terça-feira, 23 de fevereiro de 2010

20- A Revisão.

Introdução:

“Uma Experiência Marcante, Desafiadora e Cheia de Possibilidades.

Não existe na vida de qualquer pessoa, homem ou mulher, experiência mais marcante, desafiadora e tão repleta de possibilidades de que receber, por fé, a Jesus Cristo como Salvador e Senhor para , então segui-lo de perto. Muitos, por não compreenderem a dimensão e o significado disso, confundem essa realidade como uma mera opção religiosa, reduzindo-a a uma mera filosofia de vida.

Crer em Jesus Cristo e tê-lo como Salvador e Senhor é, na verdade, um divisor de águas na história da existência humana, ao ponto de dividi-la entre o antes e depois. Por isso pode-se dizer que essa é a experiência mais marcante da vida. Possivelmente outras experiências dividem nossa história de vida entre o antes e o depois, contudo, nada se compara ao encontro que se tem com Jesus Cristo, pois antes de conhecê-lo a pessoa está morta em seus delitos e pecados, fazendo sua própria vontade, mas depois é ressuscitado da morte para a vida com Cristo, para uma vida de obediência e contentamento verdadeiros.

É uma experiência desafiadora, pois vivenciá-la requer renúncia, negar a nós mesmos, tomar a cruz e morrer. João Wesley diz que isso “não é coisa de importância secundária: não é apenas um acessório, como o são alguns elementos da religião; mas é absoluta, indispensavelmente necessário, quer para que nos tornemos discípulos de Cristo, quer para que nos conservemos nesta condição. É absolutamente necessário pela própria natureza do caso, para que o acompanhemos e o sigamos; tanto mais que, se não procedermos assim, não seremos seus discípulos”.

É uma experiência cheia de possibilidades, pois quando se conhece a Jesus Cristo, com Ele e Nele vencemos o pecado, o mundo e suas propostas mentirosas. Em Jesus temos a nossa dignidade restaurada como pessoas criadas por Deus. A outra possibilidade é a de servirmos a Deus e ao nosso próximo em amor verdadeiro, abnegado e com o coração de servos(as). Assim, esvaziados de nós, caminhamos com o “mesmo sentimento que houve em Cristo”. Na verdade essas possibilidades são realidades que se experimenta, de fato, pois quem está em Cristo “é nova criatura”, tem novo coração, nova mente e novos valores.

Que Deus nos ajude a vivenciarmos a nossa experiência cristã com verdade, alegria, sendo aperfeiçoados diariamente como filhos e filhas Dele. Que o Espírito Santo nos encha de poder para que o nosso testemunho pessoal e como igreja seja impactante e atraia muitas vidas para Jesus Cristo.” (Pastor Metodista: Osman Ferraz).



Sobre a Ética:

Ela conseguiria conciliar as diversas expressões religiosas e ideológicas, criando possibilidades para o surgimento de uma moral onde todos viveriam em solidariedade e respeito mútuo, permanecendo cada um fiel ao seu pequeno tanque? (Ref. Ao nº 2 desta série).

Somos de opinião que viver dentro da sociedade atual é ao mesmo tempo desconcertante e desafiador. É desconcertante porque o ontem foi muito diferente de hoje e o amanhã é sempre uma incógnita. É desafiador em consequência desta incerteza que nos convida a rever nossas ideias e opiniões diariamente.

“Aceitar a existência de um Criador é um ato racional. Aceitar quem é o Criador é um ato de fé.” (Adauto Lourenço – cientista cristão).

A filosofia vê o homem como um ser pensante que precisa ser formatado.
A ciência vê o homem como um ser físico (biológico) e mental que carece de conhecimento e experimentação. A religião vê o homem como um ser composto de corpo (físico-biológico), alma (mente-psiquê) e espírito (divino) – uma visão holística.


Não se sabe com certeza quando o conhecimento e a inteligência chegaram ao nosso planeta. O que se pode afirmar é que sem estes dois agentes nada do que existe poderia vir à existência.
Quanto à fé, aqui entendida como crença em algo que está fora do alcance do conhecimento, é fácil entender que ela veio a posteriore. Quando se fala de fé, pensamos logo em religião e esta com certeza veio muito depois.
Feitas estas colocações iniciais, já podemos perguntar: onde fica o homem em função disto? Com certeza o homem foi uma solução que o conhecimento e a inteligência encontraram para tomarem forma concreta e se manifestarem neste planeta. Não há acordo entre filósofos, teólogos e cientistas a esse respeito. Esse desacordo deve ser visto como uma estratégia do conhecimento para manter viva e atuante a inteligência. Esta por sua vez governa a vida que jamais poderia existir sem as duas. O homem torna-se, desta forma, refém das duas. A inteligência exige que o homem adquira cada vez mais conhecimento, pois ele é o seu encantamento. O conhecimento encanta o homem, dando a ele consciência de sua própria existência e do seu valor. Mais conhecimento e o homem se considera mais importante, mais poderoso e capaz de dominar. Assim, o homem surge neste planeta com a missão de dominar.
Mas como ele não pode dominar todas as coisas, surge a fé que vai permitir o preenchimento das lacunas que são criadas entre as diversas possibilidades de alcançar conhecimentos que ainda não estão ao seu alcance. Assim o homem sedento de domínio, parte para as grandes conquistas. Pela fé ele acredita que vai adquirir maior poder através da inteligência que permite a criação de estratégias e meios que acabam sendo formalizados por aqueles que ganham a confiança do grupo. É a partir daí que vão surgindo os diversos tipos, estruturas e normas sociais.
O homem olhava à sua volta e tomava conhecimento superficial da existência da natureza, até que num determinado momento ele começou a fazer certas perguntas a si mesmo. Uma das primeiras perguntas, com certeza, foi: como surgiram as coisas que o rodeavam? Posteriormente passou a questionar a sua própria origem. Como não havia respostas adequadas, a inteligência recorreu à fé e a organização de grupos para adorar e cultuar ao criador, surgindo daí a religião com a qual a inteligência passou a dirigir os destinos dos homens.
O cristianismo e o judaísmo, partindo destes princípios afirmam que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus com plenos poderes para ter domínio sobre a natureza. (Gn 1. 28). Só que o homem não se contentou em dominar apenas a natureza, passou a disputar domínio com o seu semelhante.
O primeiro ato decisivo sobre este desvio foi a disputa entre Caim e Abel, provocando o assassinato de Abel.
A inteligência concluiu que apenas o ato de adorar ao criador não foi capaz de harmonizar as relações entre os homens. Em consequência disto deu-se início a outra providência, normatizar leis de relacionamento surgindo assim os princípios éticos e morais, que juntos com as religiões foram sendo difundidos entre todas as raças humanas existentes no planeta. Tanto a religião, a ciência, a ética e a moral, no futuro, alcançarão seus objetivos ao passo que se colocarem a serviço do conhecimento, da inteligência e da fé.
A importância deste breve texto, talvez para alguns um pouco folclórico, é mostrar que tanto a Religião, a Ciência, a Ética e a Moral tiveram um mesmo princípio: a inteligência e um mesmo objetivo: harmonizar os relacionamentos dos homens entre si e com a natureza. Daí a importância da Ética dos Relacionamentos.

Denúncia ética:

Há uma tradição do senso comum que vê com maus olhos o procedimento de denunciar e que o acusa de ter a qualidade oposta à ética. A moral brasileira cotidiana, como qualquer outra, contém clichês, provérbios, máximas, que carregam significados e sentidos éticos duvidosos. Pelo conteúdo desses clichês ficamos sabendo que o brasileiro gosta de “levar vantagem em tudo”, pode “dar jeito em tudo”, que “todo mundo mete a mão: por que eu não?”, que “cada um por si, Deus por todos” etc. Na cumplicidade entre colegas de trabalho, concidadãos, amigos, vizinhos, facilmente prospera uma noção equivocada de denúncia. Nela, o denunciante, chamado pejorativamente de “dedo-duro” ou “delator”, é considerado um traidor, um desleal aos seus iguais, é reduzido a um bajulador. O raciocínio dessa cumplicidade é o seguinte: a lealdade primeira é devida aos “iguais”, não importando qual seja a qualidade desses iguais, se são bons ou maus, se estão certos ou errados; a lealdade ao grupo, família, corporação, é afirmada como precedente (anterior) à lealdade à sociedade e à coletividade. Nessa moral cotidiana da cumplicidade, o irmão, amigo, vizinho, colega, é protegido e não ameaçado. Nessa moral corporativista, a denúncia é uma quebra da “harmonia” entre os iguais. O mote geral de “unidos venceremos” se aplica, aqui, a uma ideia vaga de que o inimigo é sempre o que está “fora”, é o “estranho”, e também o que está “mais acima”, o que tem mais força. Nessa moral, acredita-se que é preciso união para se ter a força dos “iguais”.
Uma das responsabilidades dos indivíduos numa empresa é a vigilância ética sobre os direitos e isso implica em não ser cúmplice de irregularidades, não ocultar transgressões, não se omitir diante de faltas éticas (corrupção, favorecimentos ilegítimos, violação de direitos, discriminações culturais etc.). Um modo concreto de se manifestar o não conformismo com essas transgressões e de se afirmar o compromisso positivo com o bem-comum é precisamente o ato de denunciar as transgressões. Essa denúncia é uma manifestação positiva de lealdade ao bem comum, é uma lealdade aos direitos, e tem sim elevado valor ético. Tais dispositivos justificam-se mais ainda quando são associados a garantias de que as denúncias serão investigadas adequadamente (por meio de procedimentos transparentes, idôneos e objetivos) e de que haverá consequências, ou seja, de que os responsáveis serão punidos com justiça. Ao mesmo tempo, infelizmente, prospera também uma prática de inimputabilidade do denunciante: supõe-se que, mesmo sem provas, se possa trazer a público uma denúncia contra alguém (como se o próprio “ato heroico” de denunciar compensasse a falta de provas). Uma denúncia sem provas é uma calúnia e caluniar dá ao acusado o direito de restabelecer publicamente sua honra e dignidade. Outra questão é a do anonimato das denúncias. A moral da vingança e represália contra denunciantes gera medo e leva muitos, frequentemente, a se esconderem no anonimato ao denunciar, seja por proteção justificada, seja por covardia. A boa consciência de cada pessoa deverá ser o juiz, nesses casos.

