homens está livre desta atitude.O mais sério é quando o homem se convence de ter eliminado da sua mente toda a possibilidade de alguma crença e se torna adorador de si mesmo, o que, na maioria dos casos, gera os maiores transtornos com consequências psicossomáticas e de relacionamentos em geral, imprevisíveis e de alto risco para si mesmo e para as pessoas que o rodeiam.(Confira: “Narcisismo”).
É possível dizer que o cristão é melhor do que os não cristãos? Isso tentaremos responder no próximo item.
Jesus olhando para o futuro, respondeu para a mulher samaritana que, quando não houver mais sentido a existência do templo, os verdadeiros adoradores continuarão adorando a Deus e, aí, numa adoração mais sublime; em espírito e em verdade. (Jo 4. 23).
Parece que aí Jesus classifica bem o verdadeiro adorador; é aquele que adora em espírito e verdade. A adoração transcende o corpo e a alma, apesar de inclui-los e parte do espírito que como já vimos, é a região mais importante para nos colocar em comunhão perfeita com Deus. Sempre me preocupou o fato de muitos adoradores viverem desunidos e até mesmo em competição dentro dos próprios grupos de adoração. O que dizer então das separações denominacionais?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

19- Em Defesa da Ciência.

Introdução:

A História da ciência é a área do conhecimento que investiga o evoluir do pensamento científico e da sua interação com as sociedades humanas. Frequentemente os leigos utilizam o termo com um significado muito amplo. Tal disciplina está estreitamente ligada com a Sociologia da ciência e a Filosofia da ciência.
“A Ciência torna-se nobre, quando pesquisa em busca do conhecimento do Criador, empobrece-se e torna-se ridícula, quando faz o contrário, isto é, pesquisa sem levar em conta que todo o existente foi e está sendo criado e que nada pode existir sem uma origem e a regência de um criador.” (P/AViS- Primavera de 2009).
O pensamento científico surgiu na Grécia Antiga aproximadamente no século VI a.C. com os pensadores pré-socráticos que foram chamados de Filósofos da Natureza e também Pré-cientistas. Foi um período onde a sociedade ocidental, saiu de uma forma de pensamento baseada em mitos e dogmas, para entrar no pensamento científico baseado no Ceticismo. Muitos livros apresentam este ou aquele pensador pré-socrático como pai do pensamento científico, mas isso não é verdade, pois todos esses pensadores contribuíram de uma forma ou de outra para a formação do pensamento científico.
O pensamento dogmático coloca as idéias como sendo superiores ao que se observa. O Pensamento Cético coloca o que é observado como sendo superior às idéias. Um dogma é uma idéia e por mais que se observem fatos que destruam o dogma, uma pessoa com pensamento dogmático irá preservar o seu dogma. Para a ciência uma teoria é uma idéia, mas se observarmos fatos que comprovem a falsidade da idéia, o cientista tem a obrigação de destruir ou modificar a teoria.
Foi na época de Sócrates e seus contemporâneos, que o pensamento científico se consolidou, principalmente com o surgimento do conceito de prova científica, ou repetição do fato observado na natureza. Quando esse processo de modificação no pensamento Grego terminou, aproximadamente noventa por cento dos Gregos havia se tornado ateu. Sócrates foi condenado à morte e teve de tomar cicuta, pois foi julgado culpado de estar desvirtuando a juventude. Os gregos acabaram por destruir sua própria religião.
Tanto as religiões como a ciência tentam descrever a natureza e dar uma explicação para a origem do universo. A diferença está na forma de pensar de um cientista. O cientista não aceita descrever o natural com o sobrenatural. Para o cientista é necessário provas observadas e o que se observa sempre destrói as idéias. Para um cientista a ciência é uma só, pois a natureza é apenas uma. Sendo assim, as idéias da Física devem complementar as idéias da química, da paleontologia, geografia e assim por diante. Embora a ciência seja dividida em áreas, para facilitar o estudo, ela ainda continua sendo apenas uma.
A Boa Intenção:

O ser humano está sempre cheio de boas intenções. Muitas são as correntes e as organizações que pretendem transformar o mundo e sempre para melhor.
Eis alguns poderes que militam em busca de soluções para o mundo:


a) A Religião (pela espiritualidade)
b) A Filosofia (pela educação)
c) A Ciência (pelo conhecimento)
d) A Política (Pela a administração dos bens comuns do estado)
e) A Diplomacia (Pelo entendimento dos direitos e deveres)
f) O Militarismo (Pelo uso da força)
g) As artes (pela criatividade em busca do belo e da perfeição, através do lúdico e do cênico)
h) As Associações em Geral (pela recreação, pesquisas e meios de auto-aperfeiçoamento)
i) A Imprensa Livre e Responsável (através da informação) e muitas outras.

