terça-feira, 27 de outubro de 2009

10- A Revisão

Nos textos anteriores deixamos algumas expressões e abordagens em suspense, isto é, sem o devido aprofundamento ou explicitude. Vamos a seguir pinçar algumas destas questões para explicitá-las melhor.
a) Falamos na ideia de uma ética mundial.
O que você pensa disto. Será possível alguém ou algum grupo específico ser reconhecido como capaz de ditar normas para todas as nações. Desde antiguidade muitos homens, tribos e nações tentaram isso sem sucesso. Será que com a globalização se tornará possível?

b) Falando sobre a morte de Deus, deixamos muitas questões em aberto.
Será que Deus precisa morrer para renascer nos corações? A humanidade mataria novamente Jesus Cristo, se ele voltasse anunciando o Reino de seu Pai (Reino de Deus)? Não seria conveniente para a consciência de uma espiritualidade mais coerente que Deus morresse e a humanidade desse início a uma nova reflexão sobre o seu Criador? Mas como Deus morreria, se para nós ele realmente não existe, sendo apenas uma confissão de fé feita pelos fiéis. Para a inteligência humana uma coisa só pode existir se tiver princípio, isto é, que tenha nascido ou sido criado. Deus não tem princípio e nem fim; este conceito inviabiliza a sua existência à luz da razão humana. Como convencer os homens da inerrância dos livros sagrados, quando eles apenas afirmam a existência de Deus sem nenhuma argumentação lógica para provar esta afirmação? São questões que incitam o pensamento dos homens mais cultos. Parece que estas questões precisam ser analisadas e respondidas pelos teólogos para que a religião possa sobreviver. Nesse caso a morte de Deus ganharia sentido e os religiosos estariam livres para rever seus dogmas e suas afirmações de fé. Parece que Jesus vislumbrou a necessidade desse tempo ao afirmar: “Quando, porém vier o Filho do Homem, porventura achará fé na terra?” (Lucas 18.8b).

c) Existem diversos argumentos para provar a existência de Deus. Aqui vamos dar um destaque especial sobre o argumento ontológico.
Em teologia e em filosofia da religião, um argumento ontológico para a existência de Deus é um argumento de que a existência de Deus pode ser provada a priori, isto é, bastando apenas a intuição e a razão, não sendo necessária, portanto, prova material, ou seja, a posteriori, porque sua comprovação material é a própria Criação.
Os seres, ou criaturas, são entendidos a posteriori como efeitos particulares, sensíveis e inteligíveis, de causas, que são efeitos de outras causas, e assim sucessivamente, até uma causa primeira, criadora, de todo o Ser.
Como coisa alguma pode ser causa de si mesma, um princípio criador fora do Ser tem de existir negativamente em relação a ele. Assim, o Ser (em grego, ontos), teologicamente entendido como a Criação, passa a ser, com Anselmo (Santo Anselmo ou Anselmo de Cantuária – filósofo medieval – criador da escolástica – 1033/1034 – 1109 – de origem normanda), a prova da existência de Deus, porque Deus é a causa do Ser.

d) Falamos muito em ideias e ideologias.
A história das ideias morais está estreitamente ligada a dos sistemas filosóficos, embora devamos admitir que umas e outros sejam independentes do desenvolvimento social, econômico e cultura geral, assim como da consciência religiosa. Na antiguidade, as éticas relacionadas com o platonismo, o estoicismo e o epicurismo são as mais conhecidas. Na Era Moderna, o sistema filosófico de Kant deu um grande destaque à ética do dever e da intencionalidade, enquanto vários filósofos ingleses e norte-americanos elaboraram éticas utilitaristas e pragmáticas. Mais recentemente o marxismo e o existencialismo introduziram uma concepção nova do homem com o consequente significado ético. Qualquer história da Filosofia permitirá traçar as linhas principais desse desenvolvimento. Em forma muito amena e acessível o faz o livro de Will Durant: La história de La Filosofia (Santiago do Chile, Letras Imp – 1937). Quem desejar aprofundar-se mais na história da Ética pode orientar-se a partir das seguintes obras: Lês grandes líneas de La filosofia moral de Jacques Leclercq (Madrid, Gregos); La ética moderna, de Teodor Litt (Madrid, Revista de Ocidente, 1932); La consciência moral, de H. Zbinden e outros (Madrid, Revistas do Ocidente, l961); a Internet oferece muito material de boa qualidade sobre o assunto.
A ética católica romana mais importante dos últimos anos é a de Bernhard Haring, La Ley de Cisto (Barcelona, Herder, 1958). Recentemente se discutiu muito a chamada ética situacional, que insiste em decisões éticas particulares, vinculadas às circunstâncias imediatas. Neste sentido a obra clássica é o livro de John Fletcher, Ética de situación (Barcelona, Ediciones Ariel, 1970).
Nos últimos anos, o Brasil através de seminários, simpósios e congressos tem produzido um bom material sobre a ética.

e) A questão do supra homem ou do novo homem.
Para alguns o termo pode ser novo, mas na realidade a Igreja do Novo Testamento já usava o termo, se referindo ao novo convertido. São Paulo já escrevia aos éfesos: “E vos revistais do novo homem, que segundo Deus é criado em verdadeira justiça e santidade”. (Efésios 4. 24). Os batizados, rituais de iniciações e outras solenidades de admissão, pretendem renovar o homem, entendendo-se que daquele momento em diante ele será um novo homem ou uma nova mulher.
A ideia de “novo homem” veio a ser tema de apaixonante atualidade em nosso continente. É sabido que Karl Marx (Karl Heinrich Marx, nascido em Tréveris em 5 de maio de 1818, faleceu em Londres em 14 de março de 1883 – fundador da doutrina comunista) havia falado de um “homem total” em contraposição ao “homem truncado” produzido pelas condições de existência de nosso sistema sócio-econômico. Este aspecto humanista do pensamento marxista tem sido muito influente em alguns movimentos latino-americanos. Guevara se referia frequentemente à criação de um “homem novo” na revolução cubana, chegando a afirmar: “a formação do homem novo” e o “desenvolvimento da técnica” são os dois principais pilares do programa revolucionário. O tema é frequentemente tratado também no Chile nos últimos anos. Por certo, uma simples coincidência verbal não basta para estabelecer uma relação. Mas nos obriga, pelo menos, a estudar o assunto com seriedade. Como primeira tentativa de fazê-lo, leia-se a obra do autor católico J. Gonzalez Ruiz, Marxismo Y cristianismo frente AL hombre nuevo (Madrid, Guadarrama, 1962). Também os livros do Jesuíta Ignácio Lepp (publicado por Editorial Lohlé) se referem ao assunto. Infelizmente não há em nosso idioma nenhuma obra adequada sobre o conceito de “novo homem” no Novo Testamento, como de início demonstramos que o termo já vem de lá.
(NB: Este texto foi trabalhado por nós na década de setenta, quando o seu enfoque era muito forte e atual. Hoje ele pode parecer fora de foco, mas fizemos questão de colocá-lo aqui por uma questão de informe cultural e histórico.)
Assim chegamos ao final da primeira parte de nossa proposta. Deixamos o nosso convite para a segunda parte, quando estaremos enfocando o homem como conseqüência de todo esse processo que acabamos de considerar. Vamos analisar a natureza do homem e sua adequação dentro das necessidades por ele criadas e as impostas em consequência dos diversos relacionamentos a que ele se viu obrigado em função de sua socialização.

Estaremos desenvolvendo mais dez textos, através dos quais refletiremos sobre os seguintes temas:

11- O homem não é obra do acaso.

12- O homem, por sua própria natureza e origem já é um vencedor;

13- Entender o homem como uma criação intencional de seu Criador.