História das Ideias:

A história das ideias morais está estreitamente ligada a dos sistemas filosóficos, embora devamos admitir que umas e outros sejam independentes do desenvolvimento social, econômico e cultura geral, assim como da consciência religiosa. Na antiguidade, as éticas relacionadas com o platonismo, o estoicismo e o epicurismo são as mais conhecidas. Na Era Moderna, o sistema filosófico de Kant deu um grande lugar à ética do dever e da intencionalidade, enquanto vários filósofos ingleses e norte-americanos elaboraram éticas utilitaristas e pragmáticas. Mais recentemente o marxismo e o existencialismo introduziram uma concepção nova do homem com o consequente significado ético. Qualquer história da Filosofia permitirá traçar as linhas principais desse desenvolvimento. Em forma muito amena e acessível o faz o livro de Will Durant: La história de La Filosofia (Santiago do Chile, Letras Imp – 1937). Quem desejar aprofundar-se mais na história das ideias e da Ética pode orientar-se a partir das seguintes obras: Lês grandes líneas de La filosofia moral de Jacques Leclercq (Madrid, Gregos); La ética moderna, de Teodor Litt (Madrid, Revista de Ocidente, 1932); La consciência moral, de H. Zbinden e outros (Madrid, Revistas do Ocidente, l961); a Internet oferece muito material de boa qualidade sobre o assunto.
A ética católica romana mais importante dos últimos anos é a de Bernhard Haring, La Ley de Cisto (Barcelona, Herder, 1958). Recentemente se discutiu muito a chamada ética situacional, que insiste em decisões éticas particulares, vinculadas às circunstâncias imediatas. Neste sentido a obra clássica é o livro de John Fletcher, Ética de situación (Barcelona, Ediciones Ariel, 1970).
Nos últimos anos, o Brasil através de seminários, simpósios e congressos tem produzido um bom material sobre a ética. Algumas destas obras encontram-se arroladas em nossa Bibliografia.
Através de nossa proposta de “Novos Paradigmas da Ética”, esperamos estar apresentando uma nova visão sobre o assunto, ou seja: Uma visão globalizante partindo do princípio de diversos relacionamentos: “a Ética dos Relacionamentos”.

Sobre a espiritualidade:

“Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.

No que se refere aos ministérios desenvolvidos a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.


Carisma:

Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.

Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.

Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.

Caráter:

O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.

Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.

Caridade:

Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.

Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com os que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.” (Texto de Josué Adam Lazier – Bispo da Igreja Metodista).

Com isso encerramos a segunda fase de nossas reflexões. Convidamos aos nossos leitores para a terceira e última fase desta série com os seguintes temas:

21- Surge a Ética.
22- Os primeiros conceitos de Ética.
23- A Ética dos Relacionamentos.
24- A Ética da Solidariedade.
25- O Futuro da Ética.
26- Humanismo e Espiritualismo.
27- A Teologia da Graça.
28- O Futuro da Religião.
29- Revisão.
30- Conclusão Geral.
Nota: Voltaremos com os novos textos a partir de 23 de março de 2010. (P/AViS-23/02/2010).

20- A Revisão.

Introdução:

“Uma Experiência Marcante, Desafiadora e Cheia de Possibilidades.

Não existe na vida de qualquer pessoa, homem ou mulher, experiência mais marcante, desafiadora e tão repleta de possibilidades de que receber, por fé, a Jesus Cristo como Salvador e Senhor para , então segui-lo de perto. Muitos, por não compreenderem a dimensão e o significado disso, confundem essa realidade como uma mera opção religiosa, reduzindo-a a uma mera filosofia de vida.

Crer em Jesus Cristo e tê-lo como Salvador e Senhor é, na verdade, um divisor de águas na história da existência humana, ao ponto de dividi-la entre o antes e depois. Por isso pode-se dizer que essa é a experiência mais marcante da vida. Possivelmente outras experiências dividem nossa história de vida entre o antes e o depois, contudo, nada se compara ao encontro que se tem com Jesus Cristo, pois antes de conhecê-lo a pessoa está morta em seus delitos e pecados, fazendo sua própria vontade, mas depois é ressuscitado da morte para a vida com Cristo, para uma vida de obediência e contentamento verdadeiros.

É uma experiência desafiadora, pois vivenciá-la requer renúncia, negar a nós mesmos, tomar a cruz e morrer. João Wesley diz que isso “não é coisa de importância secundária: não é apenas um acessório, como o são alguns elementos da religião; mas é absoluta, indispensavelmente necessário, quer para que nos tornemos discípulos de Cristo, quer para que nos conservemos nesta condição. É absolutamente necessário pela própria natureza do caso, para que o acompanhemos e o sigamos; tanto mais que, se não procedermos assim, não seremos seus discípulos”.

É uma experiência cheia de possibilidades, pois quando se conhece a Jesus Cristo, com Ele e Nele vencemos o pecado, o mundo e suas propostas mentirosas. Em Jesus temos a nossa dignidade restaurada como pessoas criadas por Deus. A outra possibilidade é a de servirmos a Deus e ao nosso próximo em amor verdadeiro, abnegado e com o coração de servos(as). Assim, esvaziados de nós, caminhamos com o “mesmo sentimento que houve em Cristo”. Na verdade essas possibilidades são realidades que se experimenta, de fato, pois quem está em Cristo “é nova criatura”, tem novo coração, nova mente e novos valores.

Que Deus nos ajude a vivenciarmos a nossa experiência cristã com verdade, alegria, sendo aperfeiçoados diariamente como filhos e filhas Dele. Que o Espírito Santo nos encha de poder para que o nosso testemunho pessoal e como igreja seja impactante e atraia muitas vidas para Jesus Cristo.” (Pastor Metodista: Osman Ferraz).



Sobre a Ética:

Ela conseguiria conciliar as diversas expressões religiosas e ideológicas, criando possibilidades para o surgimento de uma moral onde todos viveriam em solidariedade e respeito mútuo, permanecendo cada um fiel ao seu pequeno tanque? (Ref. Ao nº 2 desta série).

Somos de opinião que viver dentro da sociedade atual é ao mesmo tempo desconcertante e desafiador. É desconcertante porque o ontem foi muito diferente de hoje e o amanhã é sempre uma incógnita. É desafiador em consequência desta incerteza que nos convida a rever nossas ideias e opiniões diariamente.

“Aceitar a existência de um Criador é um ato racional. Aceitar quem é o Criador é um ato de fé.” (Adauto Lourenço – cientista cristão).

A filosofia vê o homem como um ser pensante que precisa ser formatado.
A ciência vê o homem como um ser físico (biológico) e mental que carece de conhecimento e experimentação. A religião vê o homem como um ser composto de corpo (físico-biológico), alma (mente-psiquê) e espírito (divino) – uma visão holística.

Não se sabe com certeza quando o conhecimento e a inteligência chegaram ao nosso planeta. O que se pode afirmar é que sem estes dois agentes nada do que existe poderia vir à existência.
Quanto à fé, aqui entendida como crença em algo que está fora do alcance do conhecimento, é fácil entender que ela veio a posteriore. Quando se fala de fé, pensamos logo em religião e esta com certeza veio muito depois.
Feitas estas colocações iniciais, já podemos perguntar: onde fica o homem em função disto? Com certeza o homem foi uma solução que o conhecimento e a inteligência encontraram para tomarem forma concreta e se manifestarem neste planeta. Não há acordo entre filósofos, teólogos e cientistas a esse respeito. Esse desacordo deve ser visto como uma estratégia do conhecimento para manter viva e atuante a inteligência. Esta por sua vez governa a vida que jamais poderia existir sem as duas. O homem torna-se, desta forma, refém das duas. A inteligência exige que o homem adquira cada vez mais conhecimento, pois ele é o seu encantamento. O conhecimento encanta o homem, dando a ele consciência de sua própria existência e do seu valor. Mais conhecimento e o homem se considera mais importante, mais poderoso e capaz de dominar. Assim, o homem surge neste planeta com a missão de dominar.
Mas como ele não pode dominar todas as coisas, surge a fé que vai permitir o preenchimento das lacunas que são criadas entre as diversas possibilidades de alcançar conhecimentos que ainda não estão ao seu alcance. Assim o homem sedento de domínio, parte para as grandes conquistas. Pela fé ele acredita que vai adquirir maior poder através da inteligência que permite a criação de estratégias e meios que acabam sendo formalizados por aqueles que ganham a confiança do grupo. É a partir daí que vão surgindo os diversos tipos, estruturas e normas sociais.
O homem olhava à sua volta e tomava conhecimento superficial da existência da natureza, até que num determinado momento ele começou a fazer certas perguntas a si mesmo. Uma das primeiras perguntas, com certeza, foi: como surgiram as coisas que o rodeavam? Posteriormente passou a questionar a sua própria origem. Como não havia respostas adequadas, a inteligência recorreu à fé e a organização de grupos para adorar e cultuar ao criador, surgindo daí a religião com a qual a inteligência passou a dirigir os destinos dos homens.
O cristianismo e o judaísmo, partindo destes princípios afirmam que o homem foi feito à imagem e semelhança de Deus com plenos poderes para ter domínio sobre a natureza. (Gn 1. 28). Só que o homem não se contentou em dominar apenas a natureza, passou a disputar domínio com o seu semelhante.
O primeiro ato decisivo sobre este desvio foi a disputa entre Caim e Abel, provocando o assassinato de Abel.
A inteligência concluiu que apenas o ato de adorar ao criador não foi capaz de harmonizar as relações entre os homens. Em consequência disto deu-se início a outra providência, normatizar leis de relacionamento surgindo assim os princípios éticos e morais, que juntos com as religiões foram sendo difundidos entre todas as raças humanas existentes no planeta. Tanto a religião, a ciência, a ética e a moral, no futuro, alcançarão seus objetivos ao passo que se colocarem a serviço do conhecimento, da inteligência e da fé.
A importância deste breve texto, talvez para alguns um pouco folclórico, é mostrar que tanto a Religião, a Ciência, a Ética e a Moral tiveram um mesmo princípio: a inteligência e um mesmo objetivo: harmonizar os relacionamentos dos homens entre si e com a natureza. Daí a importância da Ética dos Relacionamentos.