A Religião, a Filosofia e a Ciência trabalham a mente e dela procedem os demais poderes militantes.
Apesar das boas intenções a história tem mostrado que todos que chegam ao poder acabam se corrompendo e assim não promovem o bem que desejam. Foi pensando assim que o apóstolo Paulo declarou:

“Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis: não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, promovem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.”
(Rm 3. 10.18).

Durante a Idade Média, os cristãos dominavam as escolas da época, e por isso seus pensadores foram chamados de Filósofos Escolásticos. Esses pensadores criaram uma visão dogmática de ciência que ainda hoje é encontrada em livros e enciclopédias da atualidade, e não admitiam o uso da matemática como forma de análise científica. Somente aceitavam o uso da dialética e a lógica aristotélica como forma de análise científica, que devia ser apresentada através de teses. Esta prática ainda é observada em algumas universidades da atualidade. O pensamento de Agostinho tentava unir a fé e a razão, sendo o primeiro filósofo cristão, o que fez surgir um pensamento equivalente ao pensamento que havia antes dos pré-socráticos. O resultado disso é que quase nada de científico foi produzido durante a Idade Média.
Na Renascença, os pensadores retomaram o pensamento científico dos pré-socráticos. Galileu Galilei se atreve a usar a matemática como forma de análise científica, o que resultou na sua perseguição pelos Escolásticos. Descartes ao ver o que havia ocorrido com Galileu, reduziu suas críticas aos escolásticos, mesmo assim usando a matemática para a análise científica. Após a retomada do pensamento científico pré-socrático voltamos a evoluir cientificamente.
Esta é uma longa história que vale a pena conhecer. A partir daí a ciência alcançou sua maturidade e pode contribuir de forma definitiva para a evolução do pensamento humano. Desenvolveram-se então várias tendências filosóficas destacando-se uma plêiade de cientistas, cujos nomes não podem ser esquecidos.

Alguns Cientistas e filósofos que marcaram a história:

Isaac Newton (1642 – 1727)
Suas descobertas durante o século XVII guiaram os estudos da física pelos 200 anos seguintes; • Por trás de fenômenos aparentemente banais, construiu a base de teorias revolucionárias; • Nasceu em 25 de Dezembro de 1642, em Woolsthorpe, na Inglaterra; • Em 1661, com 18 anos, ingressa na universidade de Cambridge, estudou matemática e filosofia; • Em 1668, depois de idealizar as leis de reflexão e refração de luz, construiu o primeiro telescópio reflexivo; • Em 1669, assume o cargo de professor de matemática na universidade de Cambridge; • Em 1672, é convidado para a Real Sociedade Britânica; • Em 1687, publica "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural", o famoso “Principia”, em que descreve as leis da gravidade e dos movimentos; • Em 1696, é nomeado Guardião da Casa da Moeda; • Em 1705, ele recebe um título de nobreza da rainha Anne e passa a se chamar Sir Isaac Newton; • Em 1727, ele morre, no dia 20 de março e é enterrado na abadia londrina de Westminster, na Inglaterra.

Galileu Galilei (1564 – 1642)
Criticava Aristóteles dizendo que "A tradição e a autoridade dos antigos sábios não são fontes de conhecimento científico" e que a única maneira de compreender a natureza é experimentando; • Achava que fazer ciência é comprovar através da experiência; • Dizia que "o livro da natureza é escrito em caracteres matemáticos"; • foi acusado, pelas autoridades, de ser inimigo da fé. Foi julgado pelo tribunal do Santo Ofício, a Inquisição. Ele reconheceu diante dos inquisitores que estava "errado", para terminar suas pesquisas. Segundo a lenda, ele disse baixo: "Eppur si muove", ou, "mas ela se move", ou seja, que a Terra não é um ponto fixo no centro do universo. • A história de Galileu é um exemplo célebre de como a violação à liberdade de opinião das pessoas pode ser altamente prejudicial ao desenvolvimento das ciências.