14- O homem foi feito para ser solidário e não um mero competidor;

15- O lugar do sagrado na história do homem;

16- Religião, Filosofia e Ciência;

17- Em defesa da Religião;

18- Em defesa da Filosofia;

19- Em defesa da Ciência.

20- Revisão.

Fica aí o nosso desafio para os próximos encontros. Até lá. (P/AViS- 27/10/2009).

domingo, 11 de outubro de 2009

09- Ideologias, deuses e Deus. (II/II)

Introdução:
“Ideologia são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação.” (John B. Thompson -historiador americano radicado na Inglaterra).
“E disse Deus: frutificai-vos e multiplicai-vos, e enchei a terra, e sujeitai-a; e dominai sobre os peixes do mar, e sobre as aves dos céus, e sobre todo o animal que se move sobre a terra.” (Genesis 1.28).
Dominação é uma preocupação constante de todo ser vivo e principalmente do homem. Quando o autor mosaico fez os primeiros registros da Lei ele deu um destaque especial a este fato, afirmando que na realidade o homem, no sentido de humanidade foi feito para dominar. O autor não destaca o domínio sobre o próprio homem e nem sobre a terra como propriedade particular, apesar desta prática já estar consagrada na época dos registros.
Como já afirmamos anteriormente, o homem é um ser pensante e temos destacado a importância do poder e do fascínio desta capacidade. Este poder coadjuvado com o fascínio permitiu ao homem desenvolver outra habilidade fundamental para o seu desenvolvimento: a imaginação. Imaginando o homem se tornou capaz de criar formas e fantasias mentais que se tornavam realidades através da experimentação. Reunindo então, o pensamento, a imaginação e a experimentação o homem aprendeu a dominar não só a criação mas também as forças da natureza. Assim depois de alguns milhares de anos de experiência, chegamos ao Adão de Deus, o homem capaz de discernir entre o bem e o mal e desenvolver as qualidades que tradicionalmente chamamos de “Pecados Capitais” e “Virtudes”. Nestas condições o homem sai do patamar de “pensante” para o de “ideólogo”, isto é, com a capacidade de desenvolver ideias. Muitas tem sido as ideias desenvolvidas pelo homem, umas para o bem e outras para o mal. Para alguns pensadores as ideias têm sempre como meta o domínio.
Sobre a origem da vida:
A origem da vida é objeto de muita discussão entre os sábios desde a mais remota antiguidade e ninguém tem a resposta definitiva. A verdade é que sempre que se faz alguma pesquisa em qualquer parte do nosso planeta os pesquisadores encontram vestígio de vida e de inteligência. Possivelmente a ciência não terá esta resposta tão cedo. Enquanto isto os ideólogos vão elaborando as suas hipóteses como faziam os magos sumerianos antes que Babilônia olhasse para os céus com a ajuda de alguns instrumentos rudimentares. Não ache engraçado, eu acredito que em relação ao conhecimento da origem da vida ainda nos encontramos naquele estágio, apesar de toda a nossa engenharia genética. O que é incontestável é a milenar afirmação: “A vida só vem da vida”.
Toda a história que para nós não passa de mitologia começa quando o Criador, pela primeira vez filosofou, dizendo: façamos o homem... Neste momento o mundo invisível, imaginário ou espiritual já estava povoado e o Criador já tinha com quem falar: “façamos”...
É o pensamento do Criador elaborado e pronunciado que dá origem à vida dentro dos limites em que nos encontramos. Fazer o homem estava incluso todas as providências necessárias para a implantação e sobrevivência da vida em nosso planeta, possivelmente em muitos outros. Cada ser vivo recebeu um nível de inteligência e de habilidade para garantir sua sobrevivência. Cada um, dentro de sua espécie recebeu ordem para multiplicar e encher a terra. Encher e dominar a terra estão no inconsciente de todo ser vivo que o executa sem levar em conta qualquer conseqüência, inclusive a espécie humana. Contudo aos humanos foi dado o poder de romper seus limites e conquistar outras habilidades, tais como observar, pensar, experimentar e optar. Com estas e outras habilidades o homem vem se desenvolvendo e estendendo seu domínio em muitas direções.
Observando a natureza a partir de si mesmo o homem (usamos o termo homem no sentido de espécie, isto é o homem e a mulher) desenvolveu sua habilidade de pensar e imaginar, tornando-se a primeira espécie capaz de inventar instrumentos para o seu desenvolvimento e exercitar a inteligência. À semelhança do criador, começou a pronunciar sons, imitando os animais que já os pronunciava por determinação do criador, os rios, os ventos e outros fenômenos da natureza. Descobriu que era capaz de produzir uma infinidade de sons e daí a ligar estes sons com os objetos que o rodeava foi questão de poucos milhares de anos. Surgia assim a linguagem, a capacidade de se comunicar com palavras bastante elaboradas.
Foi um grande salto para a humanidade. Daí até ser capaz de traçar desenhos representando estas palavras e suas ideias foram mais alguns milhares de anos. Finalmente o homem é capaz de pensar, falar e escrever suas ideas. Este estágio foi alcançado em épocas e lugares diferentes, de tal forma que a cultura atual acolhe muitas informações, calendários e linguagens diferenciadas, dependendo das suas origens geográficas.. A nossa cultura de origem Greco-judaico-romano considera que tenhamos chegado a este nível de sete a dez mil anos atrás. Tudo isto é muito teórico e especulativo apesar de todas as pesquisas dos arqueólogos, paleontólogos e outros.
Rememorando a História:
Analisando à luz da antropologia e dando azas à imaginação, podemos dizer que um dia, depois de alguns milhões de anos o homem se viu no meio dos animais sem ter consciência de suas habilidades e até de si mesmo. Enquanto o Criador, o “ Deus Altíssimo” trabalhava o homem, trabalhava também a natureza para no futuro, trezentos milhões de anos depois, entregar ao homem o petróleo em condições de ser refinado e usado. (Esta é a grandiosidade infinita da sabedoria que conduz todo o universo e que foge à nossa compreensão).
Já temos notícias de fósseis da espécie humana com mais de quatro milhões de anos. Portanto, esta é uma longa história, da qual a humanidade tem muito poucas notícias. Mas, com certeza, em alguns bilhões de anos este planeta e todas as espécies de vida e de matéria orgânica passaram por muitas transformações. E mesmo sem entender o que passava o homem ia desenvolvendo a sua capacidade de pensar, imaginar e formular ideias. Paralelo a isto desenvolvia também a capacidade de produzir sons e dar início a codificação das primeiras palavras. Sua sobrevivência foi sempre garantida pela provisão de seu criador que através dos instintos naturais (sexuais principalmente) procurava multiplicar e encher a terra. Assim, apesar de todas as ações destrutivas da natureza que por outro lado buscava a transformação dos seus elementos para permitir a sobrevivência da vida, o homem sempre sobrevivia, muitas vezes mais pela sua inteligência rudimentar do que mesmo pela sua resistência física. Esta luta entre a força e a inteligência fazia com que o homem aprimorasse sua capacidade de criar, chegando ao nível de ser capaz de transformar matérias (pedras, ramos, e galhos mais resistentes) em instrumentos de trabalho. O Homem aprendeu a trabalhar e começou a se valorizar pelas suas habilidades, desenvolvendo assim sua capacidade de domínio, dando início a fixação de território assim como ainda hoje alguns animais sabem fazer. Foram os primeiros sinais de socialização, permitindo ao homem adquirir a noção do espírito de corpo, a partir da fidelidade de um casal e a união de suas crias. É possível que estivéssemos nesse estágio há sete mil anos atrás, quando deparamos com o Adão e Eva sendo tomados pelo Altíssimo para que se desse início ao período de “Revelação” no qual nos encontramos até os dias de hoje.
Tomando o conceito de Thompson:
Depois destes quase sete mil anos de evolução ideológica deparamos com Thompson, nosso contemporâneo, {Ideologia e Cultura Moderna – Petrópolis – Vozes – 2007} que depois de muitas reflexões, finalmente ofereceu a seguinte formulação crítica: "ideologia são as maneiras como o sentido serve para estabelecer e sustentar relações de dominação". Analisemos esta formulação proposta por Thompson e vejamos os seus significados:
o Sentido: diz respeito a fenômenos simbólicos, que mobilizam a cognição, como uma imagem, um texto, uma música, um filme, uma narrativa; ao contrário de fenômenos materiais, que mobilizam recursos físicos, como a violência, a agressão, a guerra;
o Serve para: querendo significar que fenômenos ideológicos são fenômenos simbólicos significativos desde que (somente enquanto) eles sirvam para estabelecer e sustentar relações de dominação;
o Estabelecer: querendo significar que o sentido pode criar ativamente e instituir relações de dominação;
o Sustentar: querendo significar que o sentido pode servir para manter e reproduzir relações de dominação por meio de um contínuo processo de produção e recepção de formas simbólicas;
o Dominação: fenômeno que ocorre quando relações estabelecidas de poder são sistematicamente assimétricas, isto é, quando grupos particulares de agentes possuem poder de uma maneira permanente, e em grau significativo, permanecendo inacessível a outros agentes.
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Vislumbres de Um Criador:
Apesar de todos os esforços dos pesquisadores e elaborações dos filósofos, teólogos e pensadores, o que temos de conhecimento sobre o Criador não passa de vislumbres que nos permite fazer algumas afirmações cautelosas a seu respeito. Vejamos este texto que faz parte do meu acervo, de um autor desconhecido:
“O elefante é o único animal cujas pernas dianteiras se dobram para frente. Por quê? Porque de outra forma seria difícil para esse animal levantar-se, por causa do seu peso.