Denúncia ética:

Há uma tradição do senso comum que vê com maus olhos o procedimento de denunciar e que o acusa de ter a qualidade oposta à ética. A moral brasileira cotidiana, como qualquer outra, contém clichês, provérbios, máximas, que carregam significados e sentidos éticos duvidosos. Pelo conteúdo desses clichês ficamos sabendo que o brasileiro gosta de “levar vantagem em tudo”, pode “dar jeito em tudo”, que “todo mundo mete a mão: por que eu não?”, que “cada um por si, Deus por todos” etc. Na cumplicidade entre colegas de trabalho, concidadãos, amigos, vizinhos, facilmente prospera uma noção equivocada de denúncia. Nela, o denunciante, chamado pejorativamente de “dedo-duro” ou “delator”, é considerado um traidor, um desleal aos seus iguais, é reduzido a um bajulador. O raciocínio dessa cumplicidade é o seguinte: a lealdade primeira é devida aos “iguais”, não importando qual seja a qualidade desses iguais, se são bons ou maus, se estão certos ou errados; a lealdade ao grupo, família, corporação, é afirmada como precedente (anterior) à lealdade à sociedade e à coletividade. Nessa moral cotidiana da cumplicidade, o irmão, amigo, vizinho, colega, é protegido e não ameaçado. Nessa moral corporativista, a denúncia é uma quebra da “harmonia” entre os iguais. O mote geral de “unidos venceremos” se aplica, aqui, a uma ideia vaga de que o inimigo é sempre o que está “fora”, é o “estranho”, e também o que está “mais acima”, o que tem mais força. Nessa moral, acredita-se que é preciso união para se ter a força dos “iguais”.
Uma das responsabilidades dos indivíduos numa empresa é a vigilância ética sobre os direitos e isso implica em não ser cúmplice de irregularidades, não ocultar transgressões, não se omitir diante de faltas éticas (corrupção, favorecimentos ilegítimos, violação de direitos, discriminações culturais etc.). Um modo concreto de se manifestar o não conformismo com essas transgressões e de se afirmar o compromisso positivo com o bem-comum é precisamente o ato de denunciar as transgressões. Essa denúncia é uma manifestação positiva de lealdade ao bem comum, é uma lealdade aos direitos, e tem sim elevado valor ético. Tais dispositivos justificam-se mais ainda quando são associados a garantias de que as denúncias serão investigadas adequadamente (por meio de procedimentos transparentes, idôneos e objetivos) e de que haverá consequências, ou seja, de que os responsáveis serão punidos com justiça. Ao mesmo tempo, infelizmente, prospera também uma prática de inimputabilidade do denunciante: supõe-se que, mesmo sem provas, se possa trazer a público uma denúncia contra alguém (como se o próprio “ato heroico” de denunciar compensasse a falta de provas). Uma denúncia sem provas é uma calúnia e caluniar dá ao acusado o direito de restabelecer publicamente sua honra e dignidade. Outra questão é a do anonimato das denúncias. A moral da vingança e represália contra denunciantes gera medo e leva muitos, frequentemente, a se esconderem no anonimato ao denunciar, seja por proteção justificada, seja por covardia. A boa consciência de cada pessoa deverá ser o juiz, nesses casos.

História das Ideias:

A história das ideias morais está estreitamente ligada a dos sistemas filosóficos, embora devamos admitir que umas e outros sejam independentes do desenvolvimento social, econômico e cultura geral, assim como da consciência religiosa. Na antiguidade, as éticas relacionadas com o platonismo, o estoicismo e o epicurismo são as mais conhecidas. Na Era Moderna, o sistema filosófico de Kant deu um grande lugar à ética do dever e da intencionalidade, enquanto vários filósofos ingleses e norte-americanos elaboraram éticas utilitaristas e pragmáticas. Mais recentemente o marxismo e o existencialismo introduziram uma concepção nova do homem com o consequente significado ético. Qualquer história da Filosofia permitirá traçar as linhas principais desse desenvolvimento. Em forma muito amena e acessível o faz o livro de Will Durant: La história de La Filosofia (Santiago do Chile, Letras Imp – 1937). Quem desejar aprofundar-se mais na história das ideias e da Ética pode orientar-se a partir das seguintes obras: Lês grandes líneas de La filosofia moral de Jacques Leclercq (Madrid, Gregos); La ética moderna, de Teodor Litt (Madrid, Revista de Ocidente, 1932); La consciência moral, de H. Zbinden e outros (Madrid, Revistas do Ocidente, l961); a Internet oferece muito material de boa qualidade sobre o assunto.
A ética católica romana mais importante dos últimos anos é a de Bernhard Haring, La Ley de Cisto (Barcelona, Herder, 1958). Recentemente se discutiu muito a chamada ética situacional, que insiste em decisões éticas particulares, vinculadas às circunstâncias imediatas. Neste sentido a obra clássica é o livro de John Fletcher, Ética de situación (Barcelona, Ediciones Ariel, 1970).
Nos últimos anos, o Brasil através de seminários, simpósios e congressos tem produzido um bom material sobre a ética. Algumas destas obras encontram-se arroladas em nossa Bibliografia.
Através de nossa proposta de “Novos Paradigmas da Ética”, esperamos estar apresentando uma nova visão sobre o assunto, ou seja: Uma visão globalizante partindo do princípio de diversos relacionamentos: “a Ética dos Relacionamentos”.

Sobre a espiritualidade:

“Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.

No que se refere aos ministérios desenvolvidos a espiritualidade conecta o sentido de vocação com os atos ministeriais praticados. Destaco, portanto, uma tríade nesta espiritualidade ministerial: carisma, caráter e caridade. Sem carisma não há qualidade e autoridade no ministério que se exerce, sem caráter não há autoridade nas ações pastorais e ministeriais e sem caridade não dá para chegar ao coração das pessoas com as quais trabalhamos.


Carisma:

Já tive a oportunidade de desenvolver este tema em outros textos, incluindo o livro publicado pela EDITEO (O Carisma do Ministério Pastoral), onde apresento os contornos do carisma pastoral. Ao falar de carisma estou me referindo ao ato de reconhecimento e de mandato dado pela Igreja. O carisma, seja do ministério pastoral ou dos ministérios laicos, é reconhecido pela comunidade cristã e desenvolvido em sintonia com a eclesiologia. Não cabe, seja qual for a denominação, um ministério autônomo e sem qualquer relação com as doutrinas, em especial a que define o modo de ser igreja.

Carisma significa o dom através do qual o Espírito Santo age na vida do cristão e da Igreja na medida em que o cristão se oferece a Deus em resposta ao Seu amor. O carisma se evidencia de forma comunitária e não individualizada, pois ele se expressa por meio da dedicação da pessoa ao serviço de Deus e por meio da Sua Graça.

Em outras palavras, o carisma que atribui autoridade ao ministério, não é o pessoal, não são os dons pessoais ou os talentos da pessoa, e sim o mandato, a ordenação ou a consagração realizada pela comunidade de fé.

Caráter:

O ministério “carismático”, ou seja, aquele que tem o carisma dado pela Igreja é acompanhado por comportamentos e atitudes que evidenciam uma boa índole, um bom caráter, um conjunto de boas qualidades. Nas cartas pastorais (I e II Timóteo e Tito) o autor apostólico destaca várias qualidades que se referem ao comportamento ético e relacional dos líderes da comunidade de fé. Fala, portanto, de caráter e de integridade na vida pessoal, familiar e social.

Falar do carisma é o mesmo que falar da integridade da pessoa. O que confere valor e autoridade ao carisma recebido por ordenação e consagração é a integridade que a pessoa evidencia, em termos de comportamento ético, responsabilidade, transparência, honestidade, respeito e confiabilidade. Sem esta integridade a pessoa que exerce um determinado ministério, mesmo que possua o carisma, não possuirá autoridade e legitimidade para suas ações ministeriais. Da mesma forma que na figura da espiritualidade há conexão do interior com o exterior, deve existir conexão entre o carisma dado pela Igreja e o caráter da pessoa que recebe o mandato (carisma). O carisma sem caráter não tem substância e qualidade.

Caridade:

Poderia falar do amor, mas preferi a expressão caridade. Parece que o amor tem sido tema dos escritores bíblicos que ficou distante de nós, tema de músicas que são cantadas nas igrejas locais dominicalmente ou tema de poesia e romance. O amor como descrito pelas sagradas escrituras e que se refere ao ato de entregar-se pelos outros, perdoar, pedir perdão, restauração, etc, parece ser algo que ficou no passado. O amor se transformou meramente numa virtude teologal quando deveria ser um fruto sempre presente na vida do cristão. Desta forma, a música que fala da volta ao primeiro amor, lembrando a carta dirigida à Igreja de Éfeso (Ap 2.4), tem razão: a Igreja precisa voltar ao primeiro amor e começar de novo suas boas obras na ótica do ágape.

Optei por falar da caridade, pois se não é possível amar como Cristo amou, que haja pelo menos caridade para com os mais fracos, caridade para com os diferentes, caridade para com os que pensam de forma diferenciada e que ela seja para integrar e incluir os que ficam marginalizados. Recordo-me das palavras do apóstolo Paulo dirigidas aos tessalonicenses, quando diz: “admoesteis os insubmissos, consoleis os desanimados, ampareis os fracos e sejas longânimos para com todos” (I Ts 5.14). Estas palavras inspiram, de certa forma, atitudes de caridade.
Caridade pode ser complacência, benevolência ou compaixão e caridoso seria aquele que procura identificar-se com o amor de Deus. Se conseguirmos isto em nossas práticas ministeriais já estaremos num bom caminho.” (Texto de Josué Adam Lazier – Bispo da Igreja Metodista).

Com isso encerramos a segunda fase de nossas reflexões. Convidamos aos nossos leitores para a terceira e última fase desta série com os seguintes temas:

21- Surge a Ética.
22- Os primeiros conceitos de Ética.
23- A Ética dos Relacionamentos.
24- A Ética da Solidariedade.
25- O Futuro da Ética.
26- Humanismo e Espiritualismo.
27- A Teologia da Graça.
28- O Futuro da Religião.
29- Revisão.
30- Conclusão Geral.
Nota: Voltaremos com os novos textos a partir de 23 de março de 2010. (P/AViS-23/02/2010).

segunda-feira, 15 de fevereiro de 2010

07- Batalha Espiritual - Os Adoradores.

Os Adoradores:
Costumamos confundir adoração com louvação. Deus deseja verdadeiros adoradores e louvadores. O louvor só agrada a Deus quando é consequência de nossa adoração ou então, quando ele nos conduz à adoração.
Para ficar mais claro vamos recorrer ao dicionário e verificarmos o verdadeiro sentido de cada uma destas palavras.

• Adorar (lat adorare) vtd – (1) Reverenciar, venerar; (2) Amar extremamente, idolatrar. (3) Gostar muito de... (4) Prestar culto a..., cultuar.