René Descartes (1596 – 1650)
Demonstrou como a matemática poderia ser utilizada para descrever as formas e as medidas dos corpos; • Inventou a geometria analítica; • Sua obra mais famosa chama-se "discurso sobre o método" (1636). Nela, Descartes procura nos convencer que o raciocínio matemático deveria servir de modelo para o pensamento filosófico e para todas as ciências; • Uma das frases mais célebres da história do pensamento filosófico é: "Penso, logo existo." Ele acreditava que dessa verdade ninguém poderia duvidar. • O raciocínio matemático é baseado, principalmente, na lógica dedutiva, em que nós partimos de uma verdade para encontrarmos outras verdades, ou seja, que uma verdade é conseqüência da outra.

Francis Bacon (1561 a 1626)
Mostrou a importância da experimentação para a aquisição dos conhecimentos científicos;

Nicolau Copérnico (1473 a 1543):
Mostrou que o sol fica no centro do sistema, mas, achava que a órbita da Terra era uma circunferência perfeita, o que está errado, mas, o alemão Kepler (1571 a 1630) o corrigiu, mostrando que a distância da terra e do sol é variável, em forma de elipse.

Louis Pasteur (1822 a 1895)
Foi o primeiro cientista a provar que seres invisíveis a olho nu, os microorganismos, são os responsáveis por diversas doenças. Suas descobertas ajudaram a salvar vidas e abriram as portas para o avanço da microbiologia e da imunologia;

Francesco Redi (1626 a 1698):
Era um médico italiano e demonstrou que não existia a geração espontânea, uma idéia aristotélica. Ele fez uma experiência: Ele colocou carne em vários vidros. Deixou alguns abertos e cobriu outros com um tecido fino de algodão, que permitisse a entrada de ar. Este tecido era importante, pois para os defensores da geração espontânea, o ar era fundamental para que o fenômeno acontecesse. Se a teoria da geração espontânea fosse verdadeira, as larvas de moscas deveriam aparecer tanto nos vidros abertos quanto nos vidros cobertos com gaze, mas, após alguns dias, surgiram larvas só nos vidros abertos. Redi mostrou, então, que as larvas surgiam das moscas, e não por geração espontânea. As moscas podiam entrar nos vidros abertos e depositar seus ovos sobre a carne, mas não conseguiam entrar naqueles cobertos pelo tecido.
Pilares básicos do pensamento científico:
O pensamento científico tem mais de dois mil anos e alguns pontos formam os pilares básicos desse pensamento. Um cientista jamais pode contrariar estes princípios, já testados pela humanidade:
O principal objetivo da ciência é descrever a natureza. É por esse motivo que a matemática, lógica, direito e outras áreas, jamais foram classificadas como áreas científicas.
Basta que apenas um fato seja observado e a idéia teórica deve ser modificada ou destruída. É por isso que a Astrologia, não é classificada como ciência, pois vários fatos são observados que contrariam a Astrologia, e mesmo assim suas idéias continuam as mesmas, há mais de quatro mil anos.
Princípio do Uno, ou seja, a ciência é única, pois a natureza é uma só. É o caso da psicologia, que nunca foi considerada uma área científica, pois suas idéias não conseguem se unir a Física, Química e Biologia, além de estarem baseados em sofismas, sem a existência de equações matemáticas que provem as idéias.
Conceito de prova, ou repetição do fato observado. É outro motivo pelo qual a psicologia e astrologia, não são classificadas como ciência, já que os fatos observados por psicólogos e astrólogos, não conseguimos repetir.
Não usar o sobrenatural e metafísico para descrever a natureza. É o caso da teologia e várias áreas religiosas, que não são consideradas áreas científicas.