Por que os cavalos, para se erguerem, usam as patas dianteiras, e as vacas, as traseiras? Quem orienta esses animais para que ajam dessa maneira? Deus. Esse mesmo Deus que coloca um punhado de argila no coração da terra, e, através da ação do fogo transforma-a em formosa ametista de alto valor. Esse mesmo Deus que coloca certa quantidade de carvão nas entranhas do solo, e, mediante a combinação de fogo e a pressão dos montes e das rochas, transforma esse carvão em resplandecente diamante, que vai fulgurar na coroa dos reis ou no diadema dos poderosos!

Por que o canário nasce aos 14 dias, a galinha aos 21, os patos e gansos aos 28, o ganso silvestre aos 35 e os papagaios e avestruzes aos 42 dias? Por que a diferença entre um período e outro é sempre de sete dias?

Porque o Criador sabe como deve regular a natureza e jamais comete engano. Ele determinou que as ondas do mar se quebrassem na praia à razão de 26 por minuto, tanto na calma com na tormenta. Aquele que nos criou pode também nos dirigir. Somente aquele que fez o cérebro e o coração pode guiá-los com êxito para um alvo útil.

A insondável sabedoria divina revela-se ainda nas coisas que poucos notam: A melancia tem número par de franjas. A laranja possui número par de gomos. A espiga de milho tem número par de fileiras de grãos. O cacho de bananas tem, na última fila, número par de bananas, e cada fila de bananas tem uma a menos que a anterior. Desse modo, se uma fileira tem número par, a seguinte terá número ímpar.

A ciência moderna descobriu que todos os grãos das espigas são em número par, e é admirável que Jesus, ao se referir aos grãos, tenha mencionado exatamente números pares: 30, 60, e 100. (1) Pela sua maravilhosa sabedoria e graça, é assim que o Senhor determina à vida que cumpra os propósitos e os planos dele. Somente a vida sob o cuidado divino está a salvo de contratempos.

Outro mistério que a ciência ainda não descobriu: Enormes árvores, pesando milhares de quilos, apoiadas em apenas poucos centímetros de raízes. Ninguém até agora conseguiu descobrir esse princípio de sustentação a fim de aplicá-lo em edifícios e pontes.

Mas há maravilha ainda maior. O Criador toma o oxigênio e o hidrogênio, ambos sem cheiro, sem sabor e sem cor, e os combina com o carvão, que é insolúvel, negro e sem gosto. O resultado porém, é o alvo e doce açúcar.” (Autor desconhecido).

Com isto concluímos a primeira parte de nossas reflexões: fase especulativa e de fundamentação. No próximo texto faremos uma revisão geral, para dar início a segunda fase, quando refletiremos sobre o que chamamos de período histórico da humanidade, analisando assim aspectos mais concretos da filosofia, o que nos permitirá a dar início a algumas abordagens das questões religiosas, éticas e sobre o exercício do poder (Liderança). Até lá, (P/AViS-13/10/2009).

terça-feira, 6 de outubro de 2009

08- Ideologias, deuses e Deus. (I/II)

Introdução:

Ao analisar os fundamentos da filosofia nos deparamos com duas tendências antagônicas, tanto na área da metafísica como na da epistemologia: o idealismo e o Realismo.

As questões referentes às ideologias, aos deuses e a Deus, conforme nossa proposta de reflexão se encontram no campo do idealismo. Antes de tudo devemos verificar alguns conceitos que os filósofos defendem a respeito do idealismo.

Primeiro:
O “idealismo” (o “ismo” da ideia) é aquele princípio filosófico que afirma que as realidades mentais são mais importantes que as realidades concretas ou físicas.

Segundo:
A mente é mais importante do que a matéria.

Terceiro:
Para o idealista extremo; as ideias, as abstrações mentais, os dogmas ou axiomas básicos superam as comprovações científicas, que são apenas instrumentos de comprovação daquilo que a mente percebe.

Quarto:
Qualquer realidade concreta, física ou científica só poderá adquirir realidade se houver uma mente capaz de percebê-las.

Quinto:
Só pode existir ou alcançar realidade no mundo físico aquilo que está contido em um pensamento: “Penso, logo existo”.

Verificados estes breves conceitos, vamos também conceituar de forma bem simples os termos propostos: Ideologias, deuses e Deus.