• Louvar (lat laudare) vtd – (1) Dirigir louvores a....; elogiar, enaltecer, gabar. (2) Aprovar, confirmar com elogios um ato praticado por outrem (3) Elogiar-se, gabar-se, jactar-se, vangloriar-se. (4) Bendizer, enaltecer, exaltar, glorificar. (Moderno Dicionário da Língua Portuguesa – Michaelis 2000)

Deus não necessita de nossos louvores, mas Ele se agrada deles quando manifestados de forma sincera e com reverência. É bom destacar que Deus não precisa de nada, nem do próprio homem, mas conta conosco para executar o seu plano salvífico{50} neste planeta e possivelmente no Universo. Os anjos gostariam de cumprir essa missão, no entanto, Ele confiou a nós essa tarefa no sentido de nos honrar e permitir que possamos retomar nossa forma original de Sua semelhança.
É preciso muita responsabilidade ao ministrarmos o louvor. Estamos assistindo a um fenômeno mundial de comercialização e vulgarização do louvor. Isso com certeza, fornecerá uma arma muito poderosa para satanás usar na batalha espiritual que ele e seus anjos travam em todas as regiões.
Depois dessa breve abordagem sobre o louvor, passaremos a considerar o tema proposto: “Os adoradores”.
É a adoração, o principal instrumento de proteção e ataque que possuímos contra as ciladas do tentador. Por isto satanás requeria de Jesus um gesto de adoração, pois ele sabia que a partir daí a sua vitória seria certa. (Mt 4. 9). Dificilmente satanás conseguirá induzir alguém a negociar ou comercializar a adoração como tem conseguido com o louvor. (Estas considerações sobre cautela referente ao louvor não devem ser entendidas como censura aos que produzem e comercializam esses materiais, é apenas uma advertência com relação aos riscos de um louvor sem compromisso com a palavra de Deus.)
A Bíblia é muito rica em apelos para que sejamos verdadeiros adoradores. Daí vem a pergunta: o que é um verdadeiro adorador? Classificar um verdadeiro adorador, como classificar o que é um verdadeiro cristão não é tarefa fácil. (Recomendamos a leitura do nosso texto “Sinais da Unção” para entender melhor este assunto.)
Adorar, assim como orar não podem ser visto como um simples ministério. Adorar e orar é próprio de todo verdadeiro cristão, são como o ar, a água, o alimento, sem os quais não podemos viver. Desde o início, o homem prestou cultos, isto é adorou, uns os seus próprios deuses, representados muitas vezes por elementos da natureza, pelos heróis da comunidade, pelos antepassados, pelas ideologias, por princípios filosóficos e até à ideia da negação da existência de um Deus verdadeiro. Esses são apenas alguns deuses que tem inspirado os homens à adoração.
Só o homem é capaz de adorar. O Criador criou na sua alma (psiquê) essa necessidade. Nem o mais ateu dos homens está livre desta atitude.O mais sério é quando o homem se convence de ter eliminado da sua mente toda a possibilidade de alguma crença e se torna adorador de si mesmo, o que, na maioria dos casos, gera os maiores transtornos com consequências psicossomáticas e de relacionamentos em geral, imprevisíveis e de alto risco para si mesmo e para as pessoas que o rodeiam.(Confira: “Narcisismo”).
É possível dizer que o cristão é melhor do que os não cristãos? Isso tentaremos responder no próximo item.
Jesus olhando para o futuro, respondeu para a mulher samaritana que, quando não houver mais sentido a existência do templo, os verdadeiros adoradores continuarão adorando a Deus e, aí, numa adoração mais sublime; em espírito e em verdade. (Jo 4. 23).
Parece que aí Jesus classifica bem o verdadeiro adorador; é aquele que adora em espírito e verdade. A adoração transcende o corpo e a alma, apesar de inclui-los e parte do espírito que como já vimos, é a região mais importante para nos colocar em comunhão perfeita com Deus. Sempre me preocupou o fato de muitos adoradores viverem desunidos e até mesmo em competição dentro dos próprios grupos de adoração. O que dizer então das separações denominacionais?

terça-feira, 9 de fevereiro de 2010

19- Em Defesa da Ciência.

Introdução:

A História da ciência é a área do conhecimento que investiga o evoluir do pensamento científico e da sua interação com as sociedades humanas. Frequentemente os leigos utilizam o termo com um significado muito amplo. Tal disciplina está estreitamente ligada com a Sociologia da ciência e a Filosofia da ciência.
“A Ciência torna-se nobre, quando pesquisa em busca do conhecimento do Criador, empobrece-se e torna-se ridícula, quando faz o contrário, isto é, pesquisa sem levar em conta que todo o existente foi e está sendo criado e que nada pode existir sem uma origem e a regência de um criador.” (P/AViS- Primavera de 2009).
O pensamento científico surgiu na Grécia Antiga aproximadamente no século VI a.C. com os pensadores pré-socráticos que foram chamados de Filósofos da Natureza e também Pré-cientistas. Foi um período onde a sociedade ocidental, saiu de uma forma de pensamento baseada em mitos e dogmas, para entrar no pensamento científico baseado no Ceticismo. Muitos livros apresentam este ou aquele pensador pré-socrático como pai do pensamento científico, mas isso não é verdade, pois todos esses pensadores contribuíram de uma forma ou de outra para a formação do pensamento científico.
O pensamento dogmático coloca as idéias como sendo superiores ao que se observa. O Pensamento Cético coloca o que é observado como sendo superior às idéias. Um dogma é uma idéia e por mais que se observem fatos que destruam o dogma, uma pessoa com pensamento dogmático irá preservar o seu dogma. Para a ciência uma teoria é uma idéia, mas se observarmos fatos que comprovem a falsidade da idéia, o cientista tem a obrigação de destruir ou modificar a teoria.
Foi na época de Sócrates e seus contemporâneos, que o pensamento científico se consolidou, principalmente com o surgimento do conceito de prova científica, ou repetição do fato observado na natureza. Quando esse processo de modificação no pensamento Grego terminou, aproximadamente noventa por cento dos Gregos havia se tornado ateu. Sócrates foi condenado à morte e teve de tomar cicuta, pois foi julgado culpado de estar desvirtuando a juventude. Os gregos acabaram por destruir sua própria religião.
Tanto as religiões como a ciência tentam descrever a natureza e dar uma explicação para a origem do universo. A diferença está na forma de pensar de um cientista. O cientista não aceita descrever o natural com o sobrenatural. Para o cientista é necessário provas observadas e o que se observa sempre destrói as idéias. Para um cientista a ciência é uma só, pois a natureza é apenas uma. Sendo assim, as idéias da Física devem complementar as idéias da química, da paleontologia, geografia e assim por diante. Embora a ciência seja dividida em áreas, para facilitar o estudo, ela ainda continua sendo apenas uma.
A Boa Intenção:

O ser humano está sempre cheio de boas intenções. Muitas são as correntes e as organizações que pretendem transformar o mundo e sempre para melhor.
Eis alguns poderes que militam em busca de soluções para o mundo:


a) A Religião (pela espiritualidade)
b) A Filosofia (pela educação)
c) A Ciência (pelo conhecimento)
d) A Política (Pela a administração dos bens comuns do estado)
e) A Diplomacia (Pelo entendimento dos direitos e deveres)
f) O Militarismo (Pelo uso da força)
g) As artes (pela criatividade em busca do belo e da perfeição, através do lúdico e do cênico)
h) As Associações em Geral (pela recreação, pesquisas e meios de auto-aperfeiçoamento)
i) A Imprensa Livre e Responsável (através da informação) e muitas outras.

A Religião, a Filosofia e a Ciência trabalham a mente e dela procedem os demais poderes militantes.
Apesar das boas intenções a história tem mostrado que todos que chegam ao poder acabam se corrompendo e assim não promovem o bem que desejam. Foi pensando assim que o apóstolo Paulo declarou:

“Não há justo, nem um sequer, não há quem entenda, não há quem busque a Deus; todos se extraviaram, a uma se fizeram inúteis: não há quem faça o bem, não há nem um sequer. A garganta deles é sepulcro aberto; com a língua, promovem engano, veneno de víbora está nos seus lábios, a boca, eles a têm cheia de maldição e de amargura; são os seus pés velozes para derramar sangue, nos seus caminhos, há destruição e miséria; desconheceram o caminho da paz. Não há temor de Deus diante de seus olhos.”
(Rm 3. 10.18).

Durante a Idade Média, os cristãos dominavam as escolas da época, e por isso seus pensadores foram chamados de Filósofos Escolásticos. Esses pensadores criaram uma visão dogmática de ciência que ainda hoje é encontrada em livros e enciclopédias da atualidade, e não admitiam o uso da matemática como forma de análise científica. Somente aceitavam o uso da dialética e a lógica aristotélica como forma de análise científica, que devia ser apresentada através de teses. Esta prática ainda é observada em algumas universidades da atualidade. O pensamento de Agostinho tentava unir a fé e a razão, sendo o primeiro filósofo cristão, o que fez surgir um pensamento equivalente ao pensamento que havia antes dos pré-socráticos. O resultado disso é que quase nada de científico foi produzido durante a Idade Média.
Na Renascença, os pensadores retomaram o pensamento científico dos pré-socráticos. Galileu Galilei se atreve a usar a matemática como forma de análise científica, o que resultou na sua perseguição pelos Escolásticos. Descartes ao ver o que havia ocorrido com Galileu, reduziu suas críticas aos escolásticos, mesmo assim usando a matemática para a análise científica. Após a retomada do pensamento científico pré-socrático voltamos a evoluir cientificamente.
Esta é uma longa história que vale a pena conhecer. A partir daí a ciência alcançou sua maturidade e pode contribuir de forma definitiva para a evolução do pensamento humano. Desenvolveram-se então várias tendências filosóficas destacando-se uma plêiade de cientistas, cujos nomes não podem ser esquecidos.

Alguns Cientistas e filósofos que marcaram a história:

Isaac Newton (1642 – 1727)
Suas descobertas durante o século XVII guiaram os estudos da física pelos 200 anos seguintes; • Por trás de fenômenos aparentemente banais, construiu a base de teorias revolucionárias; • Nasceu em 25 de Dezembro de 1642, em Woolsthorpe, na Inglaterra; • Em 1661, com 18 anos, ingressa na universidade de Cambridge, estudou matemática e filosofia; • Em 1668, depois de idealizar as leis de reflexão e refração de luz, construiu o primeiro telescópio reflexivo; • Em 1669, assume o cargo de professor de matemática na universidade de Cambridge; • Em 1672, é convidado para a Real Sociedade Britânica; • Em 1687, publica "Princípios Matemáticos da Filosofia Natural", o famoso “Principia”, em que descreve as leis da gravidade e dos movimentos; • Em 1696, é nomeado Guardião da Casa da Moeda; • Em 1705, ele recebe um título de nobreza da rainha Anne e passa a se chamar Sir Isaac Newton; • Em 1727, ele morre, no dia 20 de março e é enterrado na abadia londrina de Westminster, na Inglaterra.

Galileu Galilei (1564 – 1642)
Criticava Aristóteles dizendo que "A tradição e a autoridade dos antigos sábios não são fontes de conhecimento científico" e que a única maneira de compreender a natureza é experimentando; • Achava que fazer ciência é comprovar através da experiência; • Dizia que "o livro da natureza é escrito em caracteres matemáticos"; • foi acusado, pelas autoridades, de ser inimigo da fé. Foi julgado pelo tribunal do Santo Ofício, a Inquisição. Ele reconheceu diante dos inquisitores que estava "errado", para terminar suas pesquisas. Segundo a lenda, ele disse baixo: "Eppur si muove", ou, "mas ela se move", ou seja, que a Terra não é um ponto fixo no centro do universo. • A história de Galileu é um exemplo célebre de como a violação à liberdade de opinião das pessoas pode ser altamente prejudicial ao desenvolvimento das ciências.

René Descartes (1596 – 1650)
Demonstrou como a matemática poderia ser utilizada para descrever as formas e as medidas dos corpos; • Inventou a geometria analítica; • Sua obra mais famosa chama-se "discurso sobre o método" (1636). Nela, Descartes procura nos convencer que o raciocínio matemático deveria servir de modelo para o pensamento filosófico e para todas as ciências; • Uma das frases mais célebres da história do pensamento filosófico é: "Penso, logo existo." Ele acreditava que dessa verdade ninguém poderia duvidar. • O raciocínio matemático é baseado, principalmente, na lógica dedutiva, em que nós partimos de uma verdade para encontrarmos outras verdades, ou seja, que uma verdade é conseqüência da outra.