Elementos do método científico
"Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos." (Carl Sagan)
"...ciência consiste em agrupar fatos para que leis gerais ou conclusões possam ser tiradas deles." (Charles Darwin)
O método científico é composto dos seguintes elementos:
Caracterização - Quantificações, observações e medidas.
Hipóteses - Explicações hipotéticas das observações e medidas.
Previsões - Deduções lógicas das hipóteses.
Experimentos - Testes dos três elementos acima.
O método científico consiste dos seguintes aspectos:
Observação - Uma observação pode ser simples, isto é, feita a olho nu, ou pode exigir a utilização de instrumentos apropriados.
Descrição - O experimento precisa ser replicável (capaz de ser reproduzido).
Previsão - As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado, no presente e no futuro.
Controle - Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada. Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado.
Falseabilidade - toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo.
Explicação das Causas - Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:

Identificação das Causas.
Correlação dos eventos - As causas precisam se correlacionar com as observações.
Ordem dos eventos - As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados.
Conclusão:
“E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.” (At 7.22).
“O Menino Jesus em Nazaré. – Cumpridas todas as ordenanças segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria: e a graça de Deus estava sobre Ele.” (Lc 2. 39 e 40).
“O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento...” (Os 4.6a).
Quando estamos falando em comportamento científico precisamos fazer diferença entre ser cientista, pragmático e pragmatismo. Confundir estas três posturas pode gerar uma série de dificuldade para o Cristão que se interessa pelo aprofundamento científico. Devemos lembrar-nos da recomendação paulina: ”examinai tudo e apegai ao que é bom”. Esta decisão do que é bom e do que não é bom e principalmente do que é mal, para o cristão não depende apenas do conhecimento científico, mas também da Graça de Deus que se manifesta em “Espírito de Discernimento”. Por isso o cristão é alguém que além de buscar o conhecimento científico, precisa também buscar o conhecimento da vontade de Deus que se encontra disponível na sua palavra, bem como desenvolver uma espiritualidade saudável que promove o crescimento mental e emocional.
A importância do que “em pensar” é fundamental para uma vida comprometida com cristo onde valores como “o amor”, “a gratidão” e “o perdão” não podem ser renegados a planos inferiores ao “conhecimento”.
“O em que pensar. – Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8). – (P/AViS-09/02/2010).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

18- Em defesa da Filosofia. (II/II)

A Filosofia que chegou até nossos dias:

A partir da Filosofia surge a Ciência, pois o Homem reorganiza as inquietações que assolam o campo das idéias e utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria realidade. Assim a partir da inquietação, o homem através de instrumentos e procedimentos equaciona o campo das hipóteses e exercita a razão. São organizados os padrões de pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao conhecimento humano. Contudo o conhecimento científico por sua própria natureza torna-se suscetível às descobertas de novas ferramentas ou instrumentos que aprimoraram o campo da sua observação e manipulação, o que em última análise, implica tanto a ampliação quanto o questionamento de tais conhecimentos. Neste contexto a filosofia surge como "a mãe de todas as ciências".

Podemos resumir que a filosofia consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do mundo e das categorias com que pensamos: Mente (pensar), matéria (o que sensibiliza noções como quente ou frio sobre o realismo), razão (lógica), demonstração e verdade, religião (a relação com o sagrado).

Levando-se em conta a ordem cronológica e a evolução das idéias podemos dividir a história da “Filosofia Grega” em quatro períodos:

I. Período pré-socrático (séc. VII-V a.C.) - Problemas cosmológicos. Período Naturalista: pré-socrático, em que o interesse filosófico é voltado para o mundo da natureza;
II. Período socrático (séc. IV a.C.) - Problemas metafísicos. Período Sistemático ou Antropológico: o período mais importante da história do pensamento grego (Sócrates, Platão, Aristóteles), em que o interesse pela natureza é integrado com o interesse pelo espírito e são construídos os maiores sistemas filosóficos, culminando com Aristóteles;
III. Período pós-socrático (séc. IV a.C. - VI d.C.) - Problemas morais. Período Ético: em que o interesse filosófico é voltado para os problemas morais, decaindo, entretanto a metafísica;
IV. Período Religioso assim chamado pela importância dada à religião, para resolver o problema da (séc. VII – XVIII) vida, que a razão não resolve integralmente. O primeiro período é de formação, o segundo de apogeu, o terceiro de decadência.
V. Período da Pós-Modernidade (séc. XIX – XXI) - Vejamos o que a Professora Leda Dantas da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, nos fala sobre a “Filosofia da Pós-Modernidade”:
“A Modernidade nasce sob o signo da liberdade. O homem é livre porque não está mais à mercê do obscurantismo da religião, mas é capaz de entendimento. A filosofia e a ciência, e não mais os mitos, definiam o verdadeiro. O homem livre era aquele que conhecia a verdade racionalmente concebida e por ela definia o seu destino.