Ideologias
Usamos o termo “Ideologia” para indicar o sentido de "conjunto de ideias, pensamentos, doutrinas e visões de mundo de um indivíduo ou de um grupo, voltado para suas ações sociais e, principalmente, políticas".
Para Karl Marx, a ideologia pode ser considerada um instrumento de dominação que age através do convencimento (e não da força), de forma prescritiva, alienando a consciência humana e dando um novo sentido à realidade.
Os pensadores mais críticos consideram a ideologia como uma ideia, discurso ou ação que mascara um objeto, mostrando apenas sua aparência positiva e escondendo as qualidades consideradas negativas, superadas e que não atendem ao gosto das pessoas, dizendo ao grupo exatamente aquilo que ele deseja ouvir.
A origem do termo ocorreu com Destutt de Tracy, um militar e filósofo francês, que criou a palavra e lhe deu o primeiro de seus significados: ciência das ideias.
Posteriormente, esta palavra ganharia um sentido pejorativo quando Napoleão chamou De Tracy e seus seguidores de "ideólogos" no sentido de "deformadores da realidade”, uma vez que suas ideias não colaboravam com as pretensões napoleônicas.
No entanto, os pensadores da antiguidade clássica e da Idade Média já entendiam ideologia como o conjunto de ideias e opiniões de uma sociedade.
Deuses
O conceito de divindade assumiu, ao longo dos séculos, várias concepções, evoluindo desde as formas mais primitivas provenientes das tribos da antiguidade até as dogmáticas e definições das religiões.
Divindade é um ser sobrenatural, usualmente com poderes significantes, cultuado, tido como santo, divino ou sagrado, e/ou respeitado por seres humanos. Normalmente as divindades são superiores aos seres humanos e à natureza.
Divindades assumem uma variedade de formas, mas são frequentemente antropomorfas ou zoomorfas. Uma divindade pode ser masculina, feminina, hermafrodita ou neutra, mas é usualmente imortal.
Por vezes, as divindades são identificadas com elementos ou fenômenos da natureza, virtudes ou vícios humanos ou ainda atividades inerentes aos seres humanos.
Assume-se que uma divindade tenha personalidade e consciência, intelecto, desejos e emoções, num sentido bastante humano desses termos. Além disso, é usual que uma determinada divindade presida sobre aspectos do cotidiano do homem, como o nascimento, a morte, o tempo, o destino etc. À algumas divindades é atribuída a função de dar à humanidade leis civis e morais, assim como serem os juízes do valor e comportamento humano.
É também comum atribuir às divindades, ou a interações entre elas, a criação do universo e sua futura destruição.
No intuito de criar explicações para a existência dos elementos e dos seres da natureza, bem como para conhecer o sentido dos fenômenos naturais (a tempestade, o vento, o dia e a noite, as estações, etc.), os povos e tribos da antiguidade conceberam diversas divindades que, no mais das vezes, passaram a ter sentimentos e emoções idênticas às dos humanos.
Daí derivaram os rituais, cerimônias e sacrifícios, que tinham como objetivo agradecer as benesses enviadas por essas divindades ou aplacar sua ira, que castigava a humanidade com alguma calamidade.
Os arqueólogos conseguiram detectar sinais de uma cerimônia de enterro de mortos que deverá ter ocorrido há uns 300.000 anos. Trata-se de um sítio arqueológico em Atapuerca na Espanha, onde foram encontrados ossos de 32 indivíduos no buraco de uma caverna.
Deus
Enquanto muitos desenvolviam a ideia de muitas divindades (politeísmo) outros afirmavam a existência de apenas um Deus (monoteísmo). Possivelmente este fato tenha determinado a saída de Abrão da Babilônia em busca de Salém onde o Deus Altíssimo era adorado e tinha como seu Sumo Sacerdote Melquisedeque. (Gênesis 14.17-20). [Bíblia Sagrada traduzida da Vulgata e anotada pelo Pe. Matos Soares – Edições Paulinas – 1962].
Deus não somente é o Criador do mundo, mas Ele é também o Sustentador do mundo. Vamos, em princípio conceituar Deus sob a ótica cristã e judaica, tomando por base a Bíblia adotada pela Igreja Católica Romana.
Segundo a Bíblia, Ele sustenta o mundo de forma que Ele continua a existir. “Foste tu, Senhor, tu só que fizeste o céu, e o céu dos céus, e toda a sua milícia, a terra, e tudo o que há nela, os mares, e tudo o que neles se contém; e tu dás vida a todas estas coisas, e a milícia do céu te adora.” (Seg. Esdras “Neemias” 9:6).
Sem o poder preservador de Deus, o mundo inteiro cessaria de existir. O universo não pode permanecer por si mesmo. Ele foi criado por Deus e, portanto, necessita de Deus para a sua própria existência. Você não pode ser nada e não pode fazer nada sem o poder sustentador de Deus. Deus “dá a todos a vida, e a respiração, e todas as coisas... porque nele vivemos e nos movemos e existimos...” (Atos 17:24,28). Você não pode nem mesmo se mover sem o poder sustentador de Deus.
A grandeza de Deus é demonstrada não somente pela criação e sustentação do mundo, mas por Seu controle sobre o mundo. Deus é o Governador do mundo. “Fundaste a terra sobre as suas bases, e não vacilará pelos séculos dos séculos.” (Salmos 103:5). Deus é o único: “o qual mostrará a seu tempo o bem-aventurado e o único poderoso, o Rei dos reis, e o Senhor dos Senhores,” (1 Timóteo 6:15).
Ele não é um Deus fraco cuja vontade é frustrada pela criatura. Ele é o eterno Rei que domina sobre todas as coisas, incluindo você e eu. Ele controla tanto todas as coisas do mundo que Ele produz o que Ele eternamente planejou para o mundo e para tudo o que há nele. Ele “faz todas as coisas, segundo o conselho da sua vontade” (Efésios 1:11). Deus é o seu Governador e Rei.
Dessa forma, nenhuma criatura em todo o mundo é independente de Deus. Todos nós temos necessidade de Deus. Você deve sua própria vida ao Deus verdadeiro. Além do mais, Deus te criou para a Sua própria glória. A Bíblia diz: “Tu és digno, ó Senhor nosso Deus, de receber a glória, e a honra, e o poder, porque criaste todas as coisas, e pela tua vontade é que elas subsistem e foram criadas”. (Apocalipse 4:11).
Você não foi criado para o seu próprio prazer. Você não foi criado para que simplesmente exista. Você foi trazido à existência para o prazer e para a glória de Deus. Por isto você só encontrará prazer, paz e a verdadeira alegria junto a Ele, pois n’Ele está a vida e a luz dos homens.
Hoje ficaremos apenas na Introdução. No próximo texto estaremos desenvolvendo estes temas e aprofundando mais estas ideias. Até lá. (P/AViS-06/10/2009).

segunda-feira, 28 de setembro de 2009

07- Quem é Deus?

Encerramos o texto anterior afirmando que: “o homem, como ser pensante, tem na sua natureza a convicção sensata de que a existência da criação exige a existência de um criador.”

É uma questão epistemológica bastante complexa, pois a existência exige um princípio, ou seja, algo para existir dentro dos limites de nossa compreensão tem que ter um princípio determinado. O que não tem princípio não tem como existir. A Bíblia dos Cristãos e dos Judeus não se preocupou em explicar a origem de Deus. Ela diz que no princípio o homem conheceu a Deus, perdendo depois o contacto com Ele. Ao perder a comunicação com Deus, os homens do passado inventaram então deuses para atenderem uma necessidade intrínseca de suas vidas. Como ser pensante e pela inteligência prática o homem verificou e constatou que algumas coisas eram boas e outras eram más. A partir daí surgem principalmente a Zoroastria e o Maniqueísmo com base na existência do bem e do mal. Mais tarde com o fim dos tempos míticos surge a era dos filósofos. Aristóteles ficou famoso pelo seu argumento sobre uma Primeira Causa, que carecia de qualquer explicação quanto ao seu princípio. A partir daí muitas ideias foram surgindo até que chegamos aos tempos dos teólogos e a verdade é que até hoje a existência de Deus continua sendo objeto de fé.

Moisés queria saber o nome de Deus e recebeu uma resposta bastante desconcertante: “Eu sou o que sou”. Como Ele (Deus) não tinha um nome próprio passou a ser conhecido como o Deus Altíssimo, Deus dos Exércitos, o Deus de Abraão, o Deus de Jacó e mais tarde recebeu alguns títulos referentes a sua essência, poder ou ação. Mas estes nomes nunca foram capazes de definir com clareza a natureza de Deus. Ele continua sendo uma questão de Fé.

O evangelista João parece ter tentado ultrapassar esta barreira, dizendo que no princípio era o verbo, isto é uma palavra ou um som que deu origem a todas as coisas.