Francis Bacon (1561 a 1626)
Mostrou a importância da experimentação para a aquisição dos conhecimentos científicos;

Nicolau Copérnico (1473 a 1543):
Mostrou que o sol fica no centro do sistema, mas, achava que a órbita da Terra era uma circunferência perfeita, o que está errado, mas, o alemão Kepler (1571 a 1630) o corrigiu, mostrando que a distância da terra e do sol é variável, em forma de elipse.

Louis Pasteur (1822 a 1895)
Foi o primeiro cientista a provar que seres invisíveis a olho nu, os microorganismos, são os responsáveis por diversas doenças. Suas descobertas ajudaram a salvar vidas e abriram as portas para o avanço da microbiologia e da imunologia;

Francesco Redi (1626 a 1698):
Era um médico italiano e demonstrou que não existia a geração espontânea, uma idéia aristotélica. Ele fez uma experiência: Ele colocou carne em vários vidros. Deixou alguns abertos e cobriu outros com um tecido fino de algodão, que permitisse a entrada de ar. Este tecido era importante, pois para os defensores da geração espontânea, o ar era fundamental para que o fenômeno acontecesse. Se a teoria da geração espontânea fosse verdadeira, as larvas de moscas deveriam aparecer tanto nos vidros abertos quanto nos vidros cobertos com gaze, mas, após alguns dias, surgiram larvas só nos vidros abertos. Redi mostrou, então, que as larvas surgiam das moscas, e não por geração espontânea. As moscas podiam entrar nos vidros abertos e depositar seus ovos sobre a carne, mas não conseguiam entrar naqueles cobertos pelo tecido.
Pilares básicos do pensamento científico:
O pensamento científico tem mais de dois mil anos e alguns pontos formam os pilares básicos desse pensamento. Um cientista jamais pode contrariar estes princípios, já testados pela humanidade:
O principal objetivo da ciência é descrever a natureza. É por esse motivo que a matemática, lógica, direito e outras áreas, jamais foram classificadas como áreas científicas.
Basta que apenas um fato seja observado e a idéia teórica deve ser modificada ou destruída. É por isso que a Astrologia, não é classificada como ciência, pois vários fatos são observados que contrariam a Astrologia, e mesmo assim suas idéias continuam as mesmas, há mais de quatro mil anos.
Princípio do Uno, ou seja, a ciência é única, pois a natureza é uma só. É o caso da psicologia, que nunca foi considerada uma área científica, pois suas idéias não conseguem se unir a Física, Química e Biologia, além de estarem baseados em sofismas, sem a existência de equações matemáticas que provem as idéias.
Conceito de prova, ou repetição do fato observado. É outro motivo pelo qual a psicologia e astrologia, não são classificadas como ciência, já que os fatos observados por psicólogos e astrólogos, não conseguimos repetir.
Não usar o sobrenatural e metafísico para descrever a natureza. É o caso da teologia e várias áreas religiosas, que não são consideradas áreas científicas.

Elementos do método científico
"Ciência é muito mais uma maneira de pensar do que um corpo de conhecimentos." (Carl Sagan)
"...ciência consiste em agrupar fatos para que leis gerais ou conclusões possam ser tiradas deles." (Charles Darwin)
O método científico é composto dos seguintes elementos:
Caracterização - Quantificações, observações e medidas.
Hipóteses - Explicações hipotéticas das observações e medidas.
Previsões - Deduções lógicas das hipóteses.
Experimentos - Testes dos três elementos acima.
O método científico consiste dos seguintes aspectos:
Observação - Uma observação pode ser simples, isto é, feita a olho nu, ou pode exigir a utilização de instrumentos apropriados.
Descrição - O experimento precisa ser replicável (capaz de ser reproduzido).
Previsão - As hipóteses precisam ser válidas para observações feitas no passado, no presente e no futuro.
Controle - Para maior segurança nas conclusões, toda experiência deve ser controlada. Experiência controlada é aquela que é realizada com técnicas que permitem descartar as variáveis passíveis de mascarar o resultado.
Falseabilidade - toda hipótese tem que ser falseável ou refutável. Isso não quer dizer que o experimento seja falso; mas sim que ele pode ser verificado, contestado. Ou seja, se ele realmente for falso, deve ser possível prová-lo.
Explicação das Causas - Na maioria das áreas da Ciência é necessário que haja causalidade. Nessas condições os seguintes requerimentos são vistos como importantes no entendimento científico:

Identificação das Causas.
Correlação dos eventos - As causas precisam se correlacionar com as observações.
Ordem dos eventos - As causas precisam preceder no tempo os efeitos observados.
Conclusão:
“E Moisés foi educado em toda a ciência dos egípcios e era poderoso em palavras e obras.” (At 7.22).
“O Menino Jesus em Nazaré. – Cumpridas todas as ordenanças segundo a Lei do Senhor, voltaram para a Galiléia, para a sua cidade de Nazaré. Crescia o menino e se fortalecia, enchendo-se de sabedoria: e a graça de Deus estava sobre Ele.” (Lc 2. 39 e 40).
“O meu povo está sendo destruído por falta de conhecimento...” (Os 4.6a).
Quando estamos falando em comportamento científico precisamos fazer diferença entre ser cientista, pragmático e pragmatismo. Confundir estas três posturas pode gerar uma série de dificuldade para o Cristão que se interessa pelo aprofundamento científico. Devemos lembrar-nos da recomendação paulina: ”examinai tudo e apegai ao que é bom”. Esta decisão do que é bom e do que não é bom e principalmente do que é mal, para o cristão não depende apenas do conhecimento científico, mas também da Graça de Deus que se manifesta em “Espírito de Discernimento”. Por isso o cristão é alguém que além de buscar o conhecimento científico, precisa também buscar o conhecimento da vontade de Deus que se encontra disponível na sua palavra, bem como desenvolver uma espiritualidade saudável que promove o crescimento mental e emocional.
A importância do que “em pensar” é fundamental para uma vida comprometida com cristo onde valores como “o amor”, “a gratidão” e “o perdão” não podem ser renegados a planos inferiores ao “conhecimento”.
“O em que pensar. – Finalmente, irmãos, tudo o que é verdadeiro, tudo o que é respeitável, tudo o que é justo, tudo o que é puro, tudo o que é amável, tudo o que é de boa fama, se alguma virtude há e se algum louvor existe, seja isso o que ocupe o vosso pensamento.” (Fp 4.8). – (P/AViS-09/02/2010).

terça-feira, 5 de janeiro de 2010

18- Em defesa da Filosofia. (II/II)

A Filosofia que chegou até nossos dias:

A partir da Filosofia surge a Ciência, pois o Homem reorganiza as inquietações que assolam o campo das idéias e utiliza-se de experimentos para interagir com a sua própria realidade. Assim a partir da inquietação, o homem através de instrumentos e procedimentos equaciona o campo das hipóteses e exercita a razão. São organizados os padrões de pensamentos que formulam as diversas teorias agregadas ao conhecimento humano. Contudo o conhecimento científico por sua própria natureza torna-se suscetível às descobertas de novas ferramentas ou instrumentos que aprimoraram o campo da sua observação e manipulação, o que em última análise, implica tanto a ampliação quanto o questionamento de tais conhecimentos. Neste contexto a filosofia surge como "a mãe de todas as ciências".

Podemos resumir que a filosofia consiste no estudo das características mais gerais e abstratas do mundo e das categorias com que pensamos: Mente (pensar), matéria (o que sensibiliza noções como quente ou frio sobre o realismo), razão (lógica), demonstração e verdade, religião (a relação com o sagrado).

Levando-se em conta a ordem cronológica e a evolução das idéias podemos dividir a história da “Filosofia Grega” em quatro períodos:

I. Período pré-socrático (séc. VII-V a.C.) - Problemas cosmológicos. Período Naturalista: pré-socrático, em que o interesse filosófico é voltado para o mundo da natureza;
II. Período socrático (séc. IV a.C.) - Problemas metafísicos. Período Sistemático ou Antropológico: o período mais importante da história do pensamento grego (Sócrates, Platão, Aristóteles), em que o interesse pela natureza é integrado com o interesse pelo espírito e são construídos os maiores sistemas filosóficos, culminando com Aristóteles;
III. Período pós-socrático (séc. IV a.C. - VI d.C.) - Problemas morais. Período Ético: em que o interesse filosófico é voltado para os problemas morais, decaindo, entretanto a metafísica;
IV. Período Religioso assim chamado pela importância dada à religião, para resolver o problema da (séc. VII – XVIII) vida, que a razão não resolve integralmente. O primeiro período é de formação, o segundo de apogeu, o terceiro de decadência.
V. Período da Pós-Modernidade (séc. XIX – XXI) - Vejamos o que a Professora Leda Dantas da Universidade Federal de Pernambuco, Brasil, nos fala sobre a “Filosofia da Pós-Modernidade”:
“A Modernidade nasce sob o signo da liberdade. O homem é livre porque não está mais à mercê do obscurantismo da religião, mas é capaz de entendimento. A filosofia e a ciência, e não mais os mitos, definiam o verdadeiro. O homem livre era aquele que conhecia a verdade racionalmente concebida e por ela definia o seu destino.

O homem faz a sua história - essa é uma idéia tipicamente moderna. Aliás, a
modernidade pode ser considerada a ‘época da história’. A idéia agostiniana de uma história linear, que resultaria no juízo final e na realização do bem divino, é secularizada. Em Kant, Hegel e Marx a história segue um curso linear e pressupõe um nexo essencial com a emancipação humana. Mas, talvez em nenhum outro teórico da modernidade essa ideia (de que os homens fazem sua história e neste processo eles próprios se fazem) tenha sido mais enfaticamente defendida do que em Marx. Se em Kant havia uma providência e em Hegel um sujeito absoluto, em Marx, a história é obra essencialmente humana. Não haveria absolutamente nada para além dos homens, para além da história.

Marx tinha um grande projeto de emancipação para a humanidade. O marxismo, no entanto, tem sido alvo de muitas críticas que põem em dúvida tanto os seus pressupostos como as tentativas no século XX de levar este projeto a termo. O marxismo tem sido acusado de intolerância com as diferenças e, mais grave que isso, de totalitarismo. Tudo em nome de uma certa concepção de história que garantiria, ao final, a emancipação (salvação) da humanidade. Popper, Heidegger e Foucault são alguns dos seus mais veementes opositores. Quais seriam, então, os fundamentos da história marxista, que seus opositores acusam de já conter em germe as sementes do totalitarismo e da intolerância com as diferenças?”
Filosofia Cristã:
Pode ser considerado como “Filosofia cristã” o conjunto de ideias filosóficas iniciadas pelos seguidores de Jesus Cristo do século II até aos dias de hoje. A tríade, Razão, Ciência e Fé é o principal combustível que mantém acesa esta chama.