O homem faz a sua história - essa é uma idéia tipicamente moderna. Aliás, a
modernidade pode ser considerada a ‘época da história’. A idéia agostiniana de uma história linear, que resultaria no juízo final e na realização do bem divino, é secularizada. Em Kant, Hegel e Marx a história segue um curso linear e pressupõe um nexo essencial com a emancipação humana. Mas, talvez em nenhum outro teórico da modernidade essa ideia (de que os homens fazem sua história e neste processo eles próprios se fazem) tenha sido mais enfaticamente defendida do que em Marx. Se em Kant havia uma providência e em Hegel um sujeito absoluto, em Marx, a história é obra essencialmente humana. Não haveria absolutamente nada para além dos homens, para além da história.

Marx tinha um grande projeto de emancipação para a humanidade. O marxismo, no entanto, tem sido alvo de muitas críticas que põem em dúvida tanto os seus pressupostos como as tentativas no século XX de levar este projeto a termo. O marxismo tem sido acusado de intolerância com as diferenças e, mais grave que isso, de totalitarismo. Tudo em nome de uma certa concepção de história que garantiria, ao final, a emancipação (salvação) da humanidade. Popper, Heidegger e Foucault são alguns dos seus mais veementes opositores. Quais seriam, então, os fundamentos da história marxista, que seus opositores acusam de já conter em germe as sementes do totalitarismo e da intolerância com as diferenças?”
Filosofia Cristã:
Pode ser considerado como “Filosofia cristã” o conjunto de ideias filosóficas iniciadas pelos seguidores de Jesus Cristo do século II até aos dias de hoje. A tríade, Razão, Ciência e Fé é o principal combustível que mantém acesa esta chama.

Assim a discussão filosófica cristã surge com o intuito de distinguir “ciência” e “fé”, partindo dos princípios que a “razão” pode entender e aceitar, sem afastar-se das verdades da revelação cristã. Vários pensadores acreditavam que havia uma relação harmoniosa entre a ciência e a fé, outros afirmavam que havia contradição e outros tentavam diferençá-las. Esta mesma discussão era promovida no campo da filosofia e da fé. Diversos filósofos relacionavam o pensamento grego com o pensamento cristão.

A “Filosofia” costuma unir-se às vezes com a ciência para chegar a certas conclusões, enquanto que, outras vezes, os sistemas filosóficos especulativos e suas conclusões são opostos à ciência e suas descobertas. Assim ela se torna um instrumento de trabalho precioso que serve para levar os homens a repensar suas conclusões. Para o filósofo não pode haver paixão por uma verdade afirmada tanto pela ciência como pela religião. Daí a grande dificuldade do religioso conviver declaradamente com a filosofia, pois ele na sua função profética é sempre um apaixonado pela verdade que defende. Contudo ele se vê obrigado a filosofar para convencer o noviço de sua verdade. Acaba acontecendo um processo educativo progressivo que faz com que o religioso (teólogo) acabe encontrando o caminho da conciliação entre a filosofia, a ciência e a sua fé. A filosofia é, portanto, o caminho natural para que o homem possa alcançar o conhecimento e alimentar uma fé que sabe provar a sua razão.

A filosofia cristã não foi algo instituído em um momento histórico. Ela surge por volta do século dois do cristianismo, reportando-se ao sexto século antes de Cristo a partir do pensamento de Sócrates, Platão e Aristóteles. Em sua época, esses homens tentaram resolver os problemas da realidade e do conhecimento, assim como outros conceitos básicos, sem beneficiar-se do que conhecemos hoje em dia como revelação divina. Quando, porém, surgiu o cristianismo no mundo, este não aceitou o raciocínio humano especulativo como tal (Ver Colossenses 2.8), apelando para a autoridade da revelação divina como supremo recurso para responder aos problemas fundamentais do ser humano (confere ainda Romanos 10.17: 2 João 9.11 e Mateus 7.21-27). Contudo com o passar do tempo os pensadores cristão reconheceram em Paulo um filósofo e concordaram que a discussão filosófica permitiria a interpretação e o progresso da revelação divina que segundo o próprio Cristo não se encerrava com Ele (Confere João 14.26). Iniciou-se então um novo período onde a filosofia, agora adaptada à mensagem evangélica encontra o seu espaço no Cristianismo, dando início ao que entendemos como “Filosofia Cristã”.