Anselmo de Canterbury, no século XI A.D., tornou-se famosos pelo seu “argumento ontológico” a favor da existência de Deus, no qual mantinha que se o homem pode acolher o conceito de um Deus perfeito, este ente deve então existir. Se Deus somente se encontrasse no pensamento humano, seria um ser imperfeito e, portanto, poderíamos pensar em algo superior ao próprio Deus. Assim sendo, seria uma contradição dizer que a perfeição não existe; portanto, o ateísmo era para Anselmo contraditório e se refutava a si mesmo. Este é provavelmente um dos argumentos filosóficos mais frágeis a favor de Deus, porém ainda se faz uso dele. Descartes o combinou com o argumento causal e insistiu que Deus deve existir para poder causar a idéia de um Deus perfeito em nossa mente. Para muitos, porém este argumento não convence de todo. São Tomaz de Aquino, no século XII, foi o mais famoso criador de argumentos filosóficos a favor da existência de Deus. Era discípulo de Aristóteles, e sua principal contribuição à teologia católica romana, da qual é agora considerado “doutor máximo”, foi uma mesclagem de filosofia aristotélica com teologia medieval. São Tomaz era algo presunçoso ao querer escrever sobre quase todos os temas conhecidos no seu tempo, porém não se pode deixar de reconhecer o seu valor ao produzir a “Suma Teológica”. Talvez a sua maior fraqueza lógica fosse a de crer que a fé podia realmente ser demonstrada pela razão; esta foi, no entanto, de certo modo, a sua idéia mais importante, já que este conceito é ainda acolhido por muitos teólogos e filósofos.

Antes de darmos continuidade em nossos argumentos vejamos o que alguns dos nossos comentaristas já afirmaram sobre os textos anteriores.

Bruno Henrique de Souza Mangueira – “mas até que ponto a fé pode ser mensurada sobre pressupostos científicos, visto ser a mesma um dom de Deus e não simplesmente a busca ao sobrenatural? Como podemos afirmar nossa fé através de pressupostos científicos?”.

Adir Eleotério de Almeida – “lembrou... Habacuque afirma que o justo viverá da fé.”

Recildo N. Oliveira – “está faltando Bíblia no sentido exato de que o conhecimento da verdade nos liberta dos niilismos, preconceitos e paradigmas...”

Estes comentários são preciosos, valorizam e enriquece o nosso trabalho. O meu muito obrigado aos comentaristas em geral. Com o tempo estaremos aproveitando outros comentários, sempre dentro do assunto do dia.

Pois bem, para o cristão é fácil entender o assunto, uma vez que ele toma a Bíblia como a palavra de Deus e ela é clara ao afirmar que sem fé é impossível agradar a Deus (Hebreus 11.6).

Buscando conhecimentos a respeito de Deus.
Quem não quer conhecer seu pai quando ainda não conhece? Os seres humanos sempre buscaram conhecer o seu verdadeiro criador, muitos falsos profetas e aproveitadores têm tido a oportunidade de enganá-los. Mas existem formas para você avaliar e encontrar o caminho do Conhecimento. Deus está sendo manifestado constantemente através da sua criação e por ações espirituais (João Wesley – Graça preveniente) que nos tocam as emoções e nos permite discernir a sua voz.

Um dos evangelistas faz uma afirmação muito interessante a respeito do verdadeiro Deus, isto é, o Deus que criou todas as coisas e por isso mesmo ama a sua obra, pois Ele vem dando luz a tudo isto que podemos ver e tocar. Ele está fazendo ainda hoje esta obra que no final será a sua honra e alegria, quando até a própria morte será vencida.

Veja o que disse o evangelista João: “No princípio era o verbo, o verbo estava com Deus e o verbo era Deus. Ele estava no princípio com Deus. Todas as coisas foram feitas por intermédio dele, e, sem ele, nada do que foi feito se fez. A vida estava nele e a vida era a luz dos homens...”

No dia primeiro de janeiro de l960, num momento muito especial fui alcançado pela graça de Deus ao ouvir a afirmação de que: “Deus é Amor”. Esta expressão falou-me profundamente e eu descobri quem era Deus para mim. Durante aquele ano falei muito com Ele e produzi este cântico que tenho guardado comigo e pela primeira vez divulgo fora dos limites da comunidade religiosa. Espero que ele possa te inspirar e despertar no seu coração uma fé transformadora, gerando paz interior e certeza de que o Deus que você está conhecendo é um Deus que age.

A Gênese.

“No princípio, criou Deus os céus e a terra. A terra, porém, estava sem forma e vazia: havia trevas sobre a face do abismo, e o Espírito de Deus pairava por sobre as águas. E disse Deus: haja luz; e houve luz. (Gn 1.1-3).

Primeiro Cântico.

O universo infinito era escuro e frio, assim como uma noite de inverno. Era a eternidade, uma noite sem princípio onde tudo poderia acontecer. Num tempo que não sabemos como medir um orvalho molhava a noite até que se ouviu o primeiro trovão. Era o poder que do nada se manifestava provocando o primeiro movimento do universo, definindo a primeira lei identificada por Pitágoras: “Tudo que se move produz um som”. Era o verbo e ele detinha em si todo poder, toda a magia necessária para gerar as galáxias, os planetas, os mares e eu também. Eu e você já estávamos lá. Era Deus! Como um engenheiro Ele foi ordenando todas as coisas e a cada palavra sua a vida tomava formas diferentes. Assim estão se formando os planetas, as estrelas e o espaço infinito está sendo decorado pelas mais lindas formas, cores e sons. Ainda hoje podemos ouvir os sons do infinito que já alguns aparelhos feitos por nós podem detectar e nós os denominamos de estática ou outros nomes que a ciência considera mais próprio. As águas correntes ou não, os mares, riachos, rios, lagos e cachoeiras dialogam com os ventos, com o frio, o calor e outros fenômenos que não entendemos e cada um tem o seu som, permitindo que nos seus leitos secretos a vida prolifere em formas variadas, gerando peixes, repteis, bactérias e vermes, cada um dentro da espécie que o autor da vida determina. Os minúsculos insetos nas matas, o desabrochar de uma flor, um cristal que se forma um pensamento novo que chega até nós, todos reproduzem o som do verbo original. Uma fera que urra, uma vaca que geme para parir seu bezerro, um grão que se decompõem para perpetuar a vida, todos levantam suas vozes imitando o primeiro gesto do criador. Uma criança que nasce e cresce e outra que não cresce, outra ainda que concebida e não nasceu, dentro do útero ou fora dele clama pelo amor do seu criador. Uma mãe que chora a perda de um filho, do seu marido ou apenas do seu amor, reproduz a angústia do filho de Deus que clamou em Getsêmane: “Se possível passe de mim este cálice, todavia não seja como eu quero, mas que seja feita a sua vontade”, e o pai gemeu de dor pois amava ao filho, no entanto amava mais ainda a humanidade que Ele criava e que agora precisava ser salva com o sangue do seu próprio filho. As alegrias de Maria, de Isabel, dos Anjos que anunciaram o nascimento de Jesus e dos apóstolos no pentecostes são os sons de júbilo do criador e de todos os seus exércitos de Anjos, Arcanjos e Espíritos que habitam o universo invisível. Estes são os sons, o verbo que está criando dois universos distintos, um visível aos nossos olhos naturais e outro visível apenas pelos olhos espirituais e que um dia se encontraram e revelaram a todos que já nasceram e haverão de nascer a verdade que liberta e torna visível toda a grandeza e toda gloria do Criador.

Segundo Cântico.