Assim a discussão filosófica cristã surge com o intuito de distinguir “ciência” e “fé”, partindo dos princípios que a “razão” pode entender e aceitar, sem afastar-se das verdades da revelação cristã. Vários pensadores acreditavam que havia uma relação harmoniosa entre a ciência e a fé, outros afirmavam que havia contradição e outros tentavam diferençá-las. Esta mesma discussão era promovida no campo da filosofia e da fé. Diversos filósofos relacionavam o pensamento grego com o pensamento cristão.

A “Filosofia” costuma unir-se às vezes com a ciência para chegar a certas conclusões, enquanto que, outras vezes, os sistemas filosóficos especulativos e suas conclusões são opostos à ciência e suas descobertas. Assim ela se torna um instrumento de trabalho precioso que serve para levar os homens a repensar suas conclusões. Para o filósofo não pode haver paixão por uma verdade afirmada tanto pela ciência como pela religião. Daí a grande dificuldade do religioso conviver declaradamente com a filosofia, pois ele na sua função profética é sempre um apaixonado pela verdade que defende. Contudo ele se vê obrigado a filosofar para convencer o noviço de sua verdade. Acaba acontecendo um processo educativo progressivo que faz com que o religioso (teólogo) acabe encontrando o caminho da conciliação entre a filosofia, a ciência e a sua fé. A filosofia é, portanto, o caminho natural para que o homem possa alcançar o conhecimento e alimentar uma fé que sabe provar a sua razão.

A filosofia cristã não foi algo instituído em um momento histórico. Ela surge por volta do século dois do cristianismo, reportando-se ao sexto século antes de Cristo a partir do pensamento de Sócrates, Platão e Aristóteles. Em sua época, esses homens tentaram resolver os problemas da realidade e do conhecimento, assim como outros conceitos básicos, sem beneficiar-se do que conhecemos hoje em dia como revelação divina. Quando, porém, surgiu o cristianismo no mundo, este não aceitou o raciocínio humano especulativo como tal (Ver Colossenses 2.8), apelando para a autoridade da revelação divina como supremo recurso para responder aos problemas fundamentais do ser humano (confere ainda Romanos 10.17: 2 João 9.11 e Mateus 7.21-27). Contudo com o passar do tempo os pensadores cristão reconheceram em Paulo um filósofo e concordaram que a discussão filosófica permitiria a interpretação e o progresso da revelação divina que segundo o próprio Cristo não se encerrava com Ele (Confere João 14.26). Iniciou-se então um novo período onde a filosofia, agora adaptada à mensagem evangélica encontra o seu espaço no Cristianismo, dando início ao que entendemos como “Filosofia Cristã”.

Há estudiosos que questionam a existência de uma filosofia cristã propriamente dita. Esses afirmam que não há originalidade no pensamento cristão e seus conceitos e ideias são herdadas da filosofia grega. Sendo assim, a filosofia cristã seria simples depositária do pensamento filosófico, que já estaria definitivamente elaborado pela filosofia grega, e defensora da fé. No entanto, Boehner e Gilson afirmam que a filosofia cristã não é simples repetição da filosofia antiga, embora que devam à ciência grega os conhecimentos elaborados por Platão, Aristóteles e os Neo-platônicos. Chegam a afirmar que na filosofia cristã a cultura grega sobrevive em forma orgânica. Os mestres gregos se tornam assim os pedagogos dos pensadores cristãos.

Para alguns autores a Filosofia Cristã pode ser assim dividida:

"I. A filosofia medieval, em gestação: a Patrística (séc. II-VII).
II. A filosofia medieval, no período da constituição e de maior riqueza conceitual: a Escolástica (séc. IX-XIII).
III. A filosofia medieval em processo de mutação e superação: os Pré-modernos (séc. XIV-XV).
IV. A filosofia Cristã na Reforma e Contra Reforma. (séc. XVI-XVIII).
V. A Filosofia Cristã na Pós-Modernidade. (séc. XIX-XXI).

Conclusão:

“A fé cristã implica na aceitação básica de uma revelação divina, cuja validade – se for segura – deve poder resistir a todos os desafios da investigação erudita.” (J. D. Thomas – Razão, Ciência e Fé – Vida Cristã – 1984- pag. 18).

“Antes, santificai a Cristo, como Senhor, em vosso coração, estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir a razão da esperança que há em vós,” (1 Pedro 3.15).

“Mas do que nunca urge uma proposta em forma de resposta apologética por parte da Igreja. Uma que utilize de ferramentais teóricos e eficazes de séculos passados, mas que não se restrinja àqueles. Uma resposta sob os parâmetros da pós-modernidade, mesmo que demonstre filosófica e teologicamente o quão absurdos são tais parâmetros, como referenciais. Uma resposta que se preocupe em não ser contraditória, como é a pós-modernidade; que não seja excessivamente filosófica, mas que resgate o valor de um empreendimento que se dedique a aliar nosso desejo e certeza de que a Bíblia é a Revelação de Deus e contém as respostas adequadas às dúvidas mais profundas e sinceras dos corações dos homens, com uma crítica bem feita àquelas que viraram marcas registradas do pensamento atual: a “certeza” de que ninguém tem certeza de nada, a defesa de um pluralismo relativista que talvez seja a única esperança de paz...” (Artur Eduardo da Silva Neto – Pastor e Professor de Apologética Cristã, Introdução à Filosofia e História da Filosofia).
Ao discutirmos verdades filosófica com alguém, deveríamos ter em conta as pressuposições particulares que a pessoa em questão sustenta em relação à fonte dos valores essenciais. Qualquer contraste de opiniões deveria estabelecer primeiro os pontos de acordo mútuos para que a discussão possa ser feita unicamente em relação aos pontos de desacordo, claramente definidos.

Segundo vimos acima todos aceitam “a priori” certo conhecimento ou pressuposições, assim como todos têm e se valem de um elemento de “fé”. Tanto por cortesia como por lógica, admite-se que todo ser humano tem o direito de formular suas próprias opiniões, seja o homem que tem fé no sobrenatural, ou aquele que acredita que suas conclusões são unicamente ditadas por fatos empíricos.

O cristianismo surge como religião fundamentada em fatos históricos que envolvem Jesus de Nazaré e um pequeno grupo de galileus. Coube a estes o anúncio do aparecimento do Messias esperado pelos profetas do antigo testamento.

A filosofia procura interpretar racionalmente os fenômenos do mundo. Como religião, houve necessidade do cristianismo defrontar-se com a filosofia helênica por causa da posição religiosa dos gregos. As especulações gregas são questionadas tanto como fundamento da verdade absoluta dada pela revelação e a cura pela fé e pela graça.

Apesar de todas as polêmicas devemos concluir que a filosofia é, sem dúvida, um instrumento muito eficaz para o aprofundamento da fé, que se dá pelo conhecimento que vem pela educação que segundo Licurgo: “não se constitui em mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que floresçam à semelhança de bela e perfumada flor”. (P/AViS- 05/01/2010).

Observação: Estaremos em recesso a partir desta data. Voltaremos a postar textos nesta página a partir de 09/02/2010.

quarta-feira, 30 de dezembro de 2009

18- Em Defesa da Filosofia. (I/II)

Introdução:
Conta-se que Licurgo foi convidado a proferir uma palestra a respeito de educação. Aceitou o convite, mas pediu, no entanto, o prazo de seis meses para se preparar.
O fato causou estranheza, pois todos sabiam que ele tinha capacidade e condições de falar a qualquer momento sobre o tema e, por isso mesmo, o haviam convidado. Transcorridos os seis meses, compareceu ele perante a assembléia em expectativa. Postou-se à tribuna e logo em seguida, entraram dois criados, cada qual portando duas gaiolas. Em cada uma havia um animal, sendo duas lebres e dois cães.
A um sinal previamente estabelecido, um dos criados abriu a porta de uma das gaiolas e a pequena lebre, branca, saiu a correr espantada. Logo em seguida, o outro criado abriu a gaiola em que estava o cão e este saiu em desabalada carreira ao encalço da lebre alcançou com destreza trucidando-a rapidamente.
A cena foi dantesca e chocou a todos. Uma grande admiração tomou conta da assembléia e os corações pareciam saltar do peito. Ninguém conseguia entender o que Licurgo desejava com tal agressão. Mesmo assim, ele nada falou. Tornou a repetir o sinal convencionado e a outra lebre foi libertada. A seguir, o outro cão.
O povo mal continha a respiração. Alguns mais sensíveis levaram as mãos aos olhos para não ver a reprise da morte bárbara do indefeso animalzinho que corria e saltava pelo palco.
No primeiro instante, o cão investiu contra a lebre. Contudo, em vez de abocanhá-la deu-lhe com a pata e ela caiu. Logo se ergueu e se pôs a brincar. Para surpresa de todos, os dois ficaram a demonstrar tranqüila convivência, saltitando de um lado a outro do palco.
Então, e somente então, Licurgo falou; "senhores, acabais de assistir a uma demonstração do que pode a educação. Ambas as lebres são filhas da mesma matriz, foram alimentadas igualmente e receberam os mesmos cuidados. Assim igualmente os cães". A diferença entre os primeiros e os segundos é, simplesmente, a educação."
E prosseguiu vivamente o seu discurso dizendo das excelências do processo educativo.
"A educação, baseada numa concepção exata da vida, transformaria a face do mundo."
Eduquemos nossos filhos, "esclareçamos sua inteligência, mas, antes de tudo, falemos ao seu coração, ensinemos a ele a despojar-se das suas imperfeições. Lembremo-nos de que a sabedoria por excelência consiste em nos tornarmos melhores."
Percebe-se, portanto, que a educação não se constitui em mero estabelecimento de informações, mas sim de se trabalhar as potencialidades interiores do ser, a fim de que possam florescer, à semelhança de bela e perfumada flor.
Filosofia:
Filosofia (do grego Φιλοσοφία: philos - que ama + sophia - sabedoria, « que ama a sabedoria ») é a investigação crítica e racional dos princípios fundamentais relacionados ao mundo e ao homem.
O termo “Filosofia” foi consagrado ou adotado nos séculos VII-VI a.C. nas cidades gregas situadas na Ásia Menor. Começa por ser uma interpretação des-sacralizada das tradições cosmogônicas (por nós chamadas de mitos ou era lendária) difundidas pelas religiões daquele tempo. Não questionaram apenas os mitos gregos, mas todos mitos de todas as religiões que influenciavam a Ásia menor.


Os mitos foram, segundo Platão e Aristóteles, o ponto de partida para a reflexão dos filósofos. Eles consideravam num campo comum a religião e a filosofia, revelando que a pretensa separação entre esses dois modos do homem interpretar a realidade não é tão nítida como aparentemente se julga.

Entre os povos que desenvolveram escritas fonéticas ou ideogramáticas, as principais tradições filosóficas são a filosofia indiana, a filosofia chinesa e a filosofia ocidental (ou greca-romana).