Há estudiosos que questionam a existência de uma filosofia cristã propriamente dita. Esses afirmam que não há originalidade no pensamento cristão e seus conceitos e ideias são herdadas da filosofia grega. Sendo assim, a filosofia cristã seria simples depositária do pensamento filosófico, que já estaria definitivamente elaborado pela filosofia grega, e defensora da fé. No entanto, Boehner e Gilson afirmam que a filosofia cristã não é simples repetição da filosofia antiga, embora que devam à ciência grega os conhecimentos elaborados por Platão, Aristóteles e os Neo-platônicos. Chegam a afirmar que na filosofia cristã a cultura grega sobrevive em forma orgânica. Os mestres gregos se tornam assim os pedagogos dos pensadores cristãos.

Para alguns autores a Filosofia Cristã pode ser assim dividida:

"I. A filosofia medieval, em gestação: a Patrística (séc. II-VII).
II. A filosofia medieval, no período da constituição e de maior riqueza conceitual: a Escolástica (séc. IX-XIII).
III. A filosofia medieval em processo de mutação e superação: os Pré-modernos (séc. XIV-XV).
IV. A filosofia Cristã na Reforma e Contra Reforma. (séc. XVI-XVIII).
V. A Filosofia Cristã na Pós-Modernidade. (séc. XIX-XXI).

Conclusão:

“A fé cristã implica na aceitação básica de uma revelação divina, cuja validade – se for segura – deve poder resistir a todos os desafios da investigação erudita.” (J. D. Thomas – Razão, Ciência e Fé – Vida Cristã – 1984- pag. 18).

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós,” (1 Pedro 3.15).

“Mas do que nunca urge uma proposta em forma de resposta apologética por parte da Igreja. Uma que utilize de ferramentais teóricos e eficazes de séculos passados, mas que não se restrinja àqueles. Uma resposta sob os parâmetros da pós-modernidade, mesmo que demonstre filosófica e teologicamente o quão absurdos são tais parâmetros, como referenciais. Uma resposta que se preocupe em não ser contraditória, como é a pós-modernidade; que não seja excessivamente filosófica, mas que resgate o valor de um empreendimento que se dedique a aliar nosso desejo e certeza de que a Bíblia é a Revelação de Deus e contém as respostas adequadas às dúvidas mais profundas e sinceras dos corações dos homens, com uma crítica bem feita àquelas que viraram marcas registradas do pensamento atual: a “certeza” de que ninguém tem certeza de nada, a defesa de um pluralismo relativista que talvez seja a única esperança de paz...” (Artur Eduardo da Silva Neto – Pastor e Professor de Apologética Cristã, Introdução à Filosofia e História da Filosofia).
Ao discutirmos verdades filosófica com alguém, deveríamos ter em conta as pressuposições particulares que a pessoa em questão sustenta em relação à fonte dos valores essenciais. Qualquer contraste de opiniões deveria estabelecer primeiro os pontos de acordo mútuos para que a discussão possa ser feita unicamente em relação aos pontos de desacordo, claramente definidos.

Segundo vimos acima todos aceitam “a priori” certo conhecimento ou pressuposições, assim como todos têm e se valem de um elemento de “fé”. Tanto por cortesia como por lógica, admite-se que todo ser humano tem o direito de formular suas próprias opiniões, seja o homem que tem fé no sobrenatural, ou aquele que acredita que suas conclusões são unicamente ditadas por fatos empíricos.

O cristianismo surge como religião fundamentada em fatos históricos que envolvem Jesus de Nazaré e um pequeno grupo de galileus. Coube a estes o anúncio do aparecimento do Messias esperado pelos profetas do antigo testamento.

A filosofia procura interpretar racionalmente os fenômenos do mundo. Como religião, houve necessidade do cristianismo defrontar-se com a filosofia helênica por causa da posição religiosa dos gregos. As especulações gregas são questionadas tanto como fundamento da verdade absoluta dada pela revelação e a cura pela fé e pela graça.

Apesar de todas as polêmicas devemos concluir que a filosofia é, sem dúvida, um instrumento muito eficaz para o aprofundamento da fé, que se dá pelo conhecimento que vem pela educação que segundo Licurgo: “não se constitui em mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam à semelhança de bela e perfumada flor”. (P/AViS- 05/01/2010).

Observação: Estaremos em recesso a partir desta data. Voltaremos a postar textos nesta página a partir de 09/02/2010.