Ao contrário do que pensamos, paralelo a este mundo visível, outro mundo que foge dos nossos sentidos também se desenvolve em uma velocidade que não sabemos como medir. Ele não depende do tempo nem do espaço, por isso a nossa mente e tudo o que ela pode imaginar e criar é incapaz de mensurar e determinar-lhes forma, funcionamento ou qualquer tipo de limite, é o mundo espiritual, onde novas formas de vidas se desenvolvem. Nos primórdios, na noite escura, trovões e sons variados revelaram o verbo conforme afirma o evangelista. O verbo concebeu e deu à luz o primeiro pensamento que gerou a vontade. Pensamento e vontade reunidos geraram o conhecimento e o desejo de mais conhecimento. Nele nós; minerais, fogo, ar, água e animais estávamos presentes. Cada um segundo a sua própria natureza que vai se evoluindo buscando novas formas para glorificar e manifestar misteriosamente a essência do seu criador. Sócrates percebeu esta realidade e exclamou: “O conhecimento já existe, só precisamos pari-lo”. No conhecimento estava a tríade, o Pai o Filho e o Espírito que um dia às margens do Jordão se revelou. O Pai clamou do céu: este é o meu filho amado, em quem me comprazo. O filho se apresentou às margens do rio para cumprir a lei e dar início ao seu ministério. O Espírito permitiu que os céus fossem abertos e em forma de pomba desceu sobre Ele ungindo-o para pregar boas novas para a humanidade e dar início a uma nova era, a era da graça que já está chegando em nossos dias. Deus é conhecimento e como um arquiteto está criando um mundo novo a cada dia; Deus é maestro e rege o universo que em melodias insondáveis nos toca e faz com que cada um de nós seja uma alma vivente e depositário de um espírito que Ele mesmo concede para que possamos descobrir sua paternidade. Assim além de conhecimento infinito, arquiteto, maestro e muito mais do que possamos imaginar, Ele é AMOR. Como humanos somos como um grão microscópico da sua criação, mas Ele nos deu a graça de um pouco do seu conhecimento através do pensamento e da vontade o que permite o nosso compartilhar de sua obra nos tornando também criadores à sua imagem e semelhança. Sensíveis à sua vontade podemos nos tornar instrumentos da sua graça. Instrumento de amor capazes de transformar a vida e o mundo e trazer à luz as maravilhas que Ele detém em sua natureza. Isto fez com Descartes bradasse extasiado: “Penso, logo existo”. É assim que chegamos à existência e muitas vidas estão disponíveis para serem conquistadas por nós, pobres e frágeis humanos. Assim Deus não está na matéria, é o conhecimento, o pensamento, a vontade, as idéias e a graça reunidas em todo universo. Ele sabe e conhece tudo, sem nenhum limite de tempo ou espaço. O que será daqui a um bilhão de anos já é do seu conhecimento. Assim como Ele não é matéria, mas Espírito, Ele está constantemente entre e dentro de nós. Ele comanda o mundo espiritual onde milhares e milhares de seres espirituais estão a seu serviço por todo o universo. Dar nomes a este Deus é algo inefável que foge à minha inteligência, mas eu me aventuro em dizer que para mim: DEUS É AMOR.”

(P/AViS-Primavera de 1960). (Este texto faz parte do acervo do Projeto Amor: Cristo, Verdade que Liberta. – sua reprodução está autorizada em obras sem fins comerciais, com a citação do nome do autor).

No próximo texto estaremos tratando de: Ideologias, deuses e Deus.
(P/AViS-29/09/2009). – Até lá.

terça-feira, 22 de setembro de 2009

06- Quem é o Homem?

“O homem precisa de liberdade para se educar e precisa se educar para preservar a liberdade.” (P/AViS-06/06/1962).

Introdução.
O Homem é um Ser Pensante e Cognoscitivo. René Descartes (1596-1650), considerado o Pai da Filosofia Moderna, após escrever a sua célebre frase “eu penso, logo existo” (Discurso do Método, São Paulo – Abril-Cultural – Os Pensadores, 15 – l973, IV, p.54), conclui que ele, como homem, era “uma substância cuja essência ou natureza consiste apenas em pensar (...)” (Ibidem., p.55). Baixe Pascal (1623-1662), adversário da Filosofia de Descartes, também admitia o pensamento como algo essencial ao homem dizendo: “O homem não passa de um caniço, o mais fraco da natureza, mas é um caniço pensante (...). Toda a nossa dignidade consiste, pois, no pensamento (...). Trabalhemos, pois, para bem pensar: eis o princípio da moral.” (Pensamentos, op. Cit. VI. 347, PP. 127-128.). O homem, sem dúvida, foi feito para pensar e é a partir disto que ele se fez diferente dos outros animais.
A Força do Pensamento.
O pensamento possui um grande poder sobre o nosso comportamento depois de instalado. Ele é como um “vírus”, frágil antes de encontrar as condições favoráveis para o seu desenvolvimento, porém possui um poder surpreendente de propagação depois de fixado no organismo. Assim, o pensamento firmado em nossa mente é capaz de nos moldar e fazer de nós um santo ou um bandido usando o mesmo material, isto é, a mesma base moral de formação familiar e educacional pode com facilidade produzir duas pessoas adversas.
Jesus Cristo mostrou ao povo que os homens, por mais simples que sejam, sabem pensar e raciocinar, e isto era evidente na interpretação das condições climáticas. Todavia, Ele os recrimina por estarem usando desta capacidade para discernir o que era justo no que se referia ao próprio Cristo (Lc 12.54-57). Jesus dá a entender que, nesta questão, eles eram apenas conduzidos pelos seus interesses circunstanciais. “Não julgavam por si mesmos porque não estavam realmente interessados em verificar com quem estava a razão (...) Não utilizar a própria razão para verificar onde está a verdade acarreta ao homem o juízo de Deus.” (B. Ribeiro, Terra da Promessa, São Paulo, O Semeador, 1988, p. 54.)
A noção da existência de Deus gera no homem um senso de responsabilidade diante da vida e principalmente do próximo. O desenvolvimento do niilismo vem gerando uma mudança radical no comportamento humano.

O Poder da Fé.
Com todo o conhecimento que homem tem adquirido nestes últimos séculos, ele ainda não conseguiu se conhecer para resolver seus problemas. Ele explica o micro e macrocosmo, viaja pelo espaço, visita planetas, conhece as partículas microscópicas das moléculas, das bactérias e vírus, mas não consegue resolver os grandes problemas que afligem o seu relacionamento com os semelhantes e nem com a natureza. As guerras são cada vez mais cruentas, os rios e a atmosfera são poluídos, colocando em risco a possibilidade de sobrevivência do homem na terra, mas, contudo isto, ele continua na sua vaidade e no seu egoísmo, buscando o domínio sobre tudo e sobre todos a qualquer custo. A violência toma novas formas e a sociedade se torna refém da sua própria ganância e desejo de acumular riquezas em detrimentos de muitos que vivem excluídos e carentes até mesmo do mínimo para a sua sobrevivência. A corrupção campeia nos meios políticos e serviços públicos numa verdadeira geléia putrefata e nojenta que os homens de bem já não sabem mais como conviver. Por outro lado cresce a omissão daqueles que pela graça de Deus tem tendência para o bem. Alguns poucos homens tem coragem de se posicionar a favor da honestidade e da dignidade. Mas logo são marginalizados, perseguidos e até mortos. Este é um quadro bastante negro da sociedade atual, mas também bastante real.

Paulo destacou este conflito no homem dizendo o seguinte: “Porque o que faço não aprovo; pois o que quero fazer, isso não faço, mas o que me aborrece, isso faço.” (Rm 7. 15).
Para Aristóteles (384-322 AC), esta é a diferença entre o homem; uns só querem a verdade a seu favor e outros conseguem ver e perceber a verdade em cada momento diferente e em cada classe de coisas. Precisamos aprender a usar a nossa razão para avaliar o que aprendemos ou pensamos; a razão foi-nos dada por Deus para que a usemos de forma correta a fim de glorificá-lo através da compreensão e prática da verdade. A nossa fé, embora não possa ser totalmente reduzida à razão, precisa ter elementos de racionalidade; não é, também, simplesmente emotiva. A Igreja, ao proclamar o Evangelho, o faz a fim de que os homens ouçam e entendem o que está sendo pregado, e. desta forma, o homem seja convertido por obra do Espírito Santo.

Crer é também pensar e pensando adquirir conhecimento.

Com isto queremos dizer que o homem é um Ser pensante e que tem capacidade de adquirir conhecimento. Aristóteles (384-322 AC) percebeu isto, e disse: “Todos os homens têm, por natureza, desejo de conhecer.” (Metafísica l.1. In op. Cit. P. 211.) Esta é uma realidade que podemos constatar nas crianças, que fazem perguntas intermináveis que muitas vezes não conseguimos responder.

O pensamento niilista abraçado por muitos filósofos no século XIX, divulgado e praticado de muitas formas até aos nossos dias, se apresenta como uma contestação contra as mentiras convencionais da humanidade civilizada. Sua proposta é uma sinceridade absoluta e em nome desta sinceridade ele exige a renúncia de todas as superstições, preconceitos, hábitos e costumes que sua razão não possa explicar. Eles se negam a dobrar-se à qualquer tipo de autoridade a não ser daquela que ele entenda que seja a sua própria razão. Normalmente, eles não têm qualquer proposta de reconstrução social em mente, só sabem agir nos níveis de oposição. Se, conseguem chegar ao poder, perdem a visão de futuro e progresso, gerando mais corrupção e mais violência. Normalmente se ligam à ciência em busca de afirmação para as suas razões. Mas como não possuem a visão do subjetivo e da espiritualidade geram um clima de competição a qualquer custo e banalizam a vida, a paz e a segurança levando a sociedade a perder os valores da fé, da esperança, da solidariedade e em conseqüência a sociedade adoece e os índices de violência alcançam níveis de grande risco com a inversão de valores tais como a honestidade e o amor ao próximo afastando assim o homem de Deus, fazendo com que, realmente, Deus se torne apenas um cadáver a ser lembrado como relíquia histórica, peça de museu, um “Deus Morto”.

Conclusão.
Mas, felizmente Deus tem sobrevivido e onde mais estas ideias se desenvolveram gerando a repressão dos valores espirituais foi exatamente aí que Deus se revelou mais vivo entre o povo após a libertação desse jugo.

O pensador inglês, Thomas Hobbes (1588-1679), observou, em 1651, que os homens, por serem egoístas, estão sempre se destruindo, querem a pretexto de competição, de desconfiança, ou de glória. (Leviatã, São Paulo – Abril Cultural). Por isso, há uma guerra constante; que é de todos os homens contra todos os homens. A máxima: “se queres a paz, prepara-te para a guerra”, cada vez mais se torna real nas relações entre os homens e as nações.

O homem, pela sua própria natureza, busca a liberdade, mas se torna cada vez mais escravo de si mesmo e muitas vezes morrem de forma inglória se julgando mártir da luta pela liberdade.

O homem, como ser pensante, tem na sua natureza a convicção sensata de que a existência da criação exige a existência de um Criador.

No próximo texto estaremos tentando responder à pergunta: Quem é Deus?
P/AViS-22/09/2009.

terça-feira, 15 de setembro de 2009

05- Que Deus está morto?

Na verdade temos criado e matado muitos deuses nestes milhares de anos que vivemos neste planeta. A análise da tese nietzscheana é bastante complexa. Tendo em vista os nossos objetivos nesta série de considerações, não vai contribuir muito este aprofundamento. Contudo devemos entender que o deus morto de Nietzsche é uma realidade que merece atenção. Na sua obra “Assim Falou Zaratustra” ele revela toda a angústia de um homem ou da humanidade sem Deus. Nesta sociedade sem as restrições de um deus para ditar as normas do bem viver, poderia surgir o “Supra Homem”. No entanto isto não acontece, pois quando o homem sobe à montanha (símbolo da evolução mental), a sua carência de um deus faz com que ele venha a adorar um burro.

Mesmo sem uma análise detalhada vamos passar uma vista rápida nesta caminhada do homem imaginada por Nietzsche.

Para alguns autores a frase: “Deus está morto” tem sido sempre mal interpretada. Como poderia Deus, aquele que não tem princípio, isto é não nasceu, vir a morrer? Seria mais coerente afirmar que Deus não existe. Assim teríamos uma nova linha de discussão que nos levaria por outros rumos bem diferentes do que se pretende com esta reflexão.

Apesar do clamor de Nietzsche de que: “Deus está morto! Deus permanece morto!”, não há como entender que Deus morreu. Uma alusão a Jesus Cristo ou a sua morte na cruz, com certeza estaria fora do contexto, pois parece que na realidade ele não tinha nada contra Jesus. Ele e seus contemporâneos tinham muita resistência ao que diziam e viviam em nome de Jesus. A sociedade de seu tempo vivia numa efervescência filosófica e teológica que na realidade tem ainda repercutido até os nossos dias. Quando duas nações ou dois grupos usam o nome de Jesus ou mesmo de Deus para lhes garantir supremacia sobre o outro, então deparamos com uma deformação da Divindade, e o Deus ou o Jesus invocados não são verdadeiros. São deuses criados por homens para atender a angústia e a sua própria fragilidade. Isto nos reporta aos tempos míticos e nos faz lembrar dos deuses do Olimpo. Estes deuses sim nasciam nas mentes dos homens e podiam ser derrotados e até destruídos.

Em “Assim Falou Zaratustra” podemos encontrar ou entender o momento positivo da filosofia de Nietzsche, denominado por alguns autores como “filosofia do meio-dia”. A obra está dividida em quatro livros.

No primeiro livro Zaratustra anuncia a morte de Deus. Com a morte de Deus os homens se vêem livres dos dogmas e temores dos castigos eternos. Agora o homem é o dono do seu destino, cabe a ele através da ética e do desenvolvimento científico criar o “supra-homem”. Com isso ele sob a montanha e as verdades são reveladas, alcança um alto grau de aperfeiçoamento e fixa a doutrina excelente.

No segundo livro o homem desce a montanha porque a sua doutrina está sendo corrompida. Volta a buscar o entendimento primário da sua origem e buscar o sentido do amor que se perdeu ao passo que o conhecimento aumentou e suas emoções se corromperam desaparecendo a fé, a esperança e a caridade. Com isto perdeu-se o sentido da solidariedade. É hora de retornar às origens e entender valores perdidos como os do sofrimento, da alegria, da doação sem nenhuma recompensa. O supra-homem ataca os sacerdotes como envenenadores da vida os governadores como repressores, querem combater a ordem existente e impor o niilismo na esperança de destruir o existente, criar o vazio para impor uma nova ordem.

Estas ideias vão reforçar os movimentos revolucionários e o surgimento das ideologias que levarão a disputa entre o socialismo e o capitalismo, assuntos que veremos mais tarde.

No terceiro livro ele passa a tratar da doutrina do eterno retorno de todas as coisas. O tempo nessa concepção é um anel perfeito, isto é sem início e nem fim, é uma estrada que só pode ser conhecida no portal do instante. Deste portal segue uma estrada infinita para trás e para frente, sendo o instante o ponto onde as duas estradas se encontram. Assim todas as coisas já aconteceram e irão acontecer novamente numa repetição infinita. Este eterno retorno é o mais pesado dos pesos. E Zaratustra é, antes de tudo, “o mestre do eterno retorno”. Esta doutrina deverá conduzir à humanidade a forma mais extremada possível do niilismo, em busca da anarquia, ou seja, a sociedade dos anjos.

No quarto livro os homens superiores voltam à montanha em busca de Zaratustra. Todos os que perderam o sentido da vida voltaram à montanha a procura de um novo sentido, a grande esperança. Zaratustra os encontro e lhes oferece abrigo em sua caverna, junto a seus animais, a serpente e a águia que representam o conhecimento e o orgulho respectivamente. Os homens superiores não estão preparados para a nova ordem que buscam e se sentem tentados a buscar o que adorar em lugar do Deus Morto. Passam a adorar o jumento como encarnação da doutrina de Zaratustra. Conclui, reconhecendo que apesar de tantos esforços, indo e vindo através da Lei do Eterno Retorno, os homens superiores estão longe de serem aqueles almejados por Zaratustra.

Muito se tem falado sobre o pensamento de Nietzsche, mas a Morte de Deus, segundo a filosofia Nietzscheana pode nos levar a pensar sobre o absurdo da negação das conquistas feitas pelo homem através dos mais variados sistemas, incluindo a sua fé em um Criador. É evidente que precisamos periodicamente rever nossos valores e princípios, mas nunca abandonar valores que foram conquistados através de muito sacrifício, reflexões e trabalhos. Negar que o homem tem caminhado positivamente é falta de censo e nos leva sempre a retrocessos que nos obrigam a reiniciar.

O Supra-homem de Nietzsche depois de tantas conquistas volta aos tempos míticos, adorando um burro, mostrando assim que ele retornaria a origem de tudo, isto é ao
Adão para repetir todo o processo até o novo nascimento de Jesus Cristo. Mostra ainda que o homem por mais que se desenvolva precisa cultuar.

Isto nos coloca diante de duas questões que estaremos tratando nos próximos textos:
Primeiro – Quem é o Homem? Segundo – Quem é Deus?
Até lá!!! (P/AViS-15/09/2009).

terça-feira, 8 de setembro de 2009

04- Deus está morto.

“Deus está morto! Deus permanece morto! E quem o matou fomos nós! Como haveremos de nos consolar, nós os algozes dos algozes? O que o mundo possuiu, até agora, de mais sagrado e mais poderoso sucumbiu exangue aos golpes das nossas lâminas. Quem nos limpará desse sangue? Qual a água que nos lavará? Que solenidades de desagravo, que jogos sagrados haveremos de inventar? A grandiosidade deste até não será demasiada para nós? Não teremos de nos tornar nós próprios deuses, para parecermos apenas dignos dele? Nunca existiu até mais grandioso, e, quem quer que nasça depois de nós, passará a fazer parte, mercê deste até, de uma história superior a toda a história até hoje!”— (NIETZSCHE, Friedrich. A Gaia Ciência, § 125. 1844 - 1900)
“Por séculos, teólogos e filósofos têm se debatido com o problema do sofrimento humano. Alguns consideram o sofrimento consequência do pecado, explicação que não pode ser inteiramente rejeitada, pois a Bíblia nos diz: "Não vos enganeis: de Deus não se zomba; pois aquilo que o homem semear, isso também ceifará" (Gálatas 6.7). Outros crêem que o sofrimento pode vir como uma provação da fé. A Bíblia sugere que isso às vezes é verdade, como no caso de Jó. A Bíblia nos diz também que às vezes o sofrimento pode ser uma experiência de aprendizado, sendo Deus nosso mestre benevolente (Hebreus 5.8 e 12.7-11). Cheguei à conclusão, no entanto, de que muitas vezes não há uma razão aceitável para o sofrimento. Com muita frequência, o sofrimento simplesmente não faz sentido e não produz nenhum bem visível. Um bebê nasce seriamente deformado. Uma mãe morre de câncer de mama. Um avião cai, matando centenas de passageiros. Ainda assim, temos a promessa de que, em nossos momentos de sofrimento, quaisquer que sejam as nossas tribulações, por mais pesados que sejam nossos fardos, não importa qual seja a nossa angústia, nada pode nos separar do amor de Deus, que está em Cristo Jesus, nosso Senhor (Romanos 8.35-39). Com essa certeza, podemos encontrar consolação e coragem para seguir em frente com fé, sabendo que este mundo não é o nosso lar e confiando que um dia os mistérios da vida serão explicados.
Oração: Em tempos de frustração e desespero, ó Deus, que possamos sentir a Tua presença e encontrar força na Tua palavra. Em nome de Jesus. Amém.
Pensamento para o dia: Quando se acumulam os problemas, podemos confiar nos braços fortes de Deus. ”Ralph Lord Roy - Publicado em “No Cenáculo” – 27/08/2009 - (Connecticut, EUA).

“20 - Um cartão de visita: (do meu acervo – fragmentos).
Um senhor de 70 anos viajava de trem tendo ao seu lado um jovem universitário que lia o seu livro de ciências. O senhor, por sua vez, lia um livro de capa preta. Foi quando o jovem percebeu que se tratava da Bíblia e estava aberta no livro de Marcos. Sem muita cerimônia o jovem interrompeu a leitura do velho e perguntou:
- O senhor ainda acredita nesse livro cheio de fábulas e crendices?
- Sim, mas não é um livro de crendices. É a Palavra de Deus. Estou errado?
- Mas é claro que está! Creio que o senhor deveria estudar a História
Universal. Veria que a Revolução Francesa, ocorrida há mais de 100 anos, mostrou a miopia da religião. Somente pessoas sem cultura ainda crêem que Deus tenha criado o mundo em seis dias. O senhor deveria conhecer um pouco mais sobre o que os nossos cientistas pensam e dizem sobre tudo isso.
- É mesmo? E o que pensam e dizem os nossos cientistas sobre a Bíblia?
- Bem, respondeu o universitário, como vou descer na próxima estação, falta-me tempo agora, mas deixe o seu cartão que eu lhe enviarei o material pelo correio com a máxima urgência.
O velho, então, cuidadosamente abriu o bolso interno do paletó e deu o seu cartão ao universitário. Quando o jovem leu o que estava escrito, saiu cabisbaixo sentindo-se pior que uma ameba. No cartão estava escrito: “Professor Doutor Louis Pasteur - Diretor Geral do Instituto de Pesquisas Científicas da Universidade Nacional da França”.
"Um pouco de ciência nos afasta de Deus. Muito, nos aproxima"
( Louis Pasteur - 1822 - 1895).

Estamos diante de três figuras ilustres e que pensam de forma totalmente diferente a respeito de Deus.

NIETZSCHE
Nietzsche nasceu numa família luterana em 1844, sendo destinado a ser pastor como seu pai, que morreu jovem em 1849 aos 36 anos, junto com seu avô também pastor luterano. Entretanto, Nietzsche perde a fé durante sua adolescência e os seus estudos de filologia afastam-no da tentação teológica. "Deus está morto" (Gott ist tot, em alemão) é uma frase muito citada do filósofo alemão Friedrich Nietzsche (1844-1900). Aparece pela primeira vez em A gaia ciência, na seção 108 (Novas lutas), na seção 125 (O louco) e uma terceira vez na secção 343 (Sentido da nossa alegria). Uma outra instância da frase, e a principal responsável pela sua popularidade, aparece na principal obra de Nietzsche, Assim falava Zaratustra.

Louis Pasteur
Louis Pasteur foi um cientista francês que fez descobertas que tiveram uma grande importância tanto na área de química quanto na de medicina. Foi ele quem criou a técnica conhecida hoje como pasteurização. Louis Pasteur nasceu em Dole no dia 27 de dezembro de 1822. Seu pai foi sargento da armada napoleônica.

Ralph Lord Roy
Ativista americano, ministro metodista. Tem liderado movimentos a favor da liberdade e da paz. Em 1962, Roy levou uma peregrinação de oração diante de Albany, Geórgia salão da cidade. Ele e mais 70 leigos e clérigos foram presos por sua participação na manifestação. Roy continuou sua militância ao longo dos anos e em 10 de dezembro de 2002, foi preso na Missão E.U. à ONU durante um protesto contra a invasão vinda do Iraque.

Diante destes textos não podemos deixar de perguntar: que Deus está morto?

Muitos têm afirmado que Deus nunca esteve tão vivo como nos nossos dias. Deus está vivo ou os deuses estão vivos. O que ou quem é o Deus deste século?

No próximo texto vamos tentar entender, que Deus, Nietzsche afirma que está morto. Até lá! (P/AViS-08/09/2009-3ª feira).