É provável que povos que não desenvolveram tais tipos de escrita também tivessem algum tipo de tradição filosófica. O antropólogo Eduardo Viveiros de Castro afirma que encontramos pontos de vista semelhantes entre os ameríndios desde a Terra do Fogo até o Alasca, por exemplo. (Perspectivismo e multinaturalismo na América Indígena – São Paulo – Cosac & Naify, 2002).


Mas é a partir do pensar grego que a filosofia vai se tornando em uma disciplina, ou a área de estudos, que envolve a investigação, a argumentação, a análise, discussão, formação e reflexão das ideias sobre o mundo, o homem e o ser. Originou-se da inquietude gerada pela curiosidade em compreender e questionar os valores e as interpretações aceitas sobre a realidade dadas pelo senso comum e pela tradição.

As interpretações comumente aceitas pelo homem constituem inicialmente o embasamento de todo o conhecimento. Essas interpretações foram adquiridas, enriquecidas e repassadas de geração em geração. Ocorreram inicialmente através da observação dos fenômenos naturais e sofreram influência das relações humanas estabelecidas até a formação da sociedade. Isso ocorreu em conformidade com os padrões de comportamentos éticos ou morais tidos como aceitáveis em determinada época por um determinado grupo ou determinada relação humana.

A Maiêutica Socrática é o momento do "parto" intelectual, da procura da verdade no interior do Homem. Sócrates conduzia este parto em dois momentos: No primeiro, ele levava os seus discípulos ou interlocutores a duvidar de seu próprio conhecimento a respeito de um determinado assunto (base niilística); no segundo, Sócrates os levava a conceber, de si mesmos, uma nova idéia, uma nova opinião sobre o assunto em questão (o que os niilistas não têm conseguido até os dias de hoje). Através de questões simples, inseridas dentro de um contexto determinado, a Maiêutica dá à luz ideias complexas.
A auto-reflexão, expressa no nosce te ipsum - "conhece-te a ti mesmo" - põe o Homem na procura das verdades universais que são o caminho para a prática do bem e da virtude.
A Maiêutica, criada por Sócrates no século IV a.C., tem seu nome inspirado na profissão de sua mãe, que era parteira.

Sócrates pretendia preparar uma juventude pensante na Grécia na certeza de que por este caminho seria possível criar uma sociedade virtuosa. Na verdade este objetivo foi em parte alcançado, pois em Atenas formou-se a primeira comunidade constituída de homens capazes de dar respostas as grandes questões da vida e que ainda hoje servem de inspiração para o mundo pensante.
Jesus com suas parábolas tentava fazer o mesmo. Falava de um reino que não era deste mundo e que apesar de conflitantes não poderiam viver isolados. Falava de uma verdade que era libertadora e que teria de ser achada dentro de cada um de nós e projetada para o exterior na direção do próximo. É o bom samaritano que sem se descuidar dos seus afazeres deu proteção ao homem caído e ferido à beira da estrada. A verdade libertadora nos desafia a aceitação do outro numa atitude amorosa sem o questionamento de quem é ou se tem culpa, mas considerando exclusivamente a sua necessidade situacional. Jesus ensinou isto há dois mil anos, os cristãos tem repetido com palavras, mas raramente alguém consegue atender ao apelo de: “Sede meus imitadores”. Até porque o simples imitar não alcançaria a verdadeira intenção de Jesus que era a de que cada homem assimilasse suas palavras de tal forma que elas se transformassem em vida (ou rios) no seu interior. Essa entrega não pode ser apenas uma carga ou uma obrigação legal, mas uma atitude voluntária, cheia de prazer, nascida no mais interior da alma humana. (P/AViS- 29/12/2009).

terça-feira, 22 de dezembro de 2009

17- Em Defesa da Religião

Introdução:

“Entreguem todas as suas preocupações a Deus, pois ele cuida de vocês”. (1 Pe 5.7).

Sou professora aposentada. Estava conversando com Deus, pedindo orientação de como poderia ajudar a minha filha nos seus estudos (financeiramente). Comecei a meditar e resolvi voltar a dar aulas particulares. Mandei imprimir cartões com endereço e telefone e fui distribuí-los nas portas de várias escolas particulares do bairro. No princípio, fiquei com vergonha, mas Jesus me encorajava. Assim passei bom tempo. Quando retornei à minha casa, o telefone tocou. Era a mãe de uma aluna pedindo aula de reforço para a filha. Com o telefone na mão, agradeci a Deus pela sua fidelidade comigo. Essa aluna me abençoou arrumando outras. Hoje, aposentada, sou proprietária de uma escola com mais de trezentos alunos. Jesus olha o nosso coração. Deus é socorro bem presente para aqueles que O buscam. Ele é Pai que não abandona os seus filhos. Está passando por dificuldades? Os desafios da vida estão enchendo seu coração de medo, angústia e desânimo? Deus jamais planejou que você carregasse fardos que não pudesse suportar. Ainda hoje, você pode experimentar consolo, conforto, a proteção e provisão de Deus. Ele tem conselhos certos e sábios para orientá-los tanto nas decisões difíceis da vida como naquelas que parecem ser de menor importância. Para isso, primeiramente busque a Deus e, na presença dele, declare que você entrega sua vida, seu coração, seus sonhos e desejos a Ele e recebe Jesus como dono de sua vida. Fazendo isso, você se tornará em um filho de Deus, pois é pelo sangue de Jesus que somos feitos filhos de Deus. A partir de então, busque a Deus a cada dia, reserve um tempo para estar a sós com Ele, contemplando-o, meditando na sua Palavra e aprendendo a ouvir a sua voz. Não lhe faltará orientação para o viver diário, no final, os que são do Senhor irão morar no céu com Deus para sempre. Entregue hoje sua vida a Jesus! MCS (Extraído de um folheto com autor desconhecido).

“Não fiquem com medo, pois estou com vocês; não se apavorem, pois eu sou o seu Deus. Eu lhes dou forças e os ajudo; eu os protejo com a minha forte mão”. (Is 41.10).


Poderes Militantes:

Muitos grupos e instituições estão em disputa buscando o domínio das massas. Existe um verdadeiro mercado de domínio em ação no mundo ofertando todo tipo de artigos para agradar e atrair as pessoas. Nesta militância destacam-se com muito vigor as religiões. Neste breve texto pretendemos demonstrar que esta luta pelo domínio é necessária, oportuna e de grande valia para conduzir a humanidade no seu progresso. Em nossos dias destacam-se, principalmente três grupos que pretendem dominar as massas e se firmarem como poder. São eles: a religião, a política e as informações ou comunicações. O sistema de globalização que se desenvolve facilita o desenvolvimento dos meios tecnológicos da informática que por sua vez se torna instrumento poderoso a serviço dos três.

Aqui o nosso destaque é a religião. Nunca as religiões estiveram tão ativas como em nossos dias, no que diz respeito à divulgação de seus princípios. Os milhões que eram gastos em construções de templos suntuosos no século passado, hoje são gastos em informações religiosas que propiciam as mais variadas opções de práticas espirituais. Com isso a religião nas mais variadas formas, se faz presente em todos os setores da atividade humana. Encontramos religiosos leigos e clérigos atuando nos esportes, no meio artístico, na política nacional e internacional, na ciência, em fim onde o homem atua a religião em uma de suas formas se faz presente. O seu poder de penetração e de presença atuante é incontestável.

A religião, à semelhança da filosofia, lança mão da educação como instrumento transformador da sociedade. Enquanto que a filosofia joga todas as suas cartas nos processos pedagógicos, a religião recorre à fé, à esperança e à solidariedade como meios de transformar o homem. Para isto ela possui uma linguagem hermética através de símbolos, histórias, lendas e parábolas que são traduzidas pela “Teologia”, que com os seus argumentos filosóficos procura transmitir para a humanidade a vontade de Deus. Por estes meios, há muitos milênios a religião tem servido de guia orientador do comportamento humano, prestando assim um relevante serviço à humanidade.

Se existem motivos para criticar a religião, muito mais forte são as razões positivas a seu favor. Desde Zoroastro até os nossos dias as religiões têm se mostrado com grande competência e incontestável poder transformador para o bem e para o desenvolvimento do pensamento humano. O seu conteúdo preservado pelas obras chamadas sagradas é um acervo de incalculável valor que se acha a disposição de todos os homens de bem e tementes ao Criador.

A Evolução Teológica:

De um modo geral se dá pouca atenção ao estudo da “Evolução Teológica”. Ela acontece num clima natural, de tal forma que os homens estão sempre imaginando que a visão atual é a verdade, e por isso se esquecem de buscar as causas do estado atual da Teologia. Com isto os sistemas vão surgindo num festival constante de novidades que ocorrem ao sabor da vontade da liderança, e as vezes até com algumas esquisitices passageiras (Leia nosso texto “Esquisitices Religiosas” a ser postado brevemente – Texto 27 – A Teologia da Graça). Cada líder religioso busca afirmações nas letras sagradas para afirmarem suas idéias e as massas vão sendo conduzidas sem conhecerem a essência dos ensinamentos sagrados. Numa visão espiritual, isto apresenta duas questões intrigantes: primeiro, o processo parece conduzido por uma vontade soberana que os adeptos, de um modo geral, denominam de divina, isto é, a vontade do profeta, de Jeová, de Alá, de Jesus, do Espírito Santo; segundo, o processo pode ser manipulado por pessoas que se dizem representantes de Deus, mas que na realidade possuem objetivos de ordem ideológica ou até de outras ordens e assim usam o nome da divindade para dominar as massas e impor seus ideais. Isto tem ocorrido em todos os tempos e com todas as religiões.

No entanto, um exame apurado prova que em momentos especiais, homens especiais são chamados pelo Criador para cumprir missões especiais neste planeta. Estes homens deixam marcas especiais na história e em muitos casos abrem novos horizontes e novas eras para o pensamento e o comportamento da humanidade.

Segundo as Teologias em geral, com raras exceções, no princípio o homem vivia com Deus, era seu amigo e mantinha intimidade com Ele. Com a queda ele perdeu este conhecimento. Ao perder a comunicação com Deus, os homens do passado inventaram diversos deuses para atender o vazio da saudade do amigo que era ao mesmo tempo o seu Pai e Criador.

A inteligência (razão) e a carência do amor paterno fizeram com que os homens racionalizassem a ideia da existência de Deus e criaram argumentos que foram passando de geração em geração através dos magos, filósofos e pensadores.

Em época bem recente (mais ou menos 500 a. C.), Platão defendeu uma Ideia do Bem: que apesar de impessoal, era um conhecimento incondicional completo, sendo a realidade básica da qual se desprendiam todas as outras realidades. Aristóteles ficou famoso pelo seu argumento sobre uma Primeira Causa, que carecia de princípio. Essa causa não era pessoal como o é Jeová, porém certamente tinha uma afinidade lógica com um Criador.
Bem mais recente, no século XI a. D., Anselmo de Cantebury, se tornou famoso pelo seu “argumento ontológico” a favor da existência de Deus, no qual mantinha que se o homem pode albergar o conceito de um Deus perfeito, esse ser deve então existir. Se Deus fosse apenas produto do pensamento humano, seria um ser imperfeito e, portanto, teríamos que buscar algo superior a esse próprio Deus.
Seguindo por estes princípios a humanidade continua ainda hoje discutindo a existência de Deus. Na verdade, é muito mais fácil argumentar pela existência de Deus do que pela Sua não existência.

A Igreja Cristã, na época apostólica enfrentou essa questão e Paulo foi incansável na defesa de um Deus supremo; mais tarde os Concílios através de encíclicas e credos confirmaram não só a existência de um Deus Criador e distante do homem, mas, também de um Deus que se fez carne em Jesus Cristo e habitou entre os homens, não só para ensinar e praticar o amor até as suas últimas consequências, mas para remir o mundo e permitir ao homem readquirir sua intimidade com Deus pela a ação do Espírito Santo.


O Subjetivismo Teológico:

O pensamento humana trilha dois caminhos distintos: o objetivismo (empirismo) e o subjetivismo (egotismo). São duas posições opostas. A primeira trabalha com o realismo e a segunda com o idealismo. Por subjetividade, em contraste com a objetividade, designamos aqueles “sistemas” de pensamento tais como a intuição, a fenomenologia, o existencialismo e tipos de pensamentos reconhecidos como irracionais e individualisados. A Teologia está comprometida com o sistema subjetivo. No século XIX, sob a orientação de homens como Shopenhauer, Darwin, Nietzche e Kierkegaard, chegou-se a dar grande importância à sensação, ao instinto e ao impulso animal valorizando o poder do irracional de um modo genérico, opondo-se à razão e ao intelecto. Os conceitos subjetivos opõem-se à ciência e a objetividade empírica. Seguiu-se a estes pensamentos o resgate dos antigos filósofos como Descartes que defendiam a matemática, a razão, as faculdades intelectuais a fé na razão. Isto significou um grande salto na evolução das Teologias e do pensamento humano. As tensões resultantes entre o racional e o irracional não só afetaram o pensamento filosófico, como também a psicologia, a arte, a política, a semântica e, em seguida as relações entre a ciência e a religião. Produziu-se uma vasta literatura sobre temas tais como fenomenologia, existencialismo, intuição, socialismo, comunismo, ateísmo, deismo e muitos outros que produziram profundas alterações na política, nas religiões e no comportamento do homem, criando o mundo ideal dos niilistas e provocando duas grandes guerras na primeira metade do século XX.

As teologias continuaram e ainda continuam na defesa subjetiva da fé, da esperança e da solidariedade. Dois grupos destacam hoje no mundo: os fundamentalistas (defendem a ortodoxia) e os conservadores (defendem a solidariedade ou o ecumenismo). São dois grupos bem distintos que vão se firmando com grande possibilidade de levar a humanidade a uma guerra mundial religiosa.

Daí a grande responsabilidade dos líderes religiosos diante dos grandes problemas que afligem a humanidade. Quem fará a melhor proposta? Esta é a grande questão!.Aqueles que não vêem a religião com simpatia podem estar certos de que ainda terão que conviver com ela durante alguns séculos.

E se Deus Existir Mesmo?

Conta-se que um ateu que percorria o país chegou, finalmente, a uma pequena aldeia onde pretendia fazer um discurso argumentando contra a afirmação da existência de Deus. Alugou o maior salão que havia na vizinhança e convidou toda a gente da redondeza para ouvir seu discurso. O salão ficou repleto e de imediato ele afirmou que achava ridículo a ideia da existência de Deus. À medida que discursava, começou a ganhar entusiasmo pela afirmação que fizera de que Deus não existira nunca e que estas ideias eram apenas criação de algumas mentes doentias. Por fim olhando para cima, esbravejou: “Se há um Deus e se este Deus tem todo o poder, então que me parta agora mesmo, diante de todos vocês, com um raio”. Toda a assistência ficou horrorizada com tal desatino e esperava a todo momento ver um raio por fim à sua vida.
Nessa altura, uma senhora, com seus cabelos brancos e já conhecida na comunidade como uma crente fiel em Jesus Cristo, colocou-se de pé e pediu a palavra. Com muita tranquilidade e segurança disse: “meu senhor, dá licença para que se faça uma pergunta?”. “Quantas quiser” respondeu o conferencista. Continuou a velhinha crente: “eu só queria saber uma coisa. Eu sou crente no Senhor Jesus já há muitos anos e durante todo este tempo o Senhor Jesus tem sido a minha maior consolação. Quando tenho dificuldades, faço minhas orações, conto a Ele os meus problemas e todas as minhas dificuldades são resolvidas. Quando estou triste e desanimada, falo com o meu Salvador e logo fico consolada. Por favor, diga-me, se no fim da minha vida encontro que o que o senhor está dizendo é a verdade e que, na realidade, Deus não existe, diga-me senhor, o que tenho eu perdido, visto que a minha vida tem sido tão feliz, crendo em Jesus? Sim, que tenho perdido?
“Bem, respondeu o ateu” – “na verdade, parece que a senhora não perdeu nada”.
Então, continuou a velhinha: vou fazer-lhe uma segunda pergunta. O senhor anda por toda parte a ensinar ao povo que Deus não existe e desafia a Deus proferindo blasfêmias quanto ao Seu santo Nome. E se no fim da sua vida, quando o senhor estiver às portas da morte, se nesta altura o senhor reconhecer que tem andado enganado e que, na realidade, Deus existe, o que é que o senhor terá perdido?
Pensativo e sem outra alternativa, o ateu respondeu: se no fim da minha vida descobrir que realmente Deus existe, então, sem nenhuma dúvida, terei perdido tudo, tudo mesmo!
A velhinha na sua simplicidade, soube calar aquele que se julgava o dono da verdade.
Existem muitos outros argumentos para confirmar que o absurdo mesmo é acreditar que todas estas maravilhas surgiram por acaso e que não existe uma inteligência soberana que comanda desde o elemento mais reduzido possível até ao imenso universo, onde suas leis são justas e perfeitas como canta o Salmista.
No entanto o mais sério é que Paulo afirma que fora da fé somos todos pecadores e maus e não há nem um justo, nem um sequer. (Leia Rm 3.9-20).
A nossa incredulidade não tem nenhuma influência sobre a fidelidade e a perfeição de Deus. O homem e a mulher que vive como se Deus não existisse, no fim da sua vida verá que, de fato está tudo perdido, pois uma das profecias de Deus é esta: “Os ímpios serão lançados no inferno e todas as gentes que se esquecem de Deus.” (Sl 9. 17).
Assim somos chamados não só para acreditarmos na existência de Deus, mas para participarmos de uma batalha que acontece principalmente dentro de cada um de nós.

Conclusão:

As religiões, de um modo geral, propõem uma vida nova, tanto para este tempo presente como para a eternidade. O cristianismo, o que mais nos interessa aqui afirma que depois da fé ter alcançado o seu apogeu intelectual, ela deve convencer ao adepto às respostas de ordem não-intelectual, isto significa uma mudança radical de idéia, de atitude e de comportamento, ou seja, a pessoa deve passar por uma conversão, dando início a uma nova vida, onde o intelectual e o espiritual se consolidam permitindo o que os teólogos chamam de crescimento espiritual e emocional.

Precisamos conceituar então o “espiritual”:

“Gosto de pensar na espiritualidade enquanto uma relação das experiências adquiridas, do conhecimento e do saber com a vida prática. Em outras palavras, pensar na conexão do interior com o exterior. A espiritualidade nos desafia a sermos uma pessoa que evidencia esta conexão em todos os momentos da vida.” (Bispo Josué Adam Lazier, em “Uma Tríade da Espiritualidade Ministerial: Carisma, Caráter e Caridade”, ele é Bispo na Igreja Metodista no Brasil).

Voltaremos ao tema no Texto nº 20: “A Revisão”.

A segurança é uma das maiores necessidades dos seres humanos, tanto individual como coletivamente. Nós, os homens, somos como crianças, Jesus disse até que somos semelhantes a crianças tocando flauta nas praças e de outra vez disse que aquele que não se fizer criança não entrará no “Reino de Deus”.

Isto, não só é verdade em um sentido geral, mas também de um modo particular no âmbito intelectual onde o homem sente necessidade de ordenar a sua vida com uma boa dosagem de subjetivismo e ao mesmo tempo de uma forma lógica entendê-lo. Este, o principal motivo do por que da busca da verdade, tanto religiosa como filosófica com um significativo potencial transformador. A busca do socorro em Deus deixa de ser uma forma de se acomodar e se torna uma fonte de poder onde o homem busca inspiração e soluções diante dos seus impossíveis, confiante na fidelidade e no poder infinito de Deus. A fé se torna aliada de providências científicas, tais como a organização, o planejamento e a execução, conduzindo o homem no verdadeiro caminho da prosperidade prometido pelo Divino.

Com o desenvolvimento do liinismo muitas barreiras dogmáticas foram desfeitas e o ateísmo se tornou numa espécie de religião, levando a humanidade a beira do abismo criando uma sociedade com um grande grau de apetite competitivo, o que está levando a humanidade a uma corrida desenfreada em busca do sucesso a qualquer custo. As doenças cardíacas, mentais e as depressões aumentaram de forma assustadora e a violência com todas as suas manifestações e formas vai tomando um vulto assustador, colocando em prova a sociedade laica que não tem conseguido dar respostas objetivas aos grandes problemas que flagelam a sociedade.

É, principalmente neste clima que surge o grande movimento mundial de renovação da religião, alimentado pelo próprio veneno do liinismo que não tem sabido dar respostas aos questionamentos inteligentes dos seus próprios adeptos. Neste caso a religião se vê reforçada na sua proposta de “Fé”. “Esperança” e “Solidariedade”, faltando apenas aos seus líderes uma visão ecumênica para que se possa alcançar o objetivo supremo do Cristo: “Que sejam um, como nós o somos”.

Contudo acredito na sobrevivência do que denomino de “Plano Salvífico”, ou seja, a “UNICIDADE E A UNIVERSALIDADE DO MISTÉRIO DA OBRA EXPIATÓRIA DE CRISTO NA CRUZ DO CALVÁRIO” como dado perene da sobrevivência da igreja como sinal da “verdade libertadora” de Jesus Cristo visto e aceito como Filho de Deus, Senhor e único salvador, que no evento da encarnação, morte e ressurreição realizou a história da salvação, a qual tem n’Ele a sua plenitude e o seu centro.

“Crer nisso me traz muita paz e segurança para acreditar no futuro do homem, alvo primeiro de toda a preocupação do “Deus Altíssimo”, revelada em Jesus Cristo que deu garantia de que as portas do inferno não prevalecerão contra a sua IGREJA.”

Nestes termos o Espírito Santo cumprirá a sua missão e unirá a todos, não de forma política, geográfica ou ideológica como pensam alguns, mas de forma espiritual, permitindo que cada um permaneça em seu próprio tanque. (P/AViS- 22/12/2